Entrevista do deputado Luis Cesar Bueno ao jornal Tribuna do Planalto
Publicado 01/01/2007
A organização de um bloco de sustentação política do governo federal em Goiás e a política de alianças para 2008 foi tema da entrevista do deputado Luis Cesar Bueno ao jornal Tribuna do Planalto, que circulou em todo estado dia 30 de dezembro de 2006, os jornalistas abordaram também a aproximação do governador de Goiás Alcides Rodrigues com o presidente da República. Veja a íntegra da entrevista: ‘Temos de dizer que o PT vai lançar candidato em Goiânia’ Deputado estadual reeleito, Luís César Bueno (PT) é um dos entusiastas da aliança entre o seu partido e o PMDB. O parlamentar é favorável, inclusive, a que os petistas ocupem cargos na administração Iris Rezende (PMDB), em Goiânia. O parlamentar derrapa ao dizer que todos os partidos devem dizer que terão candidato, mas que o PT estará aberto ao diálogo com Iris. Ou seja, admite já neste momento apoio à reeleição do peemedebista. Sobre uma aliança entre o PT e o governo do Estado, via governo federal, o deputado não demonstra a mesma animação. Segundo ele, é possível que haja um entendimento, mas os aliados do governador Alcides Rodrigues (PP) devem apoiar integralmente o governo do presidente Lula, incluindo os votos da bancada do PSDB goiano. Luís César Bueno também acredita que o governador pepista irá enfrentar dificuldades e até vislumbra, com isso, o fortalecimento de uma candidatura do PT ao governo de Goiás em 2010. “De acordo com os técnicos que avaliam as finanças do Estado, a tendência hoje é que ele (Alcides) termine o governo muito desgastado”, entende. Confira a entrevista. Eduardo Sartorato *** Tribuna do Planalto – Como o senhor vê esta sinalização de construção de uma parceria por parte do PT goiano com o PMDB, a partir do ano que vem? Luís César Bueno – O gabinete da presidência da República, junto com a direção nacional do PT, já solicitou dos fóruns regionais a unidade e a articulação política dos partidos que dão sustentação ao presidente Lula. Na gestão passada, nós tivemos uma ação política muito fraca em relação aos investimentos que o governo federal fez em Goiás. Os partidos de sustentação do presidente Lula, notadamente o PT, não conseguiram captar a agenda positiva do governo, na questão da recuperação das estradas, os programas habitacionais, programas na área da agricultura, transporte, saúde e educação. A oposição ao presidente Lula, que aqui em Goiás é governo, puxado pelo PP e pelo PSDB, conseguiu capitalizar esta agenda e o PT ficou com a parte negativa, junto com os partidos aliados, como o mensalão e a CPI dos Bingos. Esta agenda negativa ficou conosco. Então, na verdade, foi feito uma política sem mão dupla. O que o governo federal está pedindo agora é que os partidos da base de sustentação do presidente Lula assumam a agenda positiva e que não deixem esta agenda para os adversários, inclusive para fazer palanque contra o presidente e dizer que as obras são do governo estadual. Aqui em Goiás, por exemplo, o programa Luz para Todos, programas habitacionais, os convênios do Ministério da Educação, Saúde, da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) com os municípios, boa parte destes convênios foi captada pelos deputados do PSDB e do PP, pelo governo do Estado e, às vezes, estas obras foram palanques anti-Lula, sendo que elas foram realizadas pelo governo federal. Então, o governo sinaliza com a necessidade de se estabelecer uma política de mão dupla. Apoio vai e apoio político vem. Neste sentido, vejo como muito positiva a aproximação com o PP, do governador Alcides Rodrigues, mas querendo saber se a base do governo, que envolve os parlamentares do PSDB, também irá votar com o presidente Lula, em Brasília. Isto é necessário. Então, é política de não cair na ingenuidade do primeiro governo, de realizar algumas ações sem ter a capilaridade política. É neste sentido que vejo positiva a articulação do presidente do nosso partido, do deputado federal Rubens Otoni, que procura junto ao chefe do gabinete da presidência, Gilberto Carvalho, com o senador Maguito Vilela, e outros, fazer uma grande articulação com os partidos que estão com o presidente Lula em Goiás. **** Mas isto não é complicado, já que PP e PMDB fazem parte da base de Lula, mas aqui em Goiás são adversários? É só pedir aos deputados federais deles para votarem com o presidente Lula. Temos de ter apoio político. Tendo apoio político acho que a parceria administrativa é uma conseqüência. Agora, o PP é um partido complexo. O Severino (Cavalcante) é do PP. O (Paulo) Maluf, o Alcides, o Paulo Roberto Cunha, o Sebastião Caroço são do PP. E aqui em Goiás, esta base pepista organizou ruidosas manifestações anti-Lula. E é muito recente. A última, foi em Rio Verde, no segundo turno, quando militantes do PP, partido de Alcides e do Paulo Roberto Cunha, tentaram impedir uma manifestação do governo federal puxada pelo governador Blairo Maggi (sem partido, MT), que foi lá mobilizar os produtores rurais pedirem voto para o presidente Lula. Então, esquecer este passado recente para dizer que é aliado e quer recurso é uma coisa incoerente e que a sociedade não vai entender. Mas nós estamos dispostos. Agora, o que nós queremos é, no mínimo, compromisso. Não dá para estabelecer uma parceria administrativa sem compromisso. Qual é o compromisso dos parlamentares do PP, do PSDB, em Goiás, já que aqui no Estado os dois partidos se misturam na sustentação do governador Alcides, com o governo federal? Resolvido este problema, vamos tocar. *** Todas estas articulações já visam as eleições para 2008. Como o sr. analisa o PT, que pensa em ter candidatura própria, tentando diálogo com o PMDB, que tem o prefeito Iris Rezende provavelmente disputando à reeleição? Todo partido político tem que dizer de tem candidato a prefeito. Aliás, nenhum partido sobrevive sem lançar candidato. O PT é um partido que disputou todas as eleições em Goiânia nos últimos 20 anos, e disputou para ganhar. Inclusive, foi vitorioso duas vezes. Então, nós temos de dizer que o PT vai lançar candidato a prefeito de Goiânia. Agora, nós vamos construir uma política de alianças, e esta política vai sendo construída sem ferir a governabilidade solicitada pelo presidente da República ao prefeito Iris Rezende, que já está em construção na Câmara Municipal. A bancada do PT apóia a governabilidade necessária pelo prefeito de Goiânia, até às eleições de 2008. *** Isso quer dizer que está tudo aberto ainda e que existe a possibilidade de o PT apoiar Iris Rezende em 2008? Sendo o PMDB um partido da base aliada do presidente, tudo é possível. Agora, neste momento, nós temos de acreditar e construir uma candidatura própria. Inclusive para fortalecer o partido em qualquer tipo de negociação em 2008. *** Esta aproximação com o PMDB pode levar o PT a assumir cargos no Paço Municipal até o final da administração de Iris Rezende? É uma decisão que depende do diretório municipal. Veja bem, o PMDB vai ocupar cinco ministérios no governo federal, em Brasília, participa do governo federal, em Goiás, é um parceiro de primeira linha do governo federal, então é automático o alinhamento nos Estados e nos municípios. Já está ocorrendo no Pará, na Paraíba, está ocorrendo nas capitais e nas cidades onde PT e PMDB estão no governo. É um alinhamento conjuntural e natural em função da política nacional. *** Seria então uma aliança ampla? Sim, o presidente Lula tem defendido um governo de coalizão na instância federal e isto é conseqüência nos Estados e nos municípios. Agora, aqui em Goiânia, a decisão de participar, ou não, da administração, já está chegando um pouco tarde. Nós já estamos para lá da metade da administração do prefeito Iris Rezende. Agora é uma decisão que o diretório municipal terá de tomar, ouvindo a militância. Eu, pessoalmente, não vejo nenhum inconveniente, acho que é possível. *** Por que o PT disputa eleições estaduais, mas não consegue ameaçar as duas forças hegemônicas, PMDB e base aliada? Isto é em função da ausência da interiorização do PT. O PT é um partido que está se consolidando agora nos grandes grotões. A partir desta última gestão do presidente Rubens Otoni é que nós conseguimos, pelo menos, montar comissões provisórias em todos os municípios. Então, acredito que com um plano de desenvolvimento da região Centro-Oeste, com a possível instalação da Superintendência do Centro-Oeste (Sudeco), com a sinalização política dos convênios que o presidente Lula tem feito com centenas de prefeitos é possível uma reversão desta realidade nas próximas eleições. O diretório regional já discute isto e nós estamos pretendendo nos apresentar como a força política emergente. Por que se o atual governador não fizer um choque de gestão, um ajuste fiscal, um ajuste financeiro, reduzir significativamente as despesas e aumentar a receita, que é um remédio amargo para todas as gestões, ele não vai conseguir controlar o fluxo de caixa e ter sucesso no seu governo. Então, de acordo com os técnicos que avaliam as finanças públicas do Estado, a tendência hoje é que ele termine o governo muito desgastado. A não ser que ele faça um rompimento com todas as ações políticas feitas pelo governo anterior para conseguir, numa segunda fase do seu mandato, executar algumas políticas de obras no Estado. Como nós não estamos vendo o perfil para este ajuste, achamos que o tempo velho vai estar igual ao tempo novo, e o PT pode ser a força política emergente. De que forma vocês recebem o deputado eleito Humberto Aidar (PT), que assume a cadeira a partir de fevereiro, e que na Câmara Municipal de Goiânia tem votado contra a bancada do PT? Nós esperamos que isto não ocorra aqui na Assembléia. Esta bancada atual, todas as vezes que nós fechamos questão, estivemos unidos. Aqui o líder fecha questão e encaminha voto da bancada, é diferente, talvez, da Câmara. Nós exercemos aqui uma atuação política como bancada. E a bancada tem liderança, ela fecha a questão, consulta o diretório e encaminha o voto do partido. Só uma vez que nós não votamos unidos, quando da instauração da CPI da Gerplan, quando a bancada liberou o deputado Mauro Rubem para votar a favor da instauração da CPI. Exceto esta vez, todas as outras votamos unidos. E queremos manter esta tradição. Assim acreditamos que o deputado Humberto Aidar, que é experiente, combativo, atuante e disciplinado, também, deve seguir a orientação da bancada aqui na Assembléia Legislativa. Não vou entrar em detalhes desta questão da Câmara porque é uma questão relacionada ao diretório metropolitano, que está apurando e analisando e eu não estava lá para ter algum tipo de opinião.