﻿{"id":23792,"date":"2007-01-02T00:00:00","date_gmt":"2007-01-02T02:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/luis-cesar-bueno-concedeu-entrevista-a-jornalistas-do-jornal-opcao\/"},"modified":"2007-01-02T00:00:00","modified_gmt":"2007-01-02T02:00:00","slug":"luis-cesar-bueno-concedeu-entrevista-a-jornalistas-do-jornal-opcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/luis-cesar-bueno-concedeu-entrevista-a-jornalistas-do-jornal-opcao\/","title":{"rendered":"Luis Cesar Bueno concedeu entrevista a jornalistas do Jornal Op\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O deputado Luis Cesar Bueno concedeu entrevista aos jornalistas Euler Bel\u00e9m, Afonso Lopes e Jos\u00e9  Maria do Jornal Op\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o que circulou no dia 31\/12\/2006, \u00f9ltimo dia do ano, ocasi\u00e3o em que analizou a conjutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica do estado, as perpectivas para o novo mandato do presidente Lula e a disputa pela presid\u00eancia da Assembl\u00e9ia Legislativa.   <b>Veja a mat\u00e9ria na \u00edntegra: <\/b>  <b>LUIS CESAR BUENO<\/b> <b> \u201cA Assembl\u00e9ia Legislativa n\u00e3o tem autonomia\u201d <\/b>  A Assembl\u00e9ia Legislativa n\u00e3o pode continuar sendo servil ao Executivo. Quem defende essa tese \u00e9 o deputado estadual Luis Cesar Bueno, do PT. Para ele, a Assembl\u00e9ia se comporta como um \u00f3rg\u00e3o de segundo escal\u00e3o do governo. \u201cN\u00e3o chega nem a ser uma secretaria\u201d, ironiza. O deputado defende mudan\u00e7as no regimento interno da Casa e cobra uma revis\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o do Estado. Luiz Cesar Bueno diz que o governo do Estado se apropria de obras do governo federal, por isso ap\u00f3ia a frente de defesa do governo Lula em Goi\u00e1s, articulada pelo PT e PMDB.  <b> \u201cLula vai exigir m\u00e3o dupla: apoio vai, apoio vem\u201d <\/b>  <i>Deputado estadual do PT prega a autonomia da Assembl\u00e9ia Legislativa e diz que o presidente Lula vai cobrar a defesa de suas obras no Estado <\/i>  O primeiro governo Lula ficou marcado pela falta de obras de infra-estrutura e o excesso de super\u00e1vit prim\u00e1rio. Pelo menos foi essa a interpreta\u00e7\u00e3o corrente em boa parte da imprensa brasileira. Para o deputado estadual Luis Cesar Bueno, do PT, essa \u00e9 uma vis\u00e3o \u201ccompletamente equivocada\u201d. Segundo ele, o governo Lula tem muitas obras e programas sendo realizados em todo o pa\u00eds. \u201cEm Goi\u00e1s, Lula tem feito muita coisa.Mas sua base de sustenta\u00e7\u00e3o no Estado n\u00e3o conseguiu capitalizar as obras do nosso governo\u201d, explica. De acordo com o deputado, tanto o governo estadual quanto prefeitos do PSDB e PFL, mesmo fazendo oposi\u00e7\u00e3o ao governo petista, conseguiram capitalizar politicamente muitas obras do governo Lula, como a constru\u00e7\u00e3o de casas populares e a eletrifica\u00e7\u00e3o rural. Em visita ao Jornal Op\u00e7\u00e3o, na manh\u00e3 de quarta-feira, 27 de dezembro, Luis Cesar Bueno observou que um apoio do governo Lula ao governo Alcides Rodrigues vai exigir uma contrapartida. \u201cPessoas da base aliada do governo estadual que atacavam Lula raivosamente est\u00e3o dizendo, agora, que o PP faz parte da base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Lula, por isso o presidente tem de ser parceiro administrativo do governo do Estado. N\u00e3o \u00e9 bem assim\u201d, reclama. O deputado cobra uma revis\u00e3o completa na ocupa\u00e7\u00e3o dos cargos federais no Estado e afirma que o PT dar\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao prefeito Iris Rezende, devido \u00e0 alian\u00e7a nacional entre PT e PMDB. \u201cEssa \u00e9 uma decis\u00e3o partid\u00e1ria\u201d, enfatiza. O deputado Luis Cesar Bueno critica a anistia fiscal proposta pelo governo do Estado, prega a autonomia da Assembl\u00e9ia Legislativa e defende a elabora\u00e7\u00e3o de um plano diretor \u00fanico para as regi\u00f5es do Aglomerado Urbano de Goi\u00e2nia e Entorno de Bras\u00edlia.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Qual a raz\u00e3o de suas cr\u00edticas \u00e0 anistia fiscal proposta pelo governo de Goi\u00e1s? <\/b>  A anistia fiscal propicia, no in\u00edcio, uma arrecada\u00e7\u00e3o significativa, mas, com o tempo, se for concedida seq\u00fcencialmente, ela beneficia o mal pagador e penaliza o contribuinte adimplente. No in\u00edcio de cada novo governo, tem sido concedida uma anistia fiscal ampla, reduzindo as multas e at\u00e9 perdoando integralmente as multas e juros. Isso funcionou nas gest\u00f5es municipais e funcionou no primeiro governo do PSDB em Goi\u00e1s, marcado por concess\u00f5es fiscais mais criteriosas. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, na medida em que o governo aumentou demasiadamente suas despesas sem ampliar as receitas, a anistia fiscal tem sido uma constante. E seus efeitos est\u00e3o sendo sentidos agora, com a queda na arrecada\u00e7\u00e3o. Se o governo n\u00e3o conseguir fazer um ajuste fiscal, que os governos tucanos tamb\u00e9m chamam de choque de gest\u00e3o, o governo Alcides passar\u00e1 por maus momentos na \u00e1rea financeira.   <b>Afonso Lopes \u2014 O \u00faltimo programa de refinanciamento da d\u00edvida de impostos n\u00e3o teve como objetivo atender \u00e0 Lei de Responsabilidade Fiscal? <\/b>  O que aconteceu \u00e9 que o governo n\u00e3o est\u00e1 conseguindo saldar seus compromissos. At\u00e9 a sexta-feira anterior ao Natal, oito \u00f3rg\u00e3os ainda n\u00e3o tinham recebido o pagamento. O governo est\u00e1 antecipando a arrecada\u00e7\u00e3o de fevereiro para quitar a folha de novembro. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o paliativa, que resolve o problema do fluxo de caixa no momento, mas cria problemas no futuro. O governo Alcides est\u00e1 pagando muito caro pelas antecipa\u00e7\u00f5es de receita que foram realizadas no final do governo Marconi. A Lei de Responsabilidade Fiscal diz que o governante tem de quitar todas as despesas empenhadas durante o exerc\u00edcio. Caso elas passem para o ano seguinte, ele tem de deixar as receitas necess\u00e1rias para quit\u00e1-las. Estamos percebendo que o governo n\u00e3o tem receitas para cobrir essas despesas. Sua equipe econ\u00f4mica est\u00e1 fazendo um malabarismo muito grande para cobrir as despesas do exerc\u00edcio em vigor, quitando a folha de novembro. Mas o servidor n\u00e3o sabe quando receber\u00e1 dezembro. Por isso, insisto: o governo Alcides tem que adotar o rem\u00e9dio amargo do corte de despesas, para conseguir ajustar as finan\u00e7as do Estado. Precisa reduzir pessoal e aumentar tributos, como foi feito no caso do aumento do ICMS da energia el\u00e9trica, que passou de 25 para 29 por cento. Agora, est\u00e1 aumentando o imposto do \u00e1lcool e da gasolina. Inclusive, votei contra esses aumentos.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 A energia el\u00e9trica n\u00e3o podia ser um pouco mais barata? <\/b>   Goi\u00e1s tem a maior al\u00edquota de ICMS de energia el\u00e9trica do Brasil. Em Minas Gerais, ela \u00e9 12 por cento. Em S\u00e3o Paulo, 11 por cento. Em Goi\u00e1s, \u00e9 29 por cento. \u00c9 um imposto f\u00e1cil de cobrar, mas com um efeito danoso para a sociedade.   <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 Se ele for muito baixo n\u00e3o pode estimular o gasto excessivo de energia? <\/b>   Com o apag\u00e3o e o aumento consider\u00e1vel do quilowatt, o povo brasileiro aprendeu a economizar energia de uma forma significativa. A tecnologia tamb\u00e9m contribuiu para isso. As l\u00e2mpadas atuais s\u00e3o mais econ\u00f4micas. Todas as camadas da sociedade reduziram significativamente o consumo de energia.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O governo Alcides alega que um dos motivos da queda da arrecada\u00e7\u00e3o foi a crise do agroneg\u00f3cio. E alguns setores responsabilizam o governo Lula por essa crise. <\/b>  A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o caiu. Pelo contr\u00e1rio, teve um crescimento significativo. O que houve foi uma aposta dos expoentes do agroneg\u00f3cio na instabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds e no d\u00f3lar alto. Eles esperavam um d\u00f3lar na faixa de 3,50 reais. Como o d\u00f3lar caiu e os contratos foram feitos em d\u00f3lar, o produtor acabou perdendo. Mas o governo Lula adotou as medidas necess\u00e1rias para amenizar a crise, em que pese isso ter sido muito pouco divulgado. Para os produtores que possu\u00edam d\u00edvidas com empresas privadas, o governo instituiu o FAT rural, com juros de 3 por cento ao ano. No caso dos d\u00e9bitos com o Banco do Brasil, o governo prorrogou o prazo de pagamento por mais 12 meses. Em v\u00e1rios casos, refinanciou novamente a d\u00edvida. Ali\u00e1s, muitas dessas d\u00edvidas j\u00e1 vinham sendo roladas desde a \u00e9poca do governo Collor. Mas n\u00e3o vamos conseguir resolver o problema do agroneg\u00f3cio sem reduzir o custeio agr\u00edcola. Quem ganhou com a crise do agroneg\u00f3cio foram as empresas multinacionais, que continuaram vendendo os insumos agr\u00edcolas com pre\u00e7os alt\u00edssimos. \u00c9 preciso instituir o gen\u00e9rico na \u00e1rea dos insumos agr\u00edcolas, tal qual o gen\u00e9rico entrou na industria farmac\u00eautica. \u00c9 inadmiss\u00edvel um determinado tipo de adubo custar 180 reais no Uruguai, na fronteira com o Brasil, e custar 700 reais no Brasil. O governo estuda a implanta\u00e7\u00e3o dos insumos gen\u00e9ricos no setor agropecu\u00e1rio ou a institui\u00e7\u00e3o da al\u00edquota zero para esses produtos, liberando totalmente a importa\u00e7\u00e3o e estabelecendo a lei do livre mercado no setor. As empresas multinacionais ter\u00e3o que se adequar \u00e0s regras de mercado.    <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Apesar das medidas tomadas pelo governo, parece que a \u00e1rea plantada neste ano ser\u00e1 menor. <\/b>  Os n\u00fameros do Banco do Brasil n\u00e3o mostram isso. Se n\u00e3o tivermos problemas com o clima, vamos ter surpresas positivas no setor agr\u00edcola. A \u00e1rea plantada est\u00e1 sendo reduzida, mas, em fun\u00e7\u00e3o da tecnologia aplicada, a produtividade tem aumentado significativamente. Por isso, a queda de arrecada\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o pode ser atribu\u00edda exclusivamente \u00e0 crise do agroneg\u00f3cio, que vem sendo paulatinamente resolvida. A anistia fiscal, insisto, \u00e9 o principal problema. Ela cria uma cultura negativa para as finan\u00e7as p\u00fablicas. A empresa que possui demandas de expans\u00e3o come\u00e7a a protelar o pagamento do ICMS para aguardar uma nova anistia fiscal. Algumas anistias fiscais s\u00e3o at\u00e9 articuladas antecipadamente. O empres\u00e1rio fica sabendo que um determinado setor da atividade econ\u00f4mica ser\u00e1 contemplado dentro de dois ou tr\u00eas meses e decide n\u00e3o pagar o imposto, esperando a anistia. Isso \u00e9 facilitado pela fragilidade da Assembl\u00e9ia Legislativa, porque, quando um pacote de medidas econ\u00f4micas e fiscais vai para a Assembl\u00e9ia, ele j\u00e1 foi discutido com todos os segmentos do setor produtivo durante meses. J\u00e1 os deputados s\u00e3o obrigados a apreci\u00e1-lo das 20 horas, quando chega na Casa, at\u00e9 as 22 horas, quando ser\u00e1 aprovado a toque de caixa. Dessa forma, o Legislativo n\u00e3o consegue cumprir com o seu papel. N\u00e3o tem autonomia para debater, verdadeiramente, os problemas de interesse da sociedade.  <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Por isso, h\u00e1 quem diga que a Assembl\u00e9ia Legislativa \u00e9 a melhor secretaria do governo estadual. <\/b>  Sim. Eu diria que \u00e9 uma secretaria de segundo escal\u00e3o. N\u00e3o chega nem ser a do primeiro. A subservi\u00eancia da Assembl\u00e9ia Legislativa \u00e9 t\u00e3o grande que ela se recusa a discutir os relat\u00f3rios enviados pelo Tribunal de Contas do Estado. S\u00e3o relat\u00f3rios bem elaborados, porque o tribunal tem t\u00e9cnicos competentes. Por quatro anos seguidos, o tribunal faz ressalvas nas contas do governo do Estado, mas a Assembl\u00e9ia n\u00e3o debate esses problemas. Quando eu era presidente da Comiss\u00e3o de Or\u00e7amento e Finan\u00e7as da C\u00e2mara Municipal, eu reunia, constantemente, com todos os conselheiros do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios para debater a presta\u00e7\u00e3o de contas da Prefeitura de Goi\u00e2nia. Estou h\u00e1 quatro anos na Assembl\u00e9ia Legislativa e nunca vi um conselheiro do TCE se reunir com a Comiss\u00e3o de Or\u00e7amento e Finan\u00e7as ou com o plen\u00e1rio da Casa para debater as contas do Estado.   <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 O ajuste fiscal \u00e9 um problema de todos os Estados brasileiros, tanto que os governadores est\u00e3o pressionando o presidente Lula para que ele fa\u00e7a uma renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 precisando de uma reforma tribut\u00e1ria realmente s\u00e9ria, que reduza ao m\u00e1ximo os impostos e acabe com essa moeda de troca em que o ICMS se transformou nos Estados? <\/b>   Fui diretor tribut\u00e1rio da Secretaria de Finan\u00e7as da Prefeitura de Goi\u00e2nia, de 1993 a 1996. [Na administra\u00e7\u00e3o de Darci Accorsi, ent\u00e3o no PT.] Durante todo aquele per\u00edodo, ficamos discutindo reforma tribut\u00e1ria. Fui vereador durante seis anos e a discuss\u00e3o b\u00e1sica continuou sendo a reforma tribut\u00e1ria. Vem sendo assim at\u00e9 hoje. O governo Lula conseguiu mandar para o Congresso Nacional um projeto de reforma tribut\u00e1ria. Entretanto, a unifica\u00e7\u00e3o do ICMS n\u00e3o vingou, em fun\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica dos governadores. Aos governos estaduais n\u00e3o interessa uma reforma tribut\u00e1ria que acabe com a guerra fiscal. A competitividade entre os Estados j\u00e1 criou ra\u00edzes. A disputa de Goi\u00e1s com S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, por exemplo, foi satisfat\u00f3ria para Goi\u00e1s, atrav\u00e9s da atra\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias propiciada pelos programas Fomentar e Produzir. V\u00e1rias empresas do Sul e Sudeste vieram para Goi\u00e1s em fun\u00e7\u00e3o desses programas. Elas est\u00e3o usufruindo desses incentivos e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel extingui-los de uma hora para outra. O setor produtivo brasileiro tem que fazer uma pol\u00edtica com os governadores e, na seq\u00fc\u00eancia, com o governo federal, propondo a unifica\u00e7\u00e3o das leis tribut\u00e1rias. Depois, \u00e9 preciso trabalhar uma redu\u00e7\u00e3o seq\u00fcencial dos impostos, com o objetivo de aumentar a produ\u00e7\u00e3o. A perda de receita que os governos ter\u00e3o com a redu\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas ser\u00e1 compensada pelo aumento do consumo e, consequentemente, pela redu\u00e7\u00e3o da sonega\u00e7\u00e3o fiscal. Enquanto esse concerto n\u00e3o for estabelecido, n\u00e3o teremos reforma tribut\u00e1ria no Brasil. O projeto de reforma tribut\u00e1ria encaminhado pelo presidente Lula ao Congresso \u00e9 t\u00edmido, mesmo assim n\u00e3o conseguiu vencer a press\u00e3o contr\u00e1ria dos governadores.   <b>Afonso Lopes \u2014 O grande problema \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o do bolo tribut\u00e1rio nacional. O governo federal fica com quase 70 por cento de todos os impostos, quando o correto seria que a maior parte ficasse com os Estados e, sobretudo, com os munic\u00edpios. Por isso, os Estados s\u00e3o obrigados a apelar para os incentivos fiscais, como forma de atrair ind\u00fastria e gerar receita. N\u00e3o est\u00e1 na hora de rediscutir a reparti\u00e7\u00e3o do bolo tribut\u00e1rio e n\u00e3o apenas os \u00edndices de impostos? <\/b>  As experi\u00eancias mostram que n\u00e3o adianta o governo tomar a iniciativa de encaminhar um projeto de reforma tribut\u00e1ria para aprecia\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional. Precisamos envolver o setor produtivo, os governos municipais, os governos estaduais e o governo federal nessa discuss\u00e3o. Em 2003, quando se discutiu o projeto de reforma tribut\u00e1ria enviado ao Congresso, os governos absorveram apenas as medidas positivas. As negativas est\u00e3o paralisadas at\u00e9 hoje. Precisamos, urgentemente, de um pacto tribut\u00e1rio, envolvendo toda a sociedade, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o vamos ter redu\u00e7\u00e3o de impostos no Brasil. J\u00e1 s\u00e3o 30 anos discutindo esse tema e n\u00e3o se chega a lugar nenhum.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O capitalismo n\u00e3o \u00e9 meio desorganizado por natureza? N\u00e3o \u00e9 isso que fomenta a competi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao crescimento da economia? <\/b>   Mas a competi\u00e7\u00e3o necessita de algumas regras. E essas regras s\u00e3o demonstradas pela pol\u00edtica tribut\u00e1ria. Se ela \u00e9 desorganizada, os problemas do fluxo de caixa dos governos estaduais ser\u00e3o sempre solucionados atrav\u00e9s de novos impostos. E quem paga \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o.   <b>Afonso Lopes \u2014 Se for retirada dos Estados a possibilidade de conceder incentivos fiscais, Goi\u00e1s ser\u00e1 reduzido a uma fazenda de S\u00e3o Paulo. <\/b>  Nesse aspecto, voc\u00ea tem raz\u00e3o. Goi\u00e1s est\u00e1 fazendo o jogo que os outros Estados est\u00e3o fazendo. Os programas de incentivo fiscal s\u00e3o necess\u00e1rios. Sou a favor do Fomentar e do Produzir. Se Goi\u00e1s n\u00e3o criar atrativos, ele n\u00e3o se industrializa. Mas o Brasil poderia avan\u00e7ar mais se tivesse reduzisse significativamente os impostos, aumentando a produ\u00e7\u00e3o e o consumo. Para isso, precisamos fazer um pacto tribut\u00e1rio.   <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 Quando era secret\u00e1rio da Fazenda, Jos\u00e9 Paulo Loureiro observou que a guerra fiscal \u00e9 imprescind\u00edvel para os Estados, mas o pa\u00eds, como um todo, perde com ela. \u00c9 um jogo de soma zero. <\/b>   Sem d\u00favida. \u00c9 como acontece com o setor de servi\u00e7os, em que as empresas passam a apostar num leil\u00e3o de al\u00edquotas, optando pelo munic\u00edpio que reduzir o imposto ao m\u00e1ximo. Tem munic\u00edpio que reduz a al\u00edquota para zero por cento. Desse jeito, n\u00e3o tem desenvolvimento econ\u00f4mico. No m\u00ednimo, \u00e9 preciso estabelecer par\u00e2metros. O projeto de reforma tribut\u00e1ria que o presidente Lula encaminhou ao Congresso n\u00e3o eliminava a guerra fiscal. Apenas estabelecia al\u00edquotas m\u00ednimas. Os Estados n\u00e3o poderiam oferecer incentivos abaixo de 11 por cento. Mas nem isso foi aprovado.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Est\u00e1 sendo proposto em Goi\u00e1s, pelo PT e pelo PMDB, um comit\u00ea de defesa do governo Lula. N\u00e3o seria mais correto criar um comit\u00ea em defesa de Goi\u00e1s diante do governo Lula? Porque as obras do aeroporto est\u00e3o paradas e as rodovias est\u00e3o em estado lastim\u00e1vel. A BR-153 \u00e9 um exemplo. <\/b>  \u00c9 importante observar que a BR-153 estava intransit\u00e1vel de An\u00e1polis at\u00e9 Bel\u00e9m. Hoje, ela est\u00e1 com trechos problem\u00e1ticos de An\u00e1polis at\u00e9 Urua\u00e7u.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Marconi Perillo conseguiu recursos do Banco Mundial e reformou a estrada de Jaragu\u00e1 a Goian\u00e9sia. Mas como a BR-153 est\u00e1 intransit\u00e1vel, o tr\u00e1fego de caminh\u00f5es pesados, que \u00e9 enorme, desviou para esse trecho, que j\u00e1 est\u00e1 todo esburacado. <\/b>   Reconhe\u00e7o isso. Mas a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi bem pior. O governo Lula recuperou o trecho entre Bel\u00e9m e Urua\u00e7u. Agora, de Urua\u00e7u at\u00e9 An\u00e1polis, a rodovia est\u00e1 realmente prec\u00e1ria. Mas o governo federal tem procurado resolver o problema. A BR-060, entre Jata\u00ed e Rio Verde, estava intransit\u00e1vel no final do governo Fernando Henrique. Hoje, toda a BR-060, de Goi\u00e2nia at\u00e9 Santa Rita do Araguaia, est\u00e1 recomposta. A BR-364, que vai de Mineiros at\u00e9 o Acre, tamb\u00e9m foi totalmente recomposta. O trajeto da BR-452, que liga Itumbiara a Rio Verde, est\u00e1 sendo recuperado. O trecho entre Goi\u00e2nia e Bras\u00edlia est\u00e1 sendo todo recomposto. A BR-153 est\u00e1 sendo duplicada de Goi\u00e2nia at\u00e9 Itumbiara. Em breve, iremos em rodovia duplicada de Goi\u00e2nia a S\u00e3o Paulo.   <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 N\u00e3o \u00e9 irracional investir tanto em rodovia? N\u00e3o h\u00e1 rodovia que suporte toneladas de carretas. Os governos t\u00eam de pedir empr\u00e9stimo para reform\u00e1-las. Por que n\u00e3o investir em ferrovias? <\/b>   Faltou planejamento estrat\u00e9gico ao Brasil no in\u00edcio dos anos 40. Em Goi\u00e1s, o capitalismo chegou com a estrada de ferro entre Catal\u00e3o e Goi\u00e2nia. Por sinal, um capitalismo tardio. E, quando o capitalismo se expandiu para o Oeste, com a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, isso se deu com rodovias e n\u00e3o com ferrovias. Se j\u00e1 tiv\u00e9ssemos ferrovias como a Norte-Sul, o nosso processo de desenvolvimento econ\u00f4mico teria sido muito diferente. Mas nunca \u00e9 tarde para come\u00e7ar. Acho que o futuro do desenvolvimento econ\u00f4mico no Brasil ser\u00e3o as ferrovias e as hidrovias. O or\u00e7amento da Uni\u00e3o tem que come\u00e7ar a priorizar as ferrovias. Fiz a minha parte: no or\u00e7amento do Estado, coloquei dinheiro para a constru\u00e7\u00e3o de um trecho de ferrovia entre Rio Verde e Ipor\u00e1. O objetivo \u00e9 ir criando condi\u00e7\u00f5es para ligar essa regi\u00e3o \u00e0 Ferrovia Norte-Sul e \u00e0 Ferronorte.   <b>Afonso Lopes \u2014 Falta investimento em infra-estrutura. O presidente Lula queria que o Brasil crescesse 5 por cento neste ano. Vai crescer, no m\u00e1ximo, 3,5 por cento. E n\u00e3o conseguiria crescer 5 por cento, porque sua infra-estrutura n\u00e3o suportaria, a come\u00e7ar pelos portos, que j\u00e1 est\u00e3o estrangulados. <\/b>  O governo Lula, nos pr\u00f3ximos quatro anos, vai priorizar a infra-estrutura do pa\u00eds. Far\u00e1 investimentos maci\u00e7os em transporte, saneamento b\u00e1sico, habita\u00e7\u00e3o e energia el\u00e9trica. No setor de hidrel\u00e9tricas, o governo acena com o sistema de parceria com a iniciativa privada.   <b>Afonso Lopes \u2014 Mas nada disso saiu do papel. <\/b>  Mas est\u00e1 evoluindo muito e j\u00e1 est\u00e1 saindo do papel. O problema \u00e9 que nem sempre isso \u00e9 divulgado. Da\u00ed, inclusive, a necessidade de articularmos os partidos da base aliada do governo Lula para defend\u00ea-lo em Goi\u00e1s. O governo federal investiu significativamente no Estado. Mas a base de sustenta\u00e7\u00e3o do presidente Lula em Goi\u00e1s n\u00e3o tem conseguido capitalizar politicamente essas a\u00e7\u00f5es. Na \u00e1rea da habita\u00e7\u00e3o, por exemplo, os investimentos do governo federal s\u00e3o capitalizados pelos prefeitos ligados ao PSDB e ao PFL. O governo do Estado tem firmado parcerias importantes com a Caixa Econ\u00f4mica Federal, capitalizando v\u00e1rios projetos na \u00e1rea da habita\u00e7\u00e3o. Quando vai inaugurar programas habitacionais feitos em parceria com a Caixa Econ\u00f4mica Federal, a Ag\u00eancia Goiana de Habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o se preocupa em avisar a dire\u00e7\u00e3o da Caixa com anteced\u00eancia. \u00c9 comum o convite chegar depois da inaugura\u00e7\u00e3o da obra. Fiquei sabendo que seriam inauguradas 240 casas em Santa B\u00e1rbara, atrav\u00e9s dessa parceria, quando liguei para a Caixa. O superintendente me disse que tinha tentado mandar pelo menos um gerente da Caixa na solenidade de inaugura\u00e7\u00e3o das casas, representando o governo federal, mas a solenidade estava acabando, n\u00e3o deu tempo. Na \u00e1rea de eletrifica\u00e7\u00e3o rural, por exemplo, o governo do Estado tem tido uma efici\u00eancia muito grande para capitalizar todas as a\u00e7\u00f5es. O Programa Luz para Todos \u00e9 custeado com 90 por cento de recursos do governo federal, mas o governo do Estado apresenta o programa como se ele fosse da Celg. O governo do Estado tem demonstrado uma enorme efici\u00eancia para capitalizar politicamente a agenda positiva do governo federal. Nas nossas costas ficou a agenda negativa, como o mensal\u00e3o e os bingos. Tentaram jogar nas nossas costas at\u00e9 os sanguessugas. Agora, o momento \u00e9 outro. O pr\u00f3prio presidente Lula quer contrapartida pol\u00edtica para todas as a\u00e7\u00f5es institucionais. O governo vai ser um governo de m\u00e3o dupla: apoio vai, apoio vem. N\u00e3o \u00e9 a toa que o minist\u00e9rio n\u00e3o ser\u00e1 formado enquanto n\u00e3o se resolver o problema da presid\u00eancia do Senado e da C\u00e2mara. Em Goi\u00e1s, n\u00e3o ser\u00e1 diferente. O governo Alcides quer o apoio administrativo do presidente Lula? Ter\u00e1 esse apoio, constitucional, legal. Agora, se ele quer apoio preferencial, ter\u00e1 de retribuir politicamente. \u00c9 uma via de m\u00e3o dupla: apoio vai, apoio vem.  <b>Afonso Lopes \u2014 Qual ser\u00e1 a contrapartida do governo Alcides? Praticamente, todos os deputados federais da base governista, excetuando-se os do PSDB, j\u00e1 est\u00e3o na base do presidente Lula. <\/b>  Na pr\u00e1tica, at\u00e9 alguns parlamentares do PMDB n\u00e3o acompanharam o governo Lula. E o PP \u00e9 um partido complexo, que, nacionalmente, tem desde Severino Cavalcanti e Paulo Maluf at\u00e9 Alcides Rodrigues. Em Goi\u00e1s, o partido tem Ti\u00e3o Caro\u00e7o e Paulo Roberto Cunha. Toda essa base do PP no Estado fez uma oposi\u00e7\u00e3o raivosa ao presidente Lula, devido \u00e0 crise do agroneg\u00f3cio. H\u00e1 alguns meses, o l\u00edder do PP na Assembl\u00e9ia Legislativa [deputado Ernesto Roller], que hoje \u00e9 l\u00edder do governo na Casa, tamb\u00e9m fez um pronunciamento raivoso contra Lula. No segundo turno da elei\u00e7\u00e3o, estive em Rio Verde e presenciei uma manifesta\u00e7\u00e3o bastante agressiva ao presidente da Rep\u00fablica, comandada pelo vice-prefeito de Paulo Roberto Cunha [Leonardo Veloso, do PP]. Agora, de uma hora para outra, sem qualquer autocr\u00edtica, sem rever posi\u00e7\u00f5es, esse pessoal se torna integrante da base de sustenta\u00e7\u00e3o do presidente Lula, exigindo aten\u00e7\u00e3o privilegiada do governo federal? Para se entrar numa nova composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o m\u00ednimo que se exige \u00e9 um pacto futuro. Mas, sem qualquer tipo de compromisso, come\u00e7am a dizer que o PP \u00e9 da base do presidente Lula, que, por isso, o presidente tem que ajudar Goi\u00e1s. O presidente est\u00e1 ajudando o Estado, tem muitas obras aqui. O que queremos \u00e9 que isso seja reconhecido. Eles absorveram toda a agenda positiva do governo Lula. Chegou a hora de dar a retribui\u00e7\u00e3o. Lula n\u00e3o vai fazer clientelismo pol\u00edtico, como acontecia no governo Fernando Henrique. O governo Lula \u00e9 capaz de construir uma rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica institucional. O queremos \u00e9 ter pelo menos o compromisso de defesa do governo. N\u00e3o queremos compromisso eleitoral. Compromisso eleitoral \u00e9 para daqui a quatro anos. Basta defender o governo Lula. O que n\u00e3o pode \u00e9 algu\u00e9m se dizer aliado, entre aspas, e atacar raivosamente o governo Lula nas bases. Por isso, \u00e9 leg\u00edtimo o deputado federal Rubens Otoni e o senador Maguito Vilela articularem uma base de defesa do presidente Lula em Goi\u00e1s. N\u00e3o vamos mais ser ing\u00eanuos.  <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 O senhor mencionou que at\u00e9 o PMDB n\u00e3o fez a defesa necess\u00e1ria do governo Lula em todos os momentos. <\/b>  O PMDB \u00e9 o principal aliado do presidente da Rep\u00fablica em Bras\u00edlia. Em Goi\u00e1s, ele errou ao n\u00e3o aceitar a alian\u00e7a com o PT na disputa do governo do Estado, fazendo com que o senador Maguito perdesse a elei\u00e7\u00e3o. Dentro dos seus quadros, principalmente no sudoeste do Estado, h\u00e1 deputados federais beneficiados pelos programas do governo federal que, durante a crise do agroneg\u00f3cio, tamb\u00e9m fizeram ataques raivosos ao presidente Lula em em manifesta\u00e7\u00f5es de produtores. Achavam que o agroneg\u00f3cio seria a grande mola propulsora da derrota eleitoral de Lula em Goi\u00e1s. Mas isso n\u00e3o ocorreu. Depois da ades\u00e3o do maior produtor de soja do mundo, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, o presidente Lula ampliou sua base de apoio entre os grandes produtores rurais.   <b>Afonso Lopes \u2014 O PT passa a impress\u00e3o de ter raiva de fazendeiro. <\/b>   A esquerda brasileira, tradicionalmente, combateu a oligarquia e o latif\u00fandio, fazendo uma defesa sistem\u00e1tica da reforma agr\u00e1ria. Com isso, criou-se um am\u00e1lgama equivocado da imagem do fazendeiro produtor com a do latifundi\u00e1rio improdutivo. Mas, nos \u00faltimos 15 anos, o PT conseguiu superar esse equ\u00edvoco. Hoje, h\u00e1 setores importantes do PT ligados aos produtores rurais. Continuamos defendendo a reforma agr\u00e1ria, uma bandeira atrasada no Brasil. Nos Estados Unidos, ela aconteceu no s\u00e9culo XVIII. Na Fran\u00e7a, ocorreu no s\u00e9culo XVII. O PT deve ser um partido que defende a reforma agr\u00e1ria em cima do latif\u00fandio improdutivo e n\u00e3o do fazendeiro produtivo. Ent\u00e3o, na medida em que o presidente Lula acenou com uma reforma agr\u00e1ria ordeira, sem invas\u00e3o, sem confisco de terras, a rela\u00e7\u00e3o do governo com os grandes produtores melhorou.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O PT vai compor com o PMDB, em 2008, nas elei\u00e7\u00f5es para prefeito de Goi\u00e2nia? <\/b>  Todo partido pol\u00edtico precisa disputar elei\u00e7\u00f5es com candidato pr\u00f3prio. O PT sempre disputou a Prefeitura de Goi\u00e2nia para ganhar e n\u00e3o ser\u00e1 agora, quando governamos o pa\u00eds, que vamos abrir m\u00e3o de ter candidato.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O ex-prefeito Pedro Wilson, deputado federal eleito, ser\u00e1 o candidato? <\/b>  Temos v\u00e1rios nomes e um deles \u00e9 o de Pedro Wilson. O PT administrou Goi\u00e2nia de 93 a 96 e de 2001 a 2004. Fizemos a\u00e7\u00f5es importantes na cidade, que s\u00e3o reconhecidas at\u00e9 hoje, tanto que o ex-prefeito Pedro Wilson foi eleito deputado federal. No momento, precisamos estabelecer um bom conv\u00edvio com os partidos que formam a base de sustenta\u00e7\u00e3o do presidente Lula. E, no momento, \u00e9 natural que todos pensem em ter candidato. Na hora da disputa \u00e9 que se define melhor o quadro. Uma coisa \u00e9 certa: o PT vai dar sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao prefeito Iris Rezende. Essa \u00e9 uma decis\u00e3o de partido, da dire\u00e7\u00e3o municipal. Vamos garantir a governabilidade do prefeito junto \u00e0 C\u00e2mara Municipal, independentemente das elei\u00e7\u00f5es de 2008.   <b>Afonso Lopes \u2014 E Humberto Aidar? Mesmo como deputado estadual eleito pelo PT, ele pode fazer oposi\u00e7\u00e3o ao prefeito, pelo menos no discurso. <\/b>   O diret\u00f3rio municipal do PT est\u00e1 fazendo o que \u00e9 necess\u00e1rio para unificar a a\u00e7\u00e3o do partido. O PMDB \u00e9 o principal partido de sustenta\u00e7\u00e3o do presidente Lula. Dever\u00e1 ficar com quatro ou cinco minist\u00e9rios e tem uma bancada significativa de deputados federais. Como o partido ap\u00f3ia Lula, ele solicitou ao presidente uma contrapartida em Goi\u00e2nia. \u00c9 um pedido justo, da\u00ed o nosso apoio.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Como ficar\u00e3o os cargos federais no Estado? No primeiro governo Lula, o PT reclamava que o pessoal do PSDB continuava mandando nos cargos. <\/b>   Fizemos um levantamento de todos os cargos federais em Goi\u00e1s. S\u00e3o 52 fun\u00e7\u00f5es federais no Estado. Enviamos uma lista ao governo Lula com o perfil pol\u00edtico de cada um dos ocupantes desses cargos. A orienta\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 que os cargos de confian\u00e7a do governo federal sejam ocupados por pessoas que defendam o governo Lula. Estamos revendo as nomea\u00e7\u00f5es de todos os partidos, inclusive as do PT. Pessoalmente, acho que a indica\u00e7\u00e3o para os cargos federais em Goi\u00e1s n\u00e3o se deu na inst\u00e2ncia do partido, mas na esfera de influ\u00eancias de pessoas. Individualmente, parlamentares do PT e de outros partidos foram ocupando fun\u00e7\u00f5es no varejo. \u00c9 preciso zerar todas as nomea\u00e7\u00f5es e abrir uma discuss\u00e3o cargo por cargo, inclusive dentro do PT. H\u00e1 uma despropor\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o desses cargos. Eu e o deputado Mauro Rubem, por exemplo, temos uma influ\u00eancia significativa no PT goiano, mas n\u00e3o temos nenhuma influ\u00eancia nos cargos federais em Goi\u00e1s. Queremos uma compensa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o e acreditamos que ela vai acontecer.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Qual ser\u00e1 o papel de Barbosa Neto em rela\u00e7\u00e3o ao PT? <\/b>   Ele foi candidato da coliga\u00e7\u00e3o que garantiu a elei\u00e7\u00e3o de dois deputados federais e tr\u00eas deputados estaduais do PT. Barbosa Neto tem uma rela\u00e7\u00e3o de parceria conosco.  <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Marconi Perillo afirma que Goi\u00e1s tem 2 bilh\u00f5es de reais para receber da Uni\u00e3o, devido \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado do Tocantins. Ele est\u00e1 convocando as for\u00e7as pol\u00edticas de Goi\u00e1s para defender o recebimento desse dinheiro. O senhor est\u00e1 disposto a participar dessa cobran\u00e7a? <\/b>  Sim. Cr\u00e9ditos semelhantes t\u00eam sido compensados em outros Estados. Como o Estado de Goi\u00e1s tem uma d\u00edvida muito grande com a Uni\u00e3o, o ideal \u00e9 fazer um encontro de contas e reduzir essa d\u00edvida. \u00c9 uma proposta inteligente.  <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O presidente Lula anunciou que Henrique Meirelles deve permanecer na presid\u00eancia do Banco Central. O senhor tamb\u00e9m defende a perman\u00eancia dele e de Guido Mantega na Fazenda? <\/b>  O presidente do Banco Central exerce um papel determinante na manuten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica cambial e do controle inflacion\u00e1rio. \u00c9 importante que fique. J\u00e1 o ministro Guido Mantega representa uma linha mais desenvolvimentista e, ancorado numa pol\u00edtica de controle inflacion\u00e1rio, vai desenvolver uma linha de fortes investimentos na infra-estrutura do pa\u00eds. O segundo governo Lula ser\u00e1 um governo desenvolvimentista.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Jos\u00e9 Dirceu e Del\u00fabio Soares j\u00e1 s\u00e3o uma face do passado do PT? <\/b>   O ex-ministro Jos\u00e9 Dirceu teve um papel muito importante na constru\u00e7\u00e3o do PT e na articula\u00e7\u00e3o do governo Lula, assim como Del\u00fabio Soares. Ambos foram v\u00edtimas da crise pol\u00edtica, porque estiveram no centro dela. Mas o PT sobreviveu a isso tudo. Hoje, a influ\u00eancia do n\u00facleo paulista no partido j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande como antes. Outras pessoas passaram a ocupar aquele espa\u00e7o que era ocupado por Jos\u00e9 Dirceu, Alo\u00edzio Mercadante e Martha Suplicy.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O PT pode apoiar Ciro Gomes para presidente da Rep\u00fablica em 2010? <\/b>  O ministro Ciro Gomes tem uma experi\u00eancia administrativa importante. Foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Cear\u00e1 e ministro da Fazenda do governo Fernando Henrique. Foi um dos articuladores e implementadores do Plano Real. Posteriormente, ele se tornou um grande colaborador do presidente Lula e, no Cear\u00e1, deu ao presidente uma de suas maiores vit\u00f3rias proporcionais. \u00c9 um dos nomes que podem ser colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do PT e dos nossos aliados em 2010.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 O PT, agora, \u00e9 um partido de centro? <\/b>   O PT \u00e9 um partido democr\u00e1tico, que tem uma convic\u00e7\u00e3o de esquerda e defende o socialismo. O PT confronta o autoritarismo. \u00c9, talvez, um dos partidos mais democr\u00e1ticos do Brasil. Tanto que ele explicita claramente as suas diverg\u00eancias internas. Tamb\u00e9m \u00e9 o partido mais atacado pela m\u00eddia na hist\u00f3ria do Brasil. Quando o presidente Vargas viveu toda a crise que culminou com o seu suic\u00eddio, o povo foi quem o defendeu nas ruas. O mesmo aconteceu com o presidente Juscelino, quando ele enfrentou a velha UDN e as oligarquias. Tanto Get\u00falio quanto Juscelino desenvolviam pol\u00edticas de defesa do povo trabalhador. O presidente Lula tamb\u00e9m desenvolve a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em benef\u00edcio dos exclu\u00eddos e tamb\u00e9m enfrentou a rea\u00e7\u00e3o de setores importantes da m\u00eddia. Foram 22 meses de confronto. Lula se manteve firme e, a exemplo de Vargas e Juscelino, tamb\u00e9m teve o reconhecimento popular, s\u00f3 que atrav\u00e9s do voto. No segundo turno, ele teve todos os votos de Helo\u00edsa Helena e de Cristovam Buarque e ainda conquistou 2,5 milh\u00f5es de votos de Geraldo Alckmin. Temos que repensar o papel da m\u00eddia brasileira e sua rela\u00e7\u00e3o com os governos do PT.   <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 Get\u00falio foi um ditador sanguin\u00e1rio, que torturou oposicionistas e prendeu Graciliano Ramos, durante meses, sem processo, entre criminosos comuns. E moveu uma guerra fratricida contra S\u00e3o Paulo, em 1932, que matou, feriu e desabrigou milhares de pessoas. Talvez tenha sido pior do que Augusto Pinochet, no Chile. Por que a esquerda gosta tanto de ditador populista? Se o fac\u00ednora faz agrados demag\u00f3gicos ao povo, como Vargas, recebe licen\u00e7a da esquerda para torturar e matar. <\/b>  Constru\u00edmos o PT repudiando a ditadura militar no Brasil, a de Pinochet no Chile e criticando o governo autorit\u00e1rio de Get\u00falio Vargas. Agora, Vargas teve um forte apoio popular e fazia um governo com forte teor nacionalista. Quando Lula faz refer\u00eancias a Get\u00falio, \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o das oligarquias agr\u00e1rias e da velha UDN contra ele, algo muito semelhante ao que o pr\u00f3prio Lula enfrentou nos dois \u00faltimos anos de seu governo.   <b>Euler de Fran\u00e7a Bel\u00e9m \u2014 Qual a posi\u00e7\u00e3o do PT na elei\u00e7\u00e3o para a presid\u00eancia da Assembl\u00e9ia Legislativa? <\/b>  Estamos conversando com todos os candidatos. Formamos um bloco, juntamente com PMDB, PDT e PSC, que j\u00e1 conta com 13 parlamentares. \u00c9 um bloco significativo. Estamos defendendo a velha proposta de mudan\u00e7a do regimento interno para que a Assembl\u00e9ia Legislativa recupere a sua autonomia. Tamb\u00e9m defendemos a urgente atualiza\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado.   <b>Jos\u00e9 Maria e Silva \u2014 O senhor defende uma proposta para o Plano Diretor de Goi\u00e2nia. Como \u00e9 essa proposta? <\/b>  A Constitui\u00e7\u00e3o do Estado estabelece que a Assembl\u00e9ia Legislativa deve elaborar o plano diretor das regi\u00f5es metropolitanas do Estado. No caso, o Aglomerado Urbano de Goi\u00e2nia e o Entorno de Bras\u00edlia. Os munic\u00edpios que integram essas regi\u00f5es n\u00e3o podem elaborar um plano diretor isoladamente. Os problemas vividos por eles se entrela\u00e7am nas \u00e1reas mais diversas, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, habita\u00e7\u00e3o e meio ambiente. Da\u00ed a necessidade de um plano conjunto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O deputado Luis Cesar Bueno concedeu entrevista aos jornalistas Euler Bel\u00e9m, Afonso Lopes e Jos\u00e9 Maria do Jornal Op\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o que circulou no dia 31\/12\/2006, [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[57],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23792\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/luiscesarbueno.com.br\/lcb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}