﻿{"id":25223,"date":"2010-09-15T00:00:00","date_gmt":"2010-09-15T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/a-retomada-da-politica-ferroviaria-brasileira\/"},"modified":"2010-09-15T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-15T03:00:00","slug":"a-retomada-da-politica-ferroviaria-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/a-retomada-da-politica-ferroviaria-brasileira\/","title":{"rendered":"A retomada da pol\u00edtica ferrovi\u00e1ria brasileira"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;Era o p&oacute;s-guerra (1939-1945), &eacute;poca em que as primeiras montadoras transnacionais de autom&oacute;veis chegavam por aqui, &aacute;vidas de novos mercados e bastante incentivadas como indutoras de um novo modelo de desenvolvimento econ&ocirc;mico.  A princ&iacute;pio com Get&uacute;lio Vargas em seu segundo governo (1951-1954), e depois aprofundado com o desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), o novo direcionamento da log&iacute;stica de transportes nacional baseou-se desde ent&atilde;o no sistema sobre rodas como estrat&eacute;gia de integra&ccedil;&atilde;o de todo o territ&oacute;rio brasileiro. Essa estrat&eacute;gia traduziu o in&iacute;cio de uma pol&iacute;tica de recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica correta no ocidente.<\/p>\n<p>&nbsp;Por&eacute;m, na medida em que se assentava e progredia, simultaneamente se revelava predadora e excludente, vez que os estrategistas do novo modelo movimentavam-se com a&ccedil;&otilde;es destinadas a inibir e encarecer a infraestrutura ferrovi&aacute;ria predominantemente estatal.  Nos espa&ccedil;os urbanos a nova elite industrial interferiu nos planejamentos municipais notabilizando-se por desmantelar calculadamente os sistemas de bondes urbanos de S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, culminando com o sucateamento da ind&uacute;stria de vag&otilde;es e locomotivas e a privatiza&ccedil;&atilde;o de seus setores estatais. No ambiente rural, a manobra pol&iacute;tica e o marketing industrial ressuscitaram o lema do presidente Washington Lu&iacute;s (1926-1930), qual seja, &ldquo;governar &eacute; abrir estradas&rdquo; &ndash; apelo que viria a se instalar definitivamente como estrat&eacute;gia desenvolvimentista e de integra&ccedil;&atilde;o nacional nos sucessivos governos da &uacute;ltima ditadura militar (1964-1985).   Esse breve hist&oacute;rico &eacute; para justificar a raz&atilde;o de o Brasil ter reduzido de 35 mil para 29,7 mil quil&ocirc;metros a sua malha ferrovi&aacute;ria entre 1945 e 2000, conforme anota Juciara Rodrigues em seu estudo 500 Anos de Tr&acirc;nsito no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;&Eacute; para entender o porqu&ecirc; pela qual, simultaneamente a este mesmo espa&ccedil;o de tempo, a malha rodovi&aacute;ria brasileira saltou magnificamente de 38 mil para 1,6 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros de extens&atilde;o. Em fun&ccedil;&atilde;o desta invers&atilde;o o Brasil de hoje transporta por rodovias 96% de seus passageiros e 62% de suas cargas,  enquanto a matriz ferrovi&aacute;ria transporta 1,5% e 20% na mesma sequ&ecirc;ncia.  A t&iacute;tulo de compara&ccedil;&atilde;o, o Jap&atilde;o tem praticamente a mesma quilometragem ferrovi&aacute;ria do Brasil, mesmo sendo 23 vezes menor em territ&oacute;rio e possuir topografia montanhosa em 71% de sua &aacute;rea (o Brasil possui apenas 3% de territ&oacute;rio montanhoso). Os EUA, pouco maiores que o Brasil, possuem 14 vezes mais quilometragem ferrovi&aacute;ria. Em ambos os casos os sistemas ferrovi&aacute;rios acompanham, em desenvolvimento constante, suas matrizes rodovi&aacute;rias.<\/p>\n<p>&nbsp;Nesse contexto, alenta-nos o avan&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o da Ferrovia Norte-Sul, cujo tra&ccedil;ado longitudinal de 3.100 km entre Panorama (SP) e Bel&eacute;m (PA) permitir&aacute; o encontro de outros sistemas, como a Ferrovia da Integra&ccedil;&atilde;o Bahia-Oeste, prevista a ligar Ilh&eacute;us-BA e Figueir&oacute;polis-TO como ramal da Norte-Sul (1.490 km) e a Ferrovia Transcontinental, que ligar&aacute; o norte do Rio de Janeiro a Boqueir&atilde;o da Esperan&ccedil;a-AM, na fronteira com o Peru &ndash; um percurso de 4.400 km.  Iniciada em 1987 no governo Sarney, a Ferrovia Norte-Sul progrediu lentamente nos governos seguintes de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, conclu&iacute;do em 1996 apenas o trecho entre A&ccedil;ail&acirc;ndia (MA) e Porto Franco (MA). Ou seja, em nove anos, sob a gest&atilde;o de quatro presidentes da Rep&uacute;blica, essa ferrovia estrat&eacute;gica alcan&ccedil;ou apenas 215 quil&ocirc;metros.  Sob as duas gest&otilde;es de Lula, mais de 500 quil&ocirc;metros foram conclu&iacute;dos at&eacute; agora, e os 1.359 quil&ocirc;metros entre Aguiarn&oacute;polis (TO) e An&aacute;polis (GO) dever&atilde;o ser totalizados ainda este ano, 516 quil&ocirc;metros dos quais em Goi&aacute;s. Os 50 quil&ocirc;metros de trilhos percorridos por autoridades federais e estaduais nesta semana entre An&aacute;polis (GO) e Petrolina (GO) s&atilde;o apenas uma rever&ecirc;ncia a isso que denominamos de invers&atilde;o de prioridades rumo a uma plataforma desenvolvimentista que permita recuperar a importante pol&iacute;tica abandonada l&aacute; atr&aacute;s na hist&oacute;ria do Brasil. Uma conquista, sem d&uacute;vidas!  O Jornal Di&aacute;rio da Manh&atilde; publicou  dia 14\/09<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Era o p&oacute;s-guerra (1939-1945), &eacute;poca em que as primeiras montadoras transnacionais de autom&oacute;veis chegavam por aqui, &aacute;vidas de novos mercados e bastante incentivadas como indutoras [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[59],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25223\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}