DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO LUIS CESAR BUENO, NO MOMENTO DESTINADO À DISCUSSÃO DE MATÉRIAS, AO PROCESSO Nº 937/13, NA SESSÃO ORDINÁRIA REALIZADA NO DIA 14 DE MAIO DE 2013

Publicado 14/05/2013

 Senhor Presidente, na primeira votação ocupamos a tribuna para manifestar o nosso voto contrário a esse projeto, não apenas nós, mas toda a bancada da oposição. Primeiro, é um projeto extremamente polêmico do ponto de vista da sua viabilidade.

 

Hoje, podem existir reclamações em torno do sistema de transporte coletivo da Grande Goiânia, mas as reclamações existentes ao longo do Eixo Anhanguera não existem ou se existem não são tão contundentes assim. Primeiro, que o Eixo Anhanguera, uma concessão original da Prefeitura de Goiânia, transferida em 1975 para o Estado de Goiás, quando se fundou então a TRANSURB, passou a ser uma referência no transporte de passageiros de massa, trazendo o pioneirismo dos ônibus articulados. Ônibus Articulados inicialmente com uma dimensão menor e crescendo sequencialmente até estar na dimensão que temos hoje. É um transporte rápido, é um transporte sobre rodas, é um transporte que se ao longo da Avenida Anhanguera for dotado de uma melhor infraestrutura, alguns viadutos em locais estratégicos de cruzamentos onde trazem o gargalo para o trânsito, consequentemente, melhorará significativamente.

 

Hoje, nós temos o período de uma composição para outra em torno de um minuto. Portanto, as críticas ao longo do Eixo Anhanguera são poucas.

 

O Governo do Estado, recentemente, aplicou oitenta milhões na aquisição de ônibus novos. É bom dizer que essa intervenção urbana feita por Jaime Lerner, em 1975, fez com que o Eixo Anhanguera fosse modelo para Belo Horizonte, Uberlândia, Curitiba, Bogotá com o chamado transmilênio e também para algumas cidades da Europa.

 

Conclusão, em time que está ganhando não se deve mexer.

 

O que o Governo do Estado poderia fazer seria aprimorar ainda mais o VLT- Veículo Leve sobre Trilhos, que existe ao longo da Avenida Anhanguera. Agora, quando o Governo vem com a proposta de um trem chamado VLT, que no Brasil é usado como transporte de subúrbio, é lento, demora de três a cinco minutos de uma composição para outra, traz consequências graves para o meio ambiente, não consegue sequer chegar perto do metrô, é uma visão já antiga de transporte urbano, nós não podemos aceitar.

 

Gostaria de conversar com os técnicos da Secretaria das Cidades e com os técnicos da área de transporte, se o VLT será mais rápido, mais eficiente ou será mais lento e ineficiente do que o transporte coletivo que nós temos hoje ao longo do Eixo Anhanguera? É trocar seis por quatro. Goiânia perde com essa troca.  O VLT é um transporte atrasado, no Brasil é transporte de subúrbio, é um trem que é utilizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, do Jabaquara até Guarulhos. Não existe experiência no Brasil onde esse tipo de transporte foi bem sucedido.

 

Os Senhores Deputados que de vez em quando viajam pela Europa usem essa tribuna e dêem testemunho de VLT bem sucedido. E o Governo do Estado embarca nessa, desmontando uma estrutura de transporte que é referência mundial, como nós temos hoje.

 

Portanto, Senhores Deputados e Senhoras Deputadas, quero que tecnicamente ocupe essa tribuna e me diga: eu estou na Avenida Araguaia ou na Avenida Goiás, vou atravessar a Avenida Anhanguera, quem para? O meu veículo ou vai parar o VLT? Aqui na audiência pública o secretário não soube dizer e não soube afirmar. Quando perguntei se teria um viaduto sobre a Avenida Goiás, sobre a Avenida Araguaia, sobre a Avenida Tocantins, ele também não soube dizer.

 

No projeto original existia a possibilidade de uma suspensão de aço sobre o VLT ao longo da Avenida Anhanguera e do Lago das Rosas até no Botafogo, ele seria suspenso sob uma ponde de aço. Mas, com a reação pólo empresarial e as experiências de alguns lugares que viraram uma verdadeira cracolândia e, consequentemente, o desmonte do comércio nessa região, o Governo recuou do projeto. E passou a discutir a possibilidade de fazer um metrô nas áreas do centro da cidade. Aí sim, seria uma alternativa real, porque nós estaríamos já discutindo a possibilidade do metrô, mas isso não foi feito.

 

E assim sendo, o VLT tem gargalos técnicos intransponíveis, porque não apresenta no projeto um relatório de impacto de trânsito, não apresenta no projeto um relatório de impacto ambiental e traz concepções de modal de transporte urbano totalmente defasadas e desatualizadas da discussão de políticas públicas de transporte de massa, que hoje caminha para o ônibus articulado, para o veículo leve sobre rodas e não o veículo leve sob trilhos.

 

Portanto, Senhores Deputados, quero aqui fazer razão às palavras do Deputado Francisco Gedda, ex-presidente da Metrobus: pode saber o dia que começa, Deputado Ney Nogueira, mas não sabe o dia que “começa”. E o que é mais grave é que eles retiraram a Prefeitura de Goiânia do Comitê Executivo que vai fazer o transporte, que vai implantar o VLT.

 

A ex-Deputada Carla Santillo, Conselheira do Tribunal de Contas, Relatora desse processo, devolveu o processo, o edital de Licitação para o Presidente da AGETOP, porque não constava o projeto. Ou seja, até hoje eles não fizeram um projeto.

 

Tive a oportunidade de comparecer a uma audiência na Câmara Municipal, onde nunca vi tanta trapalhada da área técnica quando discutia esse projeto com os técnicos da área de transporte.

        

Portanto, esta Casa, no lugar de estar votando hoje esse projeto, deveria estar fazendo um questionamento sobre a viabilidade técnica, sobre a viabilidade ambiental, sobre o impacto que terá sobre o comércio, com o pólo empresarial, com o CDL, com o Clube de Lojistas, com a Federação do Comércio, que já se posicionou contra o VLT ao longo do Eixo Anhanguera.

        

Portanto, em todas as discussões é um projeto que não tem o parecer favorável dos técnicos, não tem o parecer favorável da área da Prefeitura de Goiânia, porque está fora do Conselho Executivo de Execução. Tem tido sérios questionamentos na área política e não tem referência logística em qualquer parte do País. Portanto, de onde saiu esse projeto?

        

Afinal, Senhor Secretário das Cidades, eu estou na Araguaia, vou atravessar a Anhanguera. Eu vou passar sob um viaduto ou vou parar o carro para o trem passar? Ou o trem vai parar e eu vou passar? Se for ter sinaleiro, parada, sinalizada, ao longo da Araguaia, da 6, da 7, da 8, da 9, da Tocantins, é melhor ficar com o nosso veículo ônibus sobre rodas articulado, conforme nós temos hoje.

        

Porque Jayme Lerner tinha razão e elaborou um sistema ao longo do Eixo Anhanguera que não está sendo alvo de críticas até hoje. É um sistema que funciona. Portanto, em time que ganha não se mexe.

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