A indústria está estagnada

Publicado 23/02/2020

Ao contrário do que alguns insistem em propagar, a crise econômica continua e a indústria continua em queda, estagnada.
A recessão e o golpe de 2016 empurraram a indústria nacional para a pior crise de sua história.

Em meio a dificuldades de manter o ritmo de recuperação da produção, a indústria de transformação encolheu significativamente no país. Ao menos 17 indústrias fecharam as portas por dia no Brasil ao longo de quatro anos. Ao todo, 25.376 unidades industriais encerraram suas atividades de 2015 a 2018, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O que era de se esperar aconteceu, a indústria ficou estagnada no ano passado e sua sonhada ‘‘aceleração’’ não aconteceu. Um levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), obtido pelo jornal Valor, revela que quatro em cada dez segmentos do setor encerraram o ano em recessão.

Dos 93 subsetores da indústria investigados, 41 enfrentaram queda de moderada a forte no ano passado (44% do total), com baixas no volume de produção mais intensas do que 1%. É uma quantidade maior do que em 2018 (37 de 93, ou 40%). Outros 11 segmentos ficaram estagnados (sem variação na produção ou próxima de zero). E 41 cresceram mais de 1%.

Um estudo realizado pelo Banco Central e divulgado em março do ano passado mostrou que, entre 2002 e 2013, quando o real ganhou força e o dólar ficou mais barato, as importações chegaram a representar 20,3% do consumo aparente da indústria nacional (que soma a produção destinada ao mercado doméstico e as importações).

Se a produção industrial cresce, o impacto econômico é relevante. Cada aumento de um ponto porcentual gera abertura de, aproximadamente, 5,9 mil unidades produtivas no ano seguinte. Se cai, o número de fábricas em atividade diminui na mesma proporção.

Para o desenvolvimento econômico, industrial e do comércio acontecer, é necessário distribuir renda, aumentar o salário das pessoas que estão ‘‘embaixo’’. Somente com melhores salários é que o comércio vai voltar a crescer e a indústria a produzir.

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