﻿{"id":25225,"date":"2011-10-02T00:00:00","date_gmt":"2011-10-02T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/a-crise-o-fascismo-e-as-corporacoes\/"},"modified":"2011-10-02T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-02T03:00:00","slug":"a-crise-o-fascismo-e-as-corporacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/a-crise-o-fascismo-e-as-corporacoes\/","title":{"rendered":"A CRISE, O FASCISMO E AS CORPORA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p><EM>Eliezer Pacheco*<\/EM><BR><BR>\u00c9 un\u00e2nime a concord\u00e2ncia sobre o car\u00e1ter estrutural da crise do capitalismo na etapa da financeiriza\u00e7\u00e3o. A fal\u00eancia do discurso neoliberal pela sua incapacidade de enfrent\u00e1-la deixou os setores dominantes sem uma perspectiva nos marcos da democracia liberal. Da\u00ed o preocupante crescimento do neofascismo em toda a Europa e nos EUA, com o Tea Party. De outro lado, a esquerda encontra-se confusa desde a crise de seus principais paradigmas pol\u00edticos, passando o movimento social por s\u00e9ria crise de identidade. A aus\u00eancia de projetos coletivos cede lugar aos projetos pessoais e, no limite, aos projetos de corpora\u00e7\u00f5es espec\u00edficas descolados de qualquer projeto nacional, o que os incapacita a perceber o car\u00e1ter e a amea\u00e7a da atual crise. Esta tem levado a fal\u00eancia dos estados nacionais e a elimina\u00e7\u00e3o de todas as conquistas do Estado de bem estar social, pois, na hora de pagar a conta, a fatura sempre recai sobre os trabalhadores. Para isto, faz-se necess\u00e1rio o atropelo at\u00e9 de prerrogativas do Estado Democr\u00e1tico de Direito, como o ocorrido nos EUA ap\u00f3s o 11 de setembro.<BR>A outra sa\u00edda historicamente utilizada pelo grande capital \u00e9 a guerra, tanto pelo incentivo a ind\u00fastria b\u00e9lica, como pela distra\u00e7\u00e3o ocasionada, coesionando a popula\u00e7\u00e3o em \u201cdefesa da p\u00e1tria\u201d. Neste aspecto, vemos claros sinais de um novo colonialismo na tentativa de dominar os grandes produtores de petr\u00f3leo e suas rotas. Hoje \u00e9 o mundo \u00e1rabe e seus problem\u00e1ticos governos, amanh\u00e3 poder\u00e1 ser o Brasil do pr\u00e9-sal. Todas estas \u201csa\u00eddas\u201d apontam em dire\u00e7\u00e3o ao populismo de direita e ao neofascismo. Enfim, o quadro pol\u00edtico e econ\u00f4mico internacional \u00e9 extremamente preocupante, sendo hoje a mais s\u00e9ria amea\u00e7a sobre a vigorosa caminhada do Brasil rumo ao desenvolvimento e \u00e0 inclus\u00e3o social,bem como os direitos dos trabalhadores.<BR><BR>&nbsp;Atolados no corporativismo, nossos sindicatos vinculados ao funcionalismo p\u00fablico, n\u00e3o conseguem ler a conjuntura e ver a rela\u00e7\u00e3o entre a crise mundial e seus direitos. A grande amea\u00e7a aos mesmos n\u00e3o vem deste governo, que recuperou e ampliou as pol\u00edticas p\u00fablicas, mas sim de grave crise econ\u00f4mica e do crescimento da direita. Voltados para si pr\u00f3prio, n\u00e3o conseguem ter uma postura propositiva, sendo sempre contra as pol\u00edticas p\u00fablicas propostas por governos progressistas, o que os leva a uma posi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria, aproximando-os das posi\u00e7\u00f5es direitistas e dos defensores do estado m\u00ednimo, hist\u00f3ricos advers\u00e1rios do funcionalismo. \u00c9 sintom\u00e1tico o fato de o CPERS Sindicato do RS, colocar-se contra uma reforma de previd\u00eancia que busca viabiliz\u00e1-la atrav\u00e9s dos setores do funcionalismo detentores de altos sal\u00e1rios, n\u00e3o atingindo nenhum professor de sala de aula. Para isto, presta-se a massa de manobras e se alia a for\u00e7as pol\u00edticas historicamente hostis aos trabalhadores e antigos arautos do neoliberalismo. Na greve dos Institutos Federais, vimos setores do SINASEFE (PSTU) alimentando o Estad\u00e3o e a Globo de \u201cinforma\u00e7\u00f5es\u201d que desqualificam a Rede Federal e sua expans\u00e3o, al\u00e9m de profissionais que ingressam na Rede gra\u00e7as a expans\u00e3o posicionando-se contra a mesma. Na verdade, observa-se hoje uma poderosa ofensiva contra a expans\u00e3o do ensino p\u00fablico, articulada pela direita, atrav\u00e9s da grande imprensa, e operada pelos grupos de extrema esquerda. Exigir que, num pa\u00eds em apenas 3% de sua popula\u00e7\u00e3o chega ao ensino superior, um campus s\u00f3 fosse funcionar com todas as condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 atitude elitista de quem n\u00e3o quer incluir milh\u00f5es de jovens no sistema p\u00fablico. S\u00e3o os mesmos que j\u00e1 foram contra o PROUNI, o REUNI, O ENEM e os Institutos Federais. A ret\u00f3rica destes grupos \u00e9 \u201cesquerdista\u201d mas a pr\u00e1tica \u00e9 reacion\u00e1ria, inclusive em seu udenismo redivivo que desqualifica a pol\u00edtica e aos pol\u00edticos, criando um caldo de cultura anti-democr\u00e1tico. Em tr\u00eas momentos de nossa hist\u00f3ria em que este tipo de campanha tomou vulto tivemos o suic\u00eddio de Vargas e as elei\u00e7\u00f5es de J\u00e2nio e Collor.&nbsp; A banaliza\u00e7\u00e3o da greve, n\u00e3o mais como \u00faltimo e principal instrumento de luta dos trabalhadores, mas como o primeiro, na verdade fragiliza a institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica e fortalece o discurso privatista. Isto tudo, com os sal\u00e1rios continuando a serem pagos rigorosamente em dia. A direita brasileira, derrotada pol\u00edtica e ideologicamente, v\u00ea na extrema esquerda o instrumento para desgastar e fragilizar o governo.<BR>&nbsp;Pela falta de perspectiva hist\u00f3rica, ao colocar interesses corporativos acima de um projeto democr\u00e1tico, servem de escada para aqueles que desejam aniquilar direitos conquistados ao longo de muitas lutas. A direita, mais uma vez, agradece. Incapazes de olhar para o futuro, comprometem o passado e o presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eliezer Pacheco*\u00c9 un\u00e2nime a concord\u00e2ncia sobre o car\u00e1ter estrutural da crise do capitalismo na etapa da financeiriza\u00e7\u00e3o. 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