DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO, LUIS CESAR BUENO, NA SESSÃO ESPECIAL EM COMEMORAÇÃO AOS 60 ANOS DA FIEG E DO SENAI REALIADA NO DIA 12 DE MARÇO DE 2012

Publicado 12/03/2012

 Excelentíssimo Senhor Deputado Karlos Cabral, no exercício desta Presidência;

 

Senhor Alexandre Baldy, Secretário de Estado da Indústria e Comércio, neste ato representando o Doutor Marconi Ferreira Perillo Júnior, Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de Goiás;

 

Senhor José Sebba Júnior, Secretário Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, representando o Doutor Paulo Garcia, Prefeito de Goiânia, nosso abraço ao Prefeito Paulo Garcia;

 

Vereador Anselmo Pereira, amigo da Câmara Municipal, representando o Poder Legislativo Goianiense;

 

Doutor Pedro Alves de Oliveira, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, grande propulsora do desenvolvimento social do Estado; 

 

Querido amigo, Doutor Paulo Vargas, Diretor-Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, responsável pela formação e aprendizado que fomenta a indústria no Estado de Goiás, é um prazer muito grande tê-lo aqui nesta Casa mais uma vez;

 

Doutor Humberto Rodrigues de Oliveira, Superintendente do Instituto Euvaldo Lot;

 

Doutor Renato Rassi, Secretário Parlamentar, representando o Senador Cyro Miranda;

 

Jornalista Valterli Leite Guedes, representante da Associação Goiana de Imprensa;

 

Colegas, companheiros, Deputados e Deputadas aqui presentes;

 

Elias Júnior, uma grande satisfação, ex-aluno do SENAI, aqui não temos apenas um aluno do SENAI, temos dois. Elias Júnior também freqüentou o Centro de Formação Profissional Ítalo Bolonha, assim como eu. É um prazer vê-lo aqui. Deputada Isaura Lemos, nossa grande representante do PCdoB e também da luta das mulheres nesta Casa. Na pessoa dela cumprimento as mulheres pelo seu dia, pelo seu mês, é uma satisfação muito grande tê-la aqui. Deputado Ademir Menezes, representante da cidade de Aparecida;

 

 

Demais autoridades aqui presentes; Senhores e senhoras.

 

É com grande satisfação que esta Casa de Leis realiza nesta noite uma Sessão Especial em homenagem aos 60 anos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI –, Instituição integrante do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG –, também homenageada nesta noite.

 

Ao longo da história da indústria goiana, o SENAI vem contribuindo com a formação profissional e capacitação das empresas que buscam na tecnologia e na inovação a competitividade para disputa de mercado em um mundo globalizado.

 

Antes de analisar a inserção da formação profissional no Brasil, vamos relembrar um pouco do difícil processo histórico da produção industrial brasileira que, comparada à de outros países, ocorreu de forma muito lenta. No período colonial, entre 1500 a 1822, era vigente no Brasil a proibição de fábricas para que os brasileiros consumissem apenas os produtos manufaturados pelos portugueses e ingleses. Enquanto a América e a Europa preparavam seus respectivos pólos industriais, com novas tecnologias oriundas da Revolução Industrial, o Brasil convivia com uma economia baseada na monocultura agrícola e um pacto colonial que proibia a entrada de escolas técnicas, de universidades e de novas tecnologias.

 

Após 430 anos de existência do Brasil, somente em 1930, no primeiro ano do Governo Getúlio Vargas, foi que a produção industrial brasileira foi impulsionada. Com leis voltadas para regulamentação de mercado de trabalho e medidas protecionistas através de investimentos em infraestrutura, a indústria nacional cresceu significativamente e, nas décadas seguintes, conseguiu formar um mercado verdadeiramente nacional.

 

Com facilidades na livre circulação de mercadorias e redução da influência das oligarquias, que sempre representavam os interesses atrasados dos latifundiários e monocultores agrários, a indústria brasileira conseguiu manter os primeiros passos ainda nas décadas de 30 e 40.

 

E nesse contexto de preparar o País para a produção industrial interna e lançar as bases para uma nação industrial desenvolvida e voltada para a exportação, foi que o Governo criou em 1942 o SENAI. Seu objetivo era suprir as necessidades permanentes da formação de mão-de-obra qualificada para atender a indústria de base impulsionada pelo nacionalismo patriótico e desenvolvimentista do Governo de Getúlio Vargas. O SENAI foi o grande propulsor da formação de mão-de-obra nas décadas de 50, 60, 70, em função do desenvolvimento das indústrias ligadas à produção de derivados de petróleo, ocorrido com o surgimento da Petrobrás e também com a inserção da produção automobilística e do desenvolvimento industrial ocorrido no Governo de Juscelino Kubitschek.

 

A industrialização do Brasil continuou a crescer, sobretudo no Século XXI, o SENAI esteve presente capacitando e formando profissionais. Expandiu a assistência às empresas, investiu em tecnologia de ponta e instalou centros de ensino para pesquisas e desenvolvimento tecnológico. Os cursos tecnológicos das Faculdades SENAI passaram a ser referência no processo de automação da indústria brasileira.

 

O SENAI em todo Brasil acumula cerca de cinqüenta e dois milhões de matrículas desde 1942 até 2010. As primeiras escolas originaram uma rede de 797 unidades operacionais entre fixas e móveis distribuídas por todo o País, nas quais são oferecidos mais de 2.300 cursos de formação, com parcerias com 29 países. O SENAI está preparado para enfrentar os novos desafios da indústria brasileira.

 

O SENAI chegou a Goiás em 1952, dez anos após sua existência na Região Sudeste do País. Instalou sua primeira unidade em Anápolis e em seguida em Goiânia. Conseguiu, ao longo dos anos, suprir a demanda por formação profissional demandada pela “Marcha para o Oeste” durante a construção de Brasília, e preparar a indústria goiana para a competitividade nacional. Hoje, o setor industrial de Goiás é um dos que mais crescem no Brasil. Em mais de meio século de existência no Estado, o SENAI chegou à marca expressiva de matriculas em seus diversos cursos, desde a chamada aprendizagem industrial, hoje qualificação profissional de adolescentes, passado pela iniciação profissional com habilitação técnica até a graduação, pós-graduação e mestrado.

 

Hoje vivemos um grande dilema. Precisamos criar condições para que o Brasil amplie a participação da indústria no Produto Interno Bruto. Os produtos importados estão entrando com grande competitividade no nosso mercado interno. Em Goiás e no Brasil, faz-se necessário uma articulação entre as políticas fiscais e a formação profissional para estimular a indústria a vencer a concorrência internacional, principalmente dos países asiáticos.

 

O Brasil, nos últimos 15 anos, fez uma abertura para todos os produtos industrializados, reduziu significativamente as chamadas proteções fiscais, e hoje produtos do mundo todo têm livre circulação no nosso Estado.

 

A imprensa nesta semana marcou algumas manchetes significantes, entre elas a de que o nosso Produto Interno Bruto, comparado com o processo de industrialização, é o menor das últimas décadas, comparado a 1975, ou seja, a produção industrial representa apenas 15% do processo do Produto Interno Bruto, isso em função da grande entrada dos produtos importados.

 

Nesse sentido, Senhor Presidente da FIEG, Secretário de Desenvolvimento Econômico de Goiânia, representante do Governador Marconi Perillo, neste ato, precisamos fazer uma grande força, uma grande frente para que tenhamos urgentemente uma reforma tributária no Brasil que reduza o número de tributos onde temos uma das taxações maiores do mundo, para que a indústria volte a ter competitividade com o produto internacional e nós tenhamos novamente a indústria do Brasil na ponta do Produto Interno Bruto gerando emprego, gerando renda e gerando desenvolvimento.

 

Nossa economia absorve mão-de-obra especializada na atividade industrial e cresce a cada ano, espalhando-se por diversas regiões do Estado, com a produção de máquinas, veículos, equipamentos para o agronegócio, que gera uma maquinaria pesada e que precisa de manutenção. O SENAI cresceu muito em Goiás, e crescerá mais ainda nos próximos anos. Este Deputado que neste momento ocupa esta tribuna para homenagear essa importante instituição, foi aluno do curso de Artes Gráficas, profissão que ocupou por mais de quinze anos. O SENAI contribuiu com a minha formação intelectual e profissional e me possibilitou condições para que eu pudesse concluir dois cursos superiores, duas pós-graduações e chegar à condição de Deputado Estadual. Hoje tive a satisfação de saber que não apenas o Deputado Luis Cesar Bueno teve essa grata satisfação, mas que o nosso amigo Deputado Elias Junior também passou pela escola SENAI. Temos aqui também um amigo, que é o Presidente das Indústrias Gráficas, Antônio Almeida, que nos acompanhou desde a nossa formação no SENAI, e fico satisfeito em vê-lo como Presidente das Indústrias Gráficas, um dos dirigentes da FIEG. Mas não é apenas este Deputado do PT que tem a agradecer a essa importante escola, o ex-Presidente Lula também foi aluno do SENAI. Em vários depoimentos ele disse que SENAI mudou a sua vida. Essa admirável escola de formação industrial mudou a vida de milhares de trabalhadores de Goiás e de todo o Brasil.

 

Para finalizar, quero expressar aqui uma mensagem de um compositor, poeta, cantor, roqueiro da minha geração, chamado Renato Russo, que em uma de suas músicas diz o seguinte: “Sem trabalho não sou nada, não tenho dignidade, não sinto o meu valor”. E lembro também de um filósofo que estudei muito nos tempos de faculdade, chamado José Arthur Gianotti, que disse: “O importante da educação não é formar um mercado de trabalho, mas formar uma nação com gente capaz de pensar”.

 

Nesse sentido, quero dizer que o SENAI  cumpriu o objetivo de muitos jovens como eu, que com quinze anos entrou naquela escola para fazer um curso de aprendizado e formação industrial, porque ele nos deu trabalho, nos deu cidadania. E, fundamentalmente, nos ensinou a refletir e a pensar.

 

Então, parabéns, SENAI. Parabéns, Federação das Indústrias do Estado de Goiás, vocês são professores do desenvolvimento do nosso Estado.

 

 Muito obrigado a todos vocês.

 

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