Temas polêmicos e desarticulação
Publicado 05/03/2013
Temas polêmicos tem movimentado a Câmara Municipal desde o início das legislaturas. A oposição do prefeito Paulo Garcia parece desarticulada e a base aliada nem sempre tem votado de acordo com o prefeito, apesar de ser maioria na Casa. O Paço Municipal anda preocupado com a falta de unidade, e os projetos enviados pelo Executivo ao Legislativo correm o risco de não serem aprovados.
A oposição do prefeito conta com pelo menos 14 vereadores, entre eles Geovani Antônio (PSDB), Cida Garcês (PV), Deivison Costa (PT do B), Pedro Azulinho (PSB), Dr. Gian (PSDB), Elias Vaz (PSOL), Thiago Albernaz (PSDB) e Dra. Cristina (PSDB).
A base aliada é a maioria, mas até vereadores do PT, partido do prefeito, votam contra matérias do prefeito Paulo Garcia, como em relação ao veto sobre a redução da carga horária de servidores da saúde. Os vereadores Djalma Araújo e Felizberto Tavares votaram contra o veto do prefeito que impediu que a carga de 20 horas semanais fosse concedida a outros profissionais da saúde.
O vereador Felisberto Tavares (PT), declarou que faltou diálogo na matéria do veto sobre a redução da carga horária dos servidores. “Não ficamos seguros na votação. Tudo deve ser discutido e queremos oportunidade de diálogo. Sou sindicalista e defendo os trabalhadores”, afirma.
Ele nega que o evento tenha significado algum racha ou rebeldia, mas necessita de um diálogo melhor e não está vendo ainda movimentação para isso. “Fui eleito pelo povo, não posso votar sem dar explicação para a sociedade. Acho que a nossa linha tem tudo para dar certo, estou bem aberto, respeito o prefeito Paulo Garcia e acredito que ele dará oportunidade de mais diálogo”, esclarece.
Quanto ao trabalho da líder do prefeito, Célia Valadão (PMDB), o vereador diz que não vê a líder fazer ainda uma aproximação para melhorar o posicionamento no Legislativo.
Sobre a declaração do presidente do PT de Goiânia, deputado Luis Cesar Bueno, de que a direção partidária não vai aceitar “vereadores petistas dissidentes”, o vereador acredita que ele entendeu a votação.
Para o vereador Tayrone di Martino (PT), não existe falta de unidade no paço e essa situação é normal da administração pública. “Sempre vou votar em favor de Goiânia e para o bem da população, se houver uma matéria que não seja boa para a cidade, vou chamar o prefeito e conversar”, afirmou.
O vereador Djalma Araujo (PT) foi ameaçado pelo presidente do PT metropolitano, Luis Cesar Bueno, de sofrer punição partidária caso não vote nas matérias conforme o desejo do prefeito. Em sua página no twitter, Djalma se defendeu e reagiu: “Fui um dos primeiros em defender a aliança PT e PMDB, que levou o prefeito Paulo Garcia a reeleição. Sempre defendi os projetos do Executivo nesta casa. Sou um parlamentar que penso no bem comum, e não parlamentar robô. E sim, legislo preocupado com os trabalhadores. Não é em vão que fui eleito para o meu sexto mandato”.
Sobre o voto, Djalma destacou à reportagem do DM que foi uma questão pontual, pois tinha compromisso com a categoria de trabalhadores. Para ele, os projetos mais polêmicos devem ser discutidos antes de chagar na Câmara. “Quero continuar ajudando o prefeito Paulo Garcia, buscando unidade e aprovação de projetos importantes do Legislativo. O PT tem que ter uma posição mais firme e vejo que nosso deputado pouco faz para defender as teses partidárias”, afirma o deputado.
A líder do prefeito, Célia Valadão, disse que o trabalho para manter coesa a base de Paulo Garcia no Legislativo já vem sendo feito e que ela está dando continuidade com tranquilidade. “Tenho conseguido manter o diálogo com tranquilidade e muita transparência”, afirma.
Esta semana, o prefeito vetou quase todas as emendas apresentadas pelos vereadores ao Orçamento de 2013 e a Casa manteve os vetos pelo placar 21 a 6. Outros vereadores não aprovaram a decisão, como Elias Vaz (PSOL), Virmondes Cruvinel (PSD) e até o vereador Paulo Magalhães (PV), que é a da base aliada de Paulo Garcia e reconheceu a necessidade de uma reunião para tratar o assunto.