Três personalidades recebem Medalha do Mérito Legislativo
Publicado 07/06/2006
Em sessão solene presidida pela deputada Onaide Santillo (PMDB), a Assembléia Legislativa homenageou, nesta manhã, a religiosa Irmã Margarida, o cartunista João Luiz Brito de Oliveira (Katteca) e o artista plástico Hélio Teles. Atendendo propositura do deputado Luis Cesar Bueno (PT), os três foram condecorados com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, maior honraria concedida pelo Legislativo Goiano. “Ao conceder a maior Comenda do Poder Legislativo Goiano a estas ilustres personalidades, queremos demonstrar nossa admiração e apoio ao trabalho desenvolvido pela Irmã Margarida na Assistência Social Voluntária – trabalho solidário e caridoso que há décadas realiza em nossa cidade. À irreverência indiscreta do cartunista João Luiz Brito de Oliveira, o Britvs que na figura do personagem Katteca expressa a sua ironia na denúncia às maquinações dos gabinetes oficiais, tramóias dos cartolas do futebol, atos criminosos de políticos e policiais corruptos e a intransigência na defesa do cidadão comum que cotidianamente luta pela paz e qualidade de vida. E também ao talento jovem do artista plástico Hélio Teles, destaque na crítica internacional. Em 26 Países de diversos continentes é considerado “O operário da arte”, divulgando Goiás em terras distantes”, enfatizou o parlamentar em seu discurso. Ao agradecer a homenagem, Irmã Margarida disse que sua única missão na terra é fazer feliz cada uma das criaturas de Deus. “Não carrego comigo preconceitos”, disse ela, que em suas andanças enfrentou todos os tipos de desafios pelos grotões do Brasil, em especial nos estados de Goiás e Tocantins. “Foram mais de 20 anos levando oração e alegria aos povos humildes de nossa terra”, disse Luis Cesar, ao revelar que Irmã Margarida batizou mais de duas mil criaturas pelos caminhos em que percorreu, já que não havia padres nessas regiões. Fez curso de enfermagem para, além do auxílio espiritual, levar alívio aos doentes e adotou 54 filhos, espalhados por todo o país. “Nunca tive sorte, nem rifa eu nunca ganhei”, disse o irreverente cartunista Katteca, destacando a importância da Medalha para ele. “O João Luiz, puro como cada um daqueles tipos, intrinsecamente envolvido com cada história de todos eles, foi achar um cara brasileiro caracterização até história, o indiozinho. Não um índio comum, mas aquele que acabou acolhido pela civilização e já com referencias de ter passado por um banho na sociedade dos brancos. Pois foi exatamente daí que veio o personagem para contar a história da rua e que ganhou a página de O Popular, no já distante ano 1973, com o nome de Katteca”, escreveu sobre ele o jornalista Reynaldo Rocha, em artigo intitulado “Direto e devastador”, lido por Luis Cesar para apresentar o homenageado. “Divulgar Goiás na Europa é um prazer, é essa a minha função”, disse emocionado Hélio Teles. “Hélio Teles foi sempre um prodígio”, disse Luís César. Com apenas 19 anos tornou-se pelo PT o vereador mais jovem do Brasil -, fato bastante repercutido na mídia nacional. Em 1994, decidiu morar na Inglaterra, ingressando na City & Guilds School of Arts, uma das faculdades mais conceituadas em todo o Continente Europeu. Em sua tese “Sobre Paredes Físicas e Metafóricas” buscou teorizar sobre a estética adequada à tradução de seu pensamento: “Paredes que protegem; paredes que isolam; paredes ideológicas; paredes que são suporte para a arte – a exemplo da grafitagem; Paredes que suportam preconceitos, conceitos, desejos; paredes da alma que aprisionam ou libertam”. A sessão solene foi aberta com a execução do Hino Nacional pela Banda da Polícia Militar e encerrada com a apresentação da soprano Mábia Felipe, professora de técnica Vocal do Coral da Assembléia Legislativa, acompanhada do tecladista Sérgio Paiva. Prestigiaram a solenidade o diretor do Patrimônio Histórico e Artístico da AGEPEL, representando o Governador; o assessor especial para Assuntos da Juventude, Agnaldo Coelho, representando o prefeito; Frei Marcos Sassatelli, representando o Arcebispo de Goiânia, além de familiares e amigos dos homenageados.
Discurso do deputado Luis Cesar Bueno Discurso do deputado Luis Cesar Bueno, na solenidade de entrega da Medalha do Mérito Legislativo, em sessão nesta sexta-feira, 26 de maio. A Assembléia Legislativa do Estado de Goiás presta sua homenagem à Religiosa Irmã Margarida – Ephigênia Maria da Silva, ao Cartunista João Luiz Brito de Oliveira – Britvs – O Katteca e ao Artista Plástico Hélio Teles. Ao conceder a maior Comenda do Poder Legislativo Goiano a estas ilustres personalidades, queremos demonstrar nossa admiração e apoio ao trabalho desenvolvido pela Irmã Margarida na Assistência Social Voluntária – trabalho solidário e caridoso que há décadas realiza em nossa cidade. À irreverência indiscreta do cartunista João Luiz Brito de Oliveira, o Britvs que na figura do personagem Katteca expressa a sua ironia na denúncia às maquinações dos gabinetes oficiais, tramóias dos cartolas do futebol, atos criminosos de políticos e policiais corruptos e a intransigência na defesa do cidadão comum que cotidianamente luta pela paz e qualidade de vida. E também ao talento jovem do artista plástico Hélio Teles, destaque na crítica internacional. Em 26 Países de diversos Continentes é considerado “O operário da arte”, divulgando Goiás em terras distantes. Esta Casa de Leis, também denominada de Casa do Povo, já prestou homenagens a políticos, empresários, artistas e religiosos, com a “Medalha Pedro Ludovico Teixeira”. Hoje entregamos esta comenda, aprovada por unanimidade por todos os deputados e deputadas a estas queridas personagens que estão colaborando com a construção do nosso Estado. Irmã Margarida – Ephigênia Maria da Silva, nasceu em 22 de fevereiro de 1920 na cidade de João Batista de Itamarandiba (MG). Com uma família de forte disposição para o trabalho e oração, viveu até os seus 16 anos no seio da família, quando sem autorização de seus pais, partiu de trem para o Rio de Janeiro a fim de realizar o seu maior sonho, ser freira. Ao chegar no endereço de destino, causou espanto e preocupação à Madre Superiora – pois estava recebendo naquela instituição religiosa uma menor de idade, na qual seus genitores não sabiam onde estava. Sua formação na Congregação foi ímpar, pois permitiu construir os pilares da perseverança na Fé. Ficou estudando e rezando por mais de cinco anos no convento das Religiosas da Assunção, sendo consagrada com o nome de religiosa: Irmã Maria Margarida da Assunção do Santíssimo Sacramento. A partir daí, já com mais de duas dezenas de idade, Irmã Margarida (nome conhecido popularmente) entra para as missões e enfrenta todos os tipos de desafios pelos grotões do Brasil, em especial no então estado de Goiás (na época sem a divisão que originou o Estado do Tocantins), alguns vilarejos com nomes bizarros como: Gominho, Lagartixa, Bugiganga, Pindaíba, Petengo, Cachorro Sentado, Cacete Armado, Paletó Rasgado, Quiabo Assado, Pirracha, Cidade de Pilar, Guarinos, Baixa da Serra, Cedrolina, Luzelandia, Santa Terezinha, Hidrolina, Arapoema, Miracema, Porangatu, Paraíso do Norte, Araguaina, Posse, Alvorada do Norte, São Felix do Araguaia, Uruaçu, Mara Rosa, Chapada, Estrela do Norte e a famosa Lavrinha dos Pretos. Foram mais de vinte anos levando oração e alegria aos povos humildes de nossa terra. Batizou mais de duas mil criaturas pelos caminhos em que percorreu, pois, naquela época não tinha padres nessas regiões. Não satisfeita só com a missão religiosa, Irmã Margarida decidiu ir para Belo Horizonte fazer o curso de enfermeira e aprender ter a capacidade também de levar alívio aos doentes. Esta mistura de conhecimento religioso e da enfermagem fez mais uma vez despertar novamente a inquietude da freira, com objetivos claros de levar alimento e saúde tanto física quanto espiritual aos nossos irmãos mais necessitados, que na maioria das vezes não tinha nem teto para ficar. Após 20 anos de missões em várias cidades do Brasil, Goiânia foi agraciada com a chegada desta determinada serva dos oprimidos. Desta vez os desafios não eram mais os grotões e sim as ribanceiras das áreas de riscos da Capital, por onde andou. Irmã Margarida fez sua história na Capital do Estado de Goiás com perfil de “Irmã Dulce do Cerrado” ou “Madre Tereza dos Goianos”. Até hoje, trava diariamente uma luta incansável pelo bem estar das comunidades carentes de nossa Capital, em especial: Vila Montecelly, Emílio Póvoa, Nova Vila, Negrão de Lima, Criméia Leste, Vila Coronel Cosme, Norte Ferroviário, os menores de rua (adolescentes viciados em drogas) e outros. A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes em Goiânia, sempre foi à menina de seus olhos. Orientou e atendeu muitos necessitados naquela unidade de saúde com disposição, carinho e alegria. A jornalista Gabriela Dutra, em seu artigo “A Madre de Goiânia”, assim descreveu o cotidiano de Irmã Margarida. “É quase uma hora da madrugada e o dia de trabalho ainda não acabou para Ephigênia Margarida da Silva. Sua principal ferramenta de trabalho é seu único par de tênis branco. E muita dedicação. Mais conhecida como Irmã Margarida, ela percorre cerca de 30 km por dia pelas ruas de Goiânia para resolver problemas das pessoas que a procuram”. Irmã Margarida mora em uma casa simples no Setor Urias Magalhães, região norte de Goiânia. A freira, que também é enfermeira e orientadora espiritual da Policia Militar, atende desde mendigos, catadores de lixo, alcoólatras, drogados e ladrões até pessoas que vêm de outras cidades em busca de emprego, tratamento médico ou orientação espiritual. Só filhos adotivos a enfermeira tem 54, espalhados por todo o País. Irmã Margarida, receba os cumprimentos de todos os deputados e deputadas desta Casa de Leis, por sua incansável luta! Falar de Hélio Teles, é falar de Itapirapuã, do cerrado goiano… dos povos do Planalto Central do Brasil. Hélio Teles nasceu e cresceu em Itapirapuã. Filho de Ana Rosa e Lazaro Januário Teles, desenvolveu-se numa tradicional família Goiana, tendo na figura de seus pais a imagem da ética e da sensibilidade que tanto o inspira em sua carreira. Seu pai, um político sensível e respeitável, deixou marcas positivas no imaginário do Povo Itapirapuense. Foi homem de caráter íntegro e estava sempre conectado às causas sociais mais prementes, ligadas aos menos favorecidos. Morreu jovem, mais deixou um legado importante e seu nome ficou impresso no coração e na memória. Hélio Teles foi sempre um prodígio. Com apenas 19 anos tornou-se pelo PT o vereador mais jovem do Brasil -, fato bastante repercutido na mídia nacional. Buscou desenvolver seu mandato de acordo com seus princípios éticos, olhando de forma especial aos menos favorecidos. Entretanto, seu destino já estava traçado. Dono de talento singular, após o término de seu mandato, resolveu partir às terras lusitanas, onde ficou cerca de dois anos. Enfrentou a sorte, como tantos outros compatriotas, amargando a dura realidade de subempregos. Mas, o talento nato desse jovem foi além. A garra e a força de vontade fizeram-no enveredar por outros caminhos. Foi no ano de 1994 que decidiu morar na Inglaterra, ingressando na City & Guilds School of Arts, uma das faculdades mais conceituadas em todo o Continente Europeu. A barreira da língua foi transposta e as dificuldades foram, gradativamente, sendo vencidas. Graduou-se e fez pós-graduação até atingir o nível Master em seus estudos. Em sua tese “Sobre Paredes Físicas e Metafóricas” buscou teorizar sobre a estética adequada à tradução de seu pensamento. Paredes que protegem; paredes que isolam; paredes ideológicas; paredes que são suporte para a arte – a exemplo da grafitagem; Paredes que suportam preconceitos, conceitos, desejos; paredes da alma que aprisionam ou libertam. Mas os velhos casarios de Goiás e os muros desgastados pelo tempo permanecem como fortes referenciais. As imagens refletem as cores de cobre, os tons pastéis e uma infinidade de nuances imantados de fins de tarde, alvoreceres da Velha Goiás e de todos os cantos pelos quais percorreu na vida. Goiás está lá, na essência viva de sua arte inquieta e instigante, que nos leva a um mundo sólido de subjetividades. Expôs nas galerias mais famosas do planeta. Em Londres, na Royal Accademy, em 2000; Sua arte esteve presente na Cork Street – uma das mais famosas ruas de arte do mundo; Na Arndeen Gallery e na Apart Gallery, em Notting Hill; e ainda cruzou fronteiras chegando a Paris, New York e em Los Angeles. Sua consagração, por parte do público e crítica especializada, chegou finalmente em 2003, após árdua trajetória, repleta de descobertas e aprendizado. Numa entrevista pela British Broadcasting Corporation, BBC, transmitida em 26 países de diversos continentes, Hélio foi intitulado “O operário da Arte”. O título é perfeitamente justificável já que o artista usa tudo, ou quase tudo, o que é utilizado na construção civil. Se autodenominando um artista contemporâneo é motivo de orgulho para seu povo, pois, mesmo distante, não esquece suas raízes e divulga honrosamente o nome de Itapirapuã, de Goiás e do Brasil para o mundo. Hélio, esta homenagem do Poder Legislativo do Estado de Goiás, é uma demonstração de agradecimento dos deputados e deputadas desta Casa de Leis à sua arte e ao seu trabalho. Falar de João Luis Brito de Oliveira, o Britvs – Cartunista que consagrou o extraordinário Katteca é expressar o sorriso bem humorado do leitor dos quadrinhos que retrata o dia-a-dia da nossa gente. Quero aqui tomar a liberdade de utilizar alguns trechos do artigo “Direto e devastador” do Jornalista Reynaldo Rocha, transcrito do livro coletânea – O melhor do Katteca – 27 anos – de pura irreverência, para apresentar o nosso homenageado. João Luiz era um menino mirrado, vindo do Norte, quando teve diante de si uma espécie de janela privilegiada de Goiânia. Nada menos que a esquina da Avenida Goiás com a rua 2, no centro da cidade, onde foi tomar conta de uma banca de revista, e nesse ofício passava boa parte do dia vendo bem de perto a realidade daquele povo que sobe e desce, com seus dramas, sonhos e frustrações. Não sei bem quando tudo começou, mas João Luiz um dia passou a colocar no papel a interpretação que dava desses fatos da rua. Criativo, tirou rápido da cabeça o personagem que apresenta com a espécie de arauto para o desfile desses tipos populares e de seus dramas comédias. O João Luiz, puro como cada um daqueles tipos, intrinsecamente envolvido com cada história de todos eles, foi achar um cara brasileiro caracterização até história, o indiozinho. Não um índio comum, mas aquele que acabou acolhido pela civilização e já com referencias de ter passado por um banho na sociedade dos brancos. Pois foi exatamente daí que veio o personagem para contar a história da rua e que ganhou a página de O Popular, no já distante ano 1973, com o nome de Katteca. Ao lado das broncas de gente que sentiu ofendida pelo humor cáustico do Katteca, há em sucessão o aplauso permanente de leitores fiéis, muitos deles com tal apego ao personagem e ao seu criador, que em defesa renovam a ameaça de não ler o jornal se não tiver ele a referência dos quadrinhos, que para esse tipo de leitor é quase como a ave – Maria para a Madona rezadora. Carateca em outros tempos, de onde somou o som com o indiozinho catequizado para fazer o glorioso Katteca, João Luiz Brito de Oliveira, ou simplesmente Britvs, nem lembra mais hoje o menino mirrado nascido em Pastos Bons, no Maranhão, e criado em Natividade, naquele tempo norte de Goiás, hoje Tocantins. João Luiz, ou Britvs ou Katteca, como é chamada essa figura pacata e bonachona do maior cartunista de Goiás, hoje aos 54 anos, cuida da família de 3 filhas e que tem na mulher – lembrada em suas histórias na pele da impagável Carmita – como um verdadeiro esteio, vive a perspectiva de um homem próspero, realizador, com outras ocupações além do traço firme e direto da mão canhota com que conta a cada dia uma aventura nova do famoso personagem. Mas nada disso tira o traço do humor na conversa que se tem com ele, invariavelmente agradável e divertida. Nem nela se dissipa – nunca – o corte da ironia final do estilo direto e devastador. Salve Katteca. Goiás te aplaude hoje, como sempre aplaudiu a cada dia desses 34 anos de vida, história e o melhor o humor. Quero finalizar este pronunciamento desejando aos nossos mais recentes homenageados muita paz…. que Deus continue iluminando seus caminhos… Encontrei no nosso saudoso poeta e compositor Gonzaguinha, uma expressão poética em uma de suas interpretações que simboliza a trajetória de nossos homenageados: “Guerreiros são pessoas são fortes são frágeis guerreiros são meninos no fundo do peito precisam de carinho precisa de um abraço da própria candura… Um homem se humilha Se castram seu sonho Seu sonho é sua vida E a vida é o trabalho…” Parabéns Irmã Margarida Parabéns João Luis Katteca Parabéns Hélio Teles Cida Mendonça Assembléia Legislativa do Estado de Goiás