﻿{"id":29153,"date":"2014-11-20T00:00:00","date_gmt":"2014-11-20T02:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/no-dia-da-consciencia-negra-brasil-tem-muito-a-comemorar\/"},"modified":"2014-11-20T00:00:00","modified_gmt":"2014-11-20T02:00:00","slug":"no-dia-da-consciencia-negra-brasil-tem-muito-a-comemorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/no-dia-da-consciencia-negra-brasil-tem-muito-a-comemorar\/","title":{"rendered":"No Dia da Consci\u00eancia Negra, Brasil tem muito a comemorar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Lei &Aacute;urea, sancionada em 13 de maio de  1888, decretou o fim da escravid&atilde;o no Brasil. A data, no entanto, nunca  foi motivo de comemora&ccedil;&atilde;o para o movimento negro brasileiro, pois a  liberdade decretada no papel n&atilde;o significou inclus&atilde;o ou a cria&ccedil;&atilde;o de  pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para os negros do Pa&iacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a exclus&atilde;o mantida mesmo ap&oacute;s o fim  da escravid&atilde;o, o dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos  Palmares, tornou-se o verdadeiro marco hist&oacute;rico para a popula&ccedil;&atilde;o negra  brasileira. O l&iacute;der quilombola foi um dos principais &iacute;cones da  resist&ecirc;ncia negra &agrave; escravid&atilde;o no per&iacute;odo colonial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento &agrave; import&acirc;ncia de Zumbi  dos Palmares ao movimento negro aconteceu mais de 300 anos ap&oacute;s a morte  do l&iacute;der negro. Em 2003, durante governo do ex-presidente Luiz In&aacute;cio  Lula da Silva, o Dia da Consci&ecirc;ncia Negra foi inclu&iacute;do no calend&aacute;rio  escolar nacional. Em 2011, gest&atilde;o da presidenta Dilma Rousseff, foi  institu&iacute;do o Dia Nacional de Zumbi e da Consci&ecirc;ncia Negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As a&ccedil;&otilde;es afirmativas para promo&ccedil;&atilde;o da  igualdade racial tamb&eacute;m ganharam for&ccedil;a ap&oacute;s a chegada do Partido dos  Trabalhadores na Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Em 2010, o ex-presidente Lula  instituiu o Estatuto da Igualdade Racial, com objetivo de garantir &agrave;  popula&ccedil;&atilde;o negra a efetiva&ccedil;&atilde;o da igualdade de oportunidades, defesa dos  direitos &eacute;tnicos e combate &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o Instituto Brasileiro de  Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), negros e pardos correspondem a 50,7% da  popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Os programas sociais implantados pelos governos do  PT beneficiaram diretamente a popula&ccedil;&atilde;o negra brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as 14 milh&otilde;es de fam&iacute;lias  benefici&aacute;rias do Bolsa Fam&iacute;lia, maior programa de transfer&ecirc;ncia de renda  do mundo, 73% s&atilde;o negras. De acordo com o Instituto de Pesquisas  Econ&ocirc;micas e Aplicadas (Ipea), tr&ecirc;s a cada quatro novos membros da  classe m&eacute;dia brasileira s&atilde;o negros. Al&eacute;m disso, a taxa de negros  empregadores passou de 22,84%, em 2003, para 30,19%, em 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Educa&ccedil;&atilde;o<\/strong> &ndash; A  valoriza&ccedil;&atilde;o afrodescendentes brasileiros foi ainda mais refor&ccedil;ada na  &aacute;rea educacional com san&ccedil;&atilde;o da Lei das Cotas, em 2012. De acordo com a  legisla&ccedil;&atilde;o, as institui&ccedil;&otilde;es federais de ensino superior devem, at&eacute; 2016,  reservar 50% das vagas para estudantes autodeclarados pretos, pardos e  ind&iacute;genas, de baixa renda e que tenham cursado o ensino m&eacute;dio em estolas  p&uacute;blicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano em que a lei foi sancionada pela  presidenta Dilma, as institui&ccedil;&otilde;es destinaram apenas 9,5% das vagas para o  perfil de estudante beneficiado com a nova legisla&ccedil;&atilde;o. Em 2013, o  n&uacute;mero passou para 19,6%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m disso, a&ccedil;&otilde;es criadas a partir de  2003 como o Programa Universidade Para Todos (Prouni), Programa Nacional  de Acesso ao Ensino T&eacute;cnico e Emprego (Pronatec) e Financiamento  Estudantil (Fies) possibilitaram amplia&ccedil;&atilde;o na inclus&atilde;o de negros e  pardos nas universidades brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados do IBGE apontam que o percentual  de negros no ensino superior subiu de 10,2%, em 2001, para 35,8%, em  2011. De acordo com o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, mais da metade dos alunos  beneficiados pelo Prouni s&atilde;o negros. Criado em 2005, o programa  concedeu, de l&aacute; para c&aacute;, mais de 1,6 milh&atilde;o de bolsas de estudo para  estudantes de todo Pa&iacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com aumento das a&ccedil;&otilde;es afirmativas  cresceu, tamb&eacute;m, o interesse da popula&ccedil;&atilde;o negra pela educa&ccedil;&atilde;o. Entre 8,7  milh&otilde;es de inscritos em 2014 para o Exame Nacional do Ensino M&eacute;dio  (Enem), 57,9% se declararam pretos ou pardos. Em 2012, esse perfil de  estudante representava 54,3% dos inscritos e em 2013 o percentual ficou  em 55,8%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o,  apesar dos incentivos, 37,6% dos estudantes matriculados no ensino  superior brasileiro se declaravam pretos ou pardos em 2013. Em  institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, o percentual fica em 41,4% e, nas particulares,  35,13%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Emprego<\/strong> &ndash; O Brasil  avan&ccedil;ou ainda mais rumo &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade racial em junho deste  ano, com a aprova&ccedil;&atilde;o da lei de cotas para concursos p&uacute;blicos da  administra&ccedil;&atilde;o federal. A proposta, com validade de 10 anos, determina  que 20% das vagas deve ser destinada aos candidatos que se  autodeclararem negros ou pardos no ato da inscri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de todas as a&ccedil;&otilde;es afirmativas, o  sal&aacute;rio dos negros brasileiros ainda &eacute; 43% inferior ao recebido pela  popula&ccedil;&atilde;o branca. No entanto, segundo o IBGE, essa diferen&ccedil;a foi ainda  maior no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo instituto de pesquisas, a  desigualdade salarial diminuiu e desde 2003 o sal&aacute;rio dos negros subiu,  em m&eacute;dia, 51,4%. Enquanto isso, o rendimento dos brancos aumentou em  m&eacute;dia 27,8%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seguran&ccedil;a<\/strong> &ndash; Uma das  iniciativas do governo federal para solucionar este problema foi a  cria&ccedil;&atilde;o do Juventude Viva. O programa tem como foco o combate ao racismo  e &agrave; viol&ecirc;ncia contra jovens negros. Atualmente, a a&ccedil;&atilde;o &eacute; realizada em  Alagoas, S&atilde;o Paulo, Bahia, Esp&iacute;rito Santo, Para&iacute;ba, Rio Grande do Sul e  Distrito Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o coordenador do programa Juventude  Viva, Felipe Freitas, a seguran&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o negra brasileira ainda &eacute;  um problema a ser enfrentado no Pa&iacute;s. De acordo com a Anistia  Internacional, 77% dos jovens assassinados no Brasil s&atilde;o negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;Ainda precisamos avan&ccedil;ar na quest&atilde;o da  viol&ecirc;ncia da juventude negra, temos o maior desafio da quest&atilde;o racial.  Os avan&ccedil;os conquistados n&atilde;o concluem o ciclo de inclus&atilde;o porque s&atilde;o  sempre sombreados pelo n&uacute;mero de mortes de jovens negros&rdquo;, diz Freitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lan&ccedil;ar o programa, em novembro de  2013, a presidenta Dilma afirmou ter a inten&ccedil;&atilde;o de estender a iniciativa  a 142 cidades que concentram 70% das mortes da popula&ccedil;&atilde;o negra no  Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al&eacute;m disso, Freitas avalia ser de  extrema import&acirc;ncia para a popula&ccedil;&atilde;o negra brasileira a aprova&ccedil;&atilde;o do  projeto que p&otilde;e fim aos autos de resist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&ldquo;O governo est&aacute; bastante mobilizado pela  aprova&ccedil;&atilde;o desse projeto. Para n&oacute;s, o projeto &eacute; fundamental, pois  representa estancar um certo de legitima&ccedil;&atilde;o diante da gravidade desse  problema&rdquo;, explica o coordenador do Juventude Viva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lei &Aacute;urea, sancionada em 13 de maio de 1888, decretou o fim da escravid&atilde;o no Brasil. 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