Sucessão: Paulo Garcia articula candidatura
Publicado 17/02/2013
Apesar de evitar falar publicamente do assunto, o prefeito Paulo Garcia (PT) é apontado como um dos pré-candidatos da oposição na disputa pelo governo em 2014. Membros de seu partido e da oposição enxergam em suas ações no início do segundo mandato um sinal de que o petista está se preparado, de fato, para um provável embate direto com o governador Marconi Perillo (PSDB). No entanto, a viabilização da candidatura depende do enfrentamento de desafios administrativos (veja quadro) e políticos que precisam ser vencidos em pouco mais de um ano.
Mesmo com o discurso oficial, replicado pelo próprio prefeito e outras lideranças da oposição, a formação da nova equipe do Paço Municipal, que abrigou todas as tendências do PT, garantiu espaço para o PMDB e agregou outras siglas é encarada como um sinal claro das intenções de Paulo, afirmam petistas e peemedebistas nos bastidores.
Os embates que o prefeito teve no início do ano com o governo estadual também são vistos uma demonstração de que Paulo está disposto a enfrentar Marconi. Em um contexto onde o governistas interferiam na eleição da mesa diretora da Câmara de Goiânia, a Prefeitura deu início ao processo de retomada das concessões de água e esgoto para o município.
Marconi disse à época que a proposta de retirada dos serviços das mãos da Saneago era reflexo do “calor das emoções”. “É bom o governo trabalhar para esfriar as emoções”, respondeu Paulo Garcia. “Neste mandato, vou dançar conforme a música. Se eles (o governo) colocarem música lenta, eu danço de forma lenta. Se colocarem música pesada, eu sigo o ritmo”, completou em entrevista ao POPULAR mo dia 1° de janeiro, quando tomou posse com um discurso cheio de alfinetadas direcionadas à administração marconista.
Ao analisar o início de polarização entre as duas lideranças, a cúpula petista entendeu que, mais importante do que o posicionamento político, o Paço Municipal precisa mostrar serviço aos goianiense caso queria emplacar uma candidatura ao governo no próximo ano. Mesmo descartando a necessidade de cumprimento de todas as promessas de campanha até 2014, é o prefeito precisa mostrar serviço e garantir a aprovação dos eleitores goianienses.
Entre os gargalos estão a retomada de obras paradas e ações que melhorem o trânsito, dentro dos conceitos de mobilidade e cidade sustentável, que deram o tom de sua reeleição e a prestação de serviços básicos de qualidade. Existem grandes demandas, por exemplo, por vagas em CMEIs e por atendimento mais eficiente nas unidades de saúde. “Ele não precisa fazer o que prometeu em um ano. Mas ele precisa deixar a cidade com um certo bem-estar. Ele tem que estar numa situação confortável. Sendo assim, o cenário político será favorável”, afirma um membro da oposição.
Presidente do PT em Goiânia, o deputado estadual Luis Cesar Bueno prefere não apontar um só pré-candidato da oposição e cita, além de Paulo, que os prefeitos Antônio Gomide (Anápolis) e Maguito Vilela (Aparecida de Goiânia), do PMDB estão no páreo ao lado de outros membros da oposição. O parlamentar concorda, entretanto, que o Paço Municipal precisa mostrar serviço para gabaritar a oposição para as eleições estaduais e evitar o embate antecipado (leia reportagem nesta página). “O momento agora é de administrar Goiânia. Fazendo isso, ele com certeza é um nome que no momento certo será lembrado”, disse.
O discurso é semelhante ao do secretário de Governo do Paço, Osmar Magalhães (PT), um dos auxiliares mais próximos de Paulo Garcia. “Não estamos pensando nisso (na candidatura) agora. Estamos pensando em administrar Goiânia. Agora, se estão lembrando do nome dele, é sinal de que estamos no caminho certo, fazendo um trabalho bem feito”, disse o secretário.
Presidente aposta em contraponto
(C.H.S)17 de fevereiro de 2013 (domingo)
Deputado estadual e presidente do PT em Goiânia, Luis Cesar Bueno defende que o partido não deve “entrar no clima de eleições antecipadas”. “Se depender deles (do governo estadual), faremos isso, mas 2013 não é ano de pensar em eleições. É ano de fazermos boas administrações”, afirma.
O petista aponta que, ao comandar as maiores cidades do Estado, o bloco contrário ao governador Marconi Perillo (PSDB) tem condições de fazer um contraponto administrativo.
1.278936
Petista seria nome para unir a oposição
17 de fevereiro de 2013 (domingo)
Apesar do discurso de candidatura própria, setores do PMDB já consideram que, se conseguir provar que é um bom administrador, o prefeito reunirá condições políticas mais favoráveis do que a de outros nomes para aglutinar a oposição. “Marconi acumulou um desgaste muito grande e é uma eleição onde poderá se repetir o que aconteceu quando o Iris foi derrotado. Precisamos trazer um nome novo e o Paulo pode representar essa figura melhor do que outros nomes”, diz um peemedebista.
O mesmo integrante da cúpula da maior sigla de oposição em Goiás afirma que uma outra condicionante é a união de toda a oposição, tida como necessária para a formação de uma chapa competitiva e que tenha condições de vitória em 2014. “O PMDB abriria mão pela união, porque sabemos que é difícil lideranças como Vanderlan Cardoso, que saiu recentemente do partido (e confirmou filiação ao PSC), apoiar um nome nosso. Com o PT é mais fácil isso acontecer”, afirma ele que aponta a união como outro desafio para os petistas e condicionante essencial para a vitória, que não têm grande capilaridade no interior de Goiás.
Em entrevista recente Vanderlan tem dito que é difícil seu grupo, próximo do DEM de Ronaldo Caiado, se alinhar com o PT e PMDB no primeiro turno das eleições estaduais. No caso de José Batista Júnior (PSB), dizem oposicionistas, a negociação é mais fácil.