DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO LUIS CESAR BUENO, NO MOMENTO DESTINADO AO ENCAMINHAMENETO DE VOTO, AO PROCESSO 2.205/13, REALIZADA NA 4ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA AUTOCONVOCAÇÃO REALIZADA NO DIA 02 DE JULHO DE 2013

Publicado 02/07/2013

 Senhor Presidente;

 

Senhoras e Senhores Deputados;

 

Produtores rurais aqui presentes através da FAEG;

 

Comunidade científica, através da Universidade Federal de Goiás, da PUC;

 

 

Trabalhadores através do MST e SBPC, todos aqueles que estão presentes acompanhando esta votação.

 

É muito bom que se diga que não estamos aqui numa guerra entre ecologistas e produtores, nem entre produtores e ecologistas. O que se discute aqui é uma concepção de utilização da terra.

 

Precisamos hoje de um Código Florestal que garanta a produção, mas que, substancialmente, proteja o ambiente. É esta aliança, é este pacto entre a produção e a preservação ambiental que precisa ser firmado e que está sendo firmado aqui hoje, numa tentativa de criação desse fórum.

 

Quando os colegas aí foram para a Europa, nas suas narrativas, ao andar por aquele Continente é raro verificar um alqueire ou um hectare de terra improdutiva ou ociosa. Nós temos no Estado de Goiás e no Brasil uma ociosidade muito grande das terras já desmatadas. E é justamente combater a ociosidade dessas terras já desmatadas que vai garantir o avanço da produção e não reduzindo o limite de desmatamento sobre as nascentes dos córregos.

 

É importante ressaltar que no Século XIX e no Século XX houve todo um processo de desmatamento feroz do Cerrado, onde o homem praticamente detonou a natureza, e agora é necessário recuperá-la. É necessário fazer com que a produção entre nas terras ociosas, mas é necessário recuperar o meio ambiente, recuperar o Cerrado. É esse o debate que a Academia Científica quer fazer num bom nível com os produtores rurais.

 

E nesse aspecto quero dizer para vocês que nós temos que garantir a parceria entre a tecnologia da produção e a tecnologia de conservação ambiental, calçada numa legislação que garanta a preservação das nascentes, que garanta a preservação dos nossos parques, que garanta fundamentalmente a harmonia entre  a produção e o meio ambiente.

 

E aí o debate não é você fazer uma opção entre água ou arroz e carne. Não é esse o debate. O povo, a comunidade, todos nós queremos a água, mas queremos também o arroz e a carne. E é necessário que nós, do Poder Legislativo, que o poder público trabalhe esse compartilhamento, trabalhe entre esse entrosamento. Não significa ser a favor de um ou contra o outro, o que nós temos que fazer é conciliar os interesses.

 

Os produtores do Leste dos Estados Unidos, como também de uma parte da União Soviética, disseram que se há 50 anos eles tivessem investido na preservação dos mananciais, investido na preservação das matas, hoje estariam ganhando muito mais dinheiro porque os desastres ambientais não teriam levado à bancarrota vários produtores, acabando com a lavoura.

 

Portanto, nós temos que ter a clareza que a preservação do Meio Ambiente é a garantia do lucro do produtor, porque o produtor precisa de clima, ele não pode ter desastre ambiental, ele precisa de garantias seguras. Nesse sentido nós temos que ter aqui a clareza suficiente que nós precisamos de uma legislação que garanta os interesses de quem produz e que garanta os interesses da vida e do meio ambiente.

 

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