﻿{"id":25204,"date":"2000-05-28T00:00:00","date_gmt":"2000-05-28T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/a-esquerda-como-alternativa-politica\/"},"modified":"2000-05-28T00:00:00","modified_gmt":"2000-05-28T03:00:00","slug":"a-esquerda-como-alternativa-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/a-esquerda-como-alternativa-politica\/","title":{"rendered":"A esquerda como alternativa pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;A humanidade chega ao final do segundo mil&ecirc;nio da Era Crist&atilde;o marcada por incertezas, paradoxos e contrastes. Mais do que nunca, as energias an&iacute;micas das possibilidades luminosas para alguns e da degrada&ccedil;&atilde;o e do desespero para muitos, convivem em polaridades inconcili&aacute;veis nas v&aacute;rias faces dos assuntos humanos. A equa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parece mais ser &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o ou barb&aacute;rie&quot;. Civiliza&ccedil;&atilde;o e barb&aacute;rie est&atilde;o destinadas, n&atilde;o a se excluir, mas a conviver num mundo fragmentado em todos os sentidos. De um lado, est&atilde;o os detentores de direitos, cidadania, seguran&ccedil;a, bem-estar, riqueza, os desfrutadores da t&eacute;cnica, do saber, dos bens de consumo globalizados, etc.<\/p>\n<p>De outro, est&atilde;o os deserdados do bem-estar, os que ficam &agrave; margem da estrada do progresso, os sem-direitos, os sem-cidadania, os sem-emprego, os sem-capacidade de consumo, os sem-conhecimento, etc. Em suma, todos aqueles seres humanos que vivem os horrores da mis&eacute;ria, da forme, da exclus&atilde;o, da viol&ecirc;ncia, da falta de oportunidades e da aus&ecirc;ncia de esperan&ccedil;a.   A esquerda chega ao t&eacute;rmino do s&eacute;culo 20 acumulando derrotas em v&aacute;rias frentes. Na frente te&oacute;rica, por conta da inconsist&ecirc;ncia de predica&ccedil;&otilde;es, dogmas e utopias de seus principais representantes intelectuais. Na frente pol&iacute;tica, pelo fracasso dos Estados socialista-comunistas, em viabilizarem formas sociais mas avan&ccedil;adas do que aquelas que se constitu&iacute;ram no capitalismo europeu-americano-japon&ecirc;s. Na frente ideol&oacute;gica-moral, pelo fato de muitos<\/p>\n<p>Estados e partidos de esquerda terem usado m&eacute;todos autorit&aacute;rios e totalit&aacute;rios inviabilizando um projeto de socialismo democr&aacute;tico. N&atilde;o raras vezes, os m&eacute;todos dos Estados comunistas produziram milh&otilde;es de mortes, pris&otilde;es, desterros e banimentos. Ap&oacute;s esses fracassos e derrotas e da grande ofensiva liberal, que consagra o capitalismo como o sistema mais desenvolvido e civilizado da humanidade, a esquerda vive uma fase de reconstru&ccedil;&atilde;o na tentativa de constituir-se como uma alternativa democr&aacute;tica e reformadora. A imensa tarefa de reconstru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil e demandar&aacute; d&eacute;cadas. Somente os partidos e lideran&ccedil;as que souberem ter paci&ecirc;ncia e denodo poder&atilde;o estar destinados a escrever novas p&aacute;ginas de gl&oacute;rias para a esquerda pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>&Egrave; preciso reconhecer que em ambos os sistemas que se confrontam no s&eacute;culo 20, capitalismo e comunismo, nem tudo foi civilizado e nem tudo foi barb&aacute;rie. No mundo n&atilde;o desenvolvido, por&eacute;m, o capitalismo deixou um legado de exclus&atilde;o, de explora&ccedil;&atilde;o e de indignidades. A esquerda precisa encontrar outra alternativa, que se diferencie tanto do capitalismo como do comunismo autorit&aacute;rio. Alternativa democr&aacute;tica, human&iacute;stica, libertaria e pac&iacute;fica que rompa definitivamente com a &quot;segunda onda&quot;, o industrialismo, e que desenvolva um projeto visando a &quot;terceira onda&quot;, da Revolu&ccedil;&atilde;o do Conhecimento, que a partir dos anos 80 imp&ocirc;s uma s&eacute;ria de transforma&ccedil;&otilde;es tecno-cient&iacute;ficas, na economia, nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, nas comunica&ccedil;&otilde;es, na gen&eacute;tica, na medicina, etc, mas que, lamentavelmente, n&atilde;o conseguiu profundas transforma&ccedil;&otilde;es na pol&iacute;tica e no aparelho do estado, que continua preso ao clientelismo, ao fisiologismo e aos dogmas da Rep&uacute;blica Velha.<\/p>\n<p>A esquerda jamais ser&aacute; democr&aacute;tica, e tamb&eacute;m n&atilde;o ser&aacute; verdadeiramente igualit&aacute;ria, se n&atilde;o partir do pressuposto de que o ideal da liberdade deve se constituir no valor supremo de qualquer sistema pol&iacute;tico. Isto posto, a esquerda deve reconhecer o car&aacute;ter conflitivo da natureza humana, o pluralismo de desejos, interesses, ideais, valores, etc, e a conseq&uuml;&ecirc;ncia express&atilde;o plural da vida pol&iacute;tica das sociedades. A op&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da esquerda implica que se adote as media&ccedil;&otilde;es institucionais como forma essencial de equacionamento dos conflitos sociais humanos.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista a paz deve ser um valor irrenunci&aacute;vel da esquerda para que a humanidade siga a seta do desenvolvimento civilizat&aacute;rio. A busca da igualdade e a solidariedade s&atilde;o os valores que diferenciam a esquerda dos outros agrupamentos pol&iacute;ticos-ideol&oacute;gicos. S&atilde;o estes valores, situados no horizonte almej&aacute;vel, que alimentam as nossas lutas pol&iacute;ticas e sociais cotidianas.   Luis Cesar Bueno &eacute; vereador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;A humanidade chega ao final do segundo mil&ecirc;nio da Era Crist&atilde;o marcada por incertezas, paradoxos e contrastes. 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