﻿{"id":24143,"date":"2008-06-23T00:00:00","date_gmt":"2008-06-23T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/trafico-internacional-de-seres-humanos\/"},"modified":"2008-06-23T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-23T03:00:00","slug":"trafico-internacional-de-seres-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/trafico-internacional-de-seres-humanos\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1fico internacional de seres humanos"},"content":{"rendered":"<p>O jornal Di&aacute;rio da Manha publicou neste domingo dia 22, artigo do deputado Luis Cesar Bueno denominado &quot;De volta pra casa&quot; &#8211; &quot;Antes de vos pertencer, perten&ccedil;o ao meu pa&iacute;s&quot;. No texto o deputado aborda os problemas vividos por milhares de familias de Goi&aacute;s e do Brasil, v&iacute;timas do tr&aacute;fico internacional de seres humanos. Luis Cesar Bueno pontua v&aacute;rias consequ&ecirc;ncias e conclui o artigo fazendo uma abordagem real da situa&ccedil;&atilde;o dos emigrantes brasileiros propondo a constitui&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o de trabalho na Assembl&eacute;ia Legislativa.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>DE VOLTA PRA CASA<\/p>\n<p><\/strong><em>&ldquo;Antes de vos pertencer, perten&ccedil;o ao meu pa&iacute;s.&rdquo; <\/em>(<strong>Pierre Corneille<\/strong>)<\/p>\n<p>No ano passado, a comiss&atilde;o mista do Congresso Nacional que investiga o tr&aacute;fico internacional de seres humanos constatou que Goi&aacute;s junto com Minas Gerais lidera a lista dos estados com emigrantes clandestinos no exterior. A comiss&atilde;o parlamentar comprovou a presen&ccedil;a de goianos nas celas frias dos pres&iacute;dios da Europa e dos Estados Unidos, em processo de extradi&ccedil;&atilde;o. E tamb&eacute;m milhares de jovens e adultos trabalhando em condi&ccedil;&otilde;es humilhantes, submetidos a todo o tipo de preconceito, at&eacute; mesmo em regime de escravid&atilde;o, fatos diversas vezes notificados pela imprensa europ&eacute;ia.<\/p>\n<p>Segundo a ONU, o tr&aacute;fico de seres humanos &eacute; a terceira atividade ilegal mais rent&aacute;vel do mundo, seguida pelo tr&aacute;fico de armamentos e de drogas. Anualmente quase dois mil brasileiros, sendo centenas do nosso estado entre homens, mulheres e crian&ccedil;as, s&atilde;o recrutados com promessas enganosas, que garantem emprego, bom sal&aacute;rio e vida de primeiro mundo, mas escondem as verdadeiras finalidades: explora&ccedil;&atilde;o sexual, venda de &oacute;rg&atilde;os, escravid&atilde;o ou ado&ccedil;&otilde;es ilegais por interm&eacute;dio de redes internacionais.<\/p>\n<p>A maioria das v&iacute;timas (92% dos casos) s&atilde;o mulheres solteiras com idade entre 18 e 30 anos e de baixa escolaridade, mas n&atilde;o s&atilde;o raras as meninas menores de 18 anos, que saem principalmente das cidades goianas com maiores &iacute;ndices de pobreza, rumo a pa&iacute;ses como It&aacute;lia, Espanha, Portugal, Paraguai, Suriname, Venezuela e Rep&uacute;blica Dominicana. Elas saem de Goi&aacute;s, devidamente documentadas, com passagens a&eacute;reas pagas pelo &ldquo;empregador&rdquo;, para trabalhar como dan&ccedil;arinas, baby-sitters, camareiras; algumas v&atilde;o mesmo com intuito de prostitui&ccedil;&atilde;o, mas na maioria das vezes, n&atilde;o atuaram como profissionais do sexo no Brasil e nem imaginam a escravid&atilde;o sexual &agrave; que ser&atilde;o submetidas. Por diversas vezes fomos procurados por prefeitos, vereadores e familiares para conseguir o retorno dessas pessoas para casa. At&eacute; mesmo para realizar o traslado do cad&aacute;ver v&iacute;tima de assassinato ou suic&iacute;dio.<\/p>\n<p>Dados da ONU e da CPI do Congresso documentam que as mulheres brasileiras chegam ao destino devendo ao &ldquo;empregador&rdquo; as passagens, a hospedagem, a alimenta&ccedil;&atilde;o e o vestu&aacute;rio, al&eacute;m de ficarem, quase sempre sem documentos pessoais, que s&atilde;o confiscados pelo traficante para impedir uma poss&iacute;vel fuga. Sem falar a l&iacute;ngua do lugar e sem dinheiro, s&atilde;o mantidas em um contexto hostil, semi-encarceradas. Em muitos casos, s&atilde;o obrigadas a usarem &aacute;lcool e drogas e a fazerem in&uacute;meros programas sexuais por noite, sob vigia, proibidas de freq&uuml;entar lugares onde existam brasileiros, sob pena de multa e expostas &agrave;s diversas formas de viol&ecirc;ncia e pervers&atilde;o, correndo risco, inclusive, de serem mortas para &ldquo;queima de arquivo&rdquo;. <\/p>\n<p>Al&eacute;m do drama em que vivem estas mulheres, alijadas de quaisquer direito em pa&iacute;s desconhecido, h&aacute; o drama de seus familiares. Mais de 70% deixam filhos e filhas com parentes, vizinhos, amigos ou mesmo s&oacute;s. Partem para o exterior em busca de superar a exclus&atilde;o social e econ&ocirc;mica, pensando que assim, lhes garantir&atilde;o a alimenta&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o, a moradia e a sa&uacute;de. O aliciamento &eacute; feito, na maior parte das vezes, por homens, mas h&aacute; um expressivo n&uacute;mero de mulheres envolvidas neste crime. <\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pela Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), identificou Goi&aacute;s como um dos principais locais de origem das v&iacute;timas do tr&aacute;fico internacional de seres humanos para fins de explora&ccedil;&atilde;o sexual, devido o bi&oacute;tipo da mulher goiana ser agrad&aacute;vel &agrave; clientela dos servi&ccedil;os sexuais no exterior. <\/p>\n<p>Prevenir, combater e punir o crime de tr&aacute;fico humano deve ser prioridade de qualquer governo comprometido com os direitos da popula&ccedil;&atilde;o. Acima de tudo, o ser humano &eacute; sujeito de direito, nunca um objeto, jamais pode ser considerado mercadoria de consumo. A Uni&atilde;o de Congrega&ccedil;&otilde;es Religiosas Femininas da Igreja Cat&oacute;lica registrou o depoimento de um aliciador afirmando que &quot;a mulher d&aacute; mais lucro que a droga ou o armamento&rdquo;. Estes a gente s&oacute; pode vender uma vez, enquanto que a mulher a gente revende at&eacute; ela morrer de AIDS, ficar louca ou se matar&#8230;&quot;. <\/p>\n<p>Diante do poderio do mercado que garante a clientela consumidora da prostitui&ccedil;&atilde;o sexual, quase sempre a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos e da sexualidade das pessoas ocorre de maneira velada. Nem as pessoas exploradas se percebam subjugadas, nem os aliciadores e clientes se reconhe&ccedil;am como exploradores, agressores ou dominadores. Preconceitos e valores deturpados ao longo da vida, moldam suas personalidades ao ponto de&nbsp; considerar esta situa&ccedil;&atilde;o como sendo natural. Isto tamb&eacute;m se revela na sociedade em geral, tendo a sensualidade da mulher brasileira, o motivo da prostitui&ccedil;&atilde;o e de seu consumo.<\/p>\n<p>O Itamaraty reconhece que s&oacute; na Espanha, vivem cerca de 20 mil brasileiras, sendo 10 mil delas, na cidade de Bilbao. Apesar de o presidente Lula ter assinado o Protocolo de Palermo &ndash; Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional, no Brasil, h&aacute; grandes dificuldades para realiza&ccedil;&atilde;o de flagrantes, para a coleta de provas, localiza&ccedil;&atilde;o e puni&ccedil;&atilde;o dos mentores intelectuais e financeiros deste crime.<\/p>\n<p>Dados revelam que apenas 30% dos casos chegam ao conhecimento das autoridades devido investiga&ccedil;&atilde;o policial ou pris&atilde;o em flagrante do r&eacute;u. O restante dos casos se revela por den&uacute;ncias an&ocirc;nimas ou depoimentos de parentes, amigos ou da pr&oacute;pria v&iacute;tima. <\/p>\n<p>Enfrentar o tr&aacute;fico de seres humanos exige compreens&atilde;o sobre a complexidade da causa e o comprometimento, n&atilde;o somente das autoridades governamentais, como tamb&eacute;m da sociedade civil. O modelo socioecon&ocirc;mico de desenvolvimento global prega o lucro acima de tudo, exacerbando a explora&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra da classe trabalhadora, que n&atilde;o possui condi&ccedil;&otilde;es de investimento, apenas pode oferecer a for&ccedil;a de trabalho. Valores consumistas, precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, desemprego e falta de qualidade m&iacute;nima nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos essenciais, fragilizam as rela&ccedil;&otilde;es familiares, vulnerabilizam a identidade pessoal e somam-se ao sonho de uma vida melhor, de um futuro mais decente, estimulando a busca, no exterior, do &ldquo;eldorado&rdquo;, e facilitando o trabalho de aliciadores.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>As autoridades de Goi&aacute;s n&atilde;o podem conviver com esta realidade de forma ap&aacute;tica. Os governos do estado e dos munic&iacute;pios precisam desenvolver campanhas de educativas e de esclarecimento, programas de gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda, aproveitando os recursos disponibilizados pelo governo federal atrav&eacute;s do FAT e do BNDS. O governo precisa agir e a sociedade n&atilde;o pode ficar surda e muda como ocorre atualmente. <\/p>\n<p>O tr&aacute;fico de pessoas &eacute; um fen&ocirc;meno multifacetado, que n&atilde;o deve ser combatido apenas no &acirc;mbito da justi&ccedil;a e do combate ao crime organizado. &Eacute; necess&aacute;rio um desenvolvimento social e econ&ocirc;mico que traduzam o compromisso das autoridades governamentais em leis e em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas cont&iacute;nuas, que determinem prazos e metas principalmente para a educa&ccedil;&atilde;o, a profissionaliza&ccedil;&atilde;o, o trabalho e o emprego.&nbsp;<\/p>\n<p>Como integrante do parlamento goiano, propomos a constitui&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o de trabalho para desenvolver um amplo debate nos munic&iacute;pios. O objetivo &eacute; coibir este tipo de crime e encontrar meios de trazer nossos emigrantes de volta pra casa. &ldquo;N&atilde;o existe maior tristeza no mundo que a perda da terra natal&rdquo; (Eur&iacute;pides &#8211; 431 a.C). O Brasil desenvolve atualmente uma importante etapa de desenvolvimento econ&ocirc;mico com inclus&atilde;o social. Nossos jovens precisam acreditar no pa&iacute;s e construir um futuro de paz, prosperidade e justi&ccedil;a social.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LUIS CESAR BUENO<\/strong>, <em>&eacute; professor, deputado estadual, presidente da Comiss&atilde;o de Organiza&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios, membro do Diret&oacute;rio Nacional do PT e vice-presidente do Diret&oacute;rio Regional.<\/p>\n<p>***<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal Di&aacute;rio da Manha publicou neste domingo dia 22, artigo do deputado Luis Cesar Bueno denominado &quot;De volta pra casa&quot; &#8211; &quot;Antes de vos [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[57],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24143"}],"collection":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}