Senado convicto de CPI para apurar envolvimento de Cachoeira com Parlamentares, em GO Luis Cesar Bueno já tem 13 assinaturas
Publicado 11/04/2012
Para apurar o envolvimento do empresário Carlinhos Cachoeira com autoridades políticas o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Marco Maia (PT-RS), está convicto de que a CPI Mista na Câmara será instalada em conjunto com o Senado Federal.
Após reunir-se com o presidente do Senado, José Sarney, Marco Maia adiantou que a CPI Mista será instalada para investigar o que ele chamou de “Estado paralelo” em relação às ligações de parlamentares com figurões dos jogos ilegais. “Vamos convocar deputados que não serão candidatos nas eleições municipais”, disse Maia sobre a composição da CPI. A estratégia é evitar que a disputa eleitoral interfira no andamento da Comissão de Inquérito.
O presidente da Câmara disse ainda que a instalação da CPI não vai paralisar o Congresso Nacional. “A pauta vai andar normalmente, a CPI não interfere”, afirmou Maia.
O próximo passo é encaminhar o requerimento no Senado, para que a Comissão seja instalada em conjunto com a da Câmara, onde parlamentares da base do governo já se articularam no recolhimento de assinaturas para criar a CPI.
O caso virou assunto de CPI depois da ampla divulgação na mídia de que o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO) mantinha negócios ilícitos com o empresário que controlava a rede de jogos ilegais em Goiás.
Cachoeira é acusado de explorar jogos ilegais e de montar uma rede de tráfico de influência que inclui agentes públicos e políticos, especialmente no estado de Goiás. Ele foi preso na Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Goiás
Em Goiás, o deputado Luis Cesar Bueno (PT) apresentou requerimento pedindo a instalação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar o envolvimento das autoridades constituidades do Estado com o crime organizado e os reflexos na segurança pública.
O parlamentar já conseguiu 13 assinaturas das 14 necessárias para protocolar, são elas: Luis Cesar Bueno, Mauro Rubem, Humberto Aidar e Karlos Cabral, ambos do PT, Isaura Lemos (PSCdoB), Francisco Gedda (PTN), Wagner Guimarães, Bruno Peixoto, Daniel Vilela, Luiz Carlos do Carmo, Paulo César Martins, Nélio Fortunato e José Essado, ambos do PMDB.
Segundo o deputado estadual, a intenção da CPI é saber ao certo quais são as ramificações dentro do aparelho estatal da estrutura criminosa montada por Carlinhos Cachoeira. Ele acredita que isso pode ter colaborado para o aumento da criminalidade no Estado.
Inquérito da Polícia Federal (PF) da Operação Monte Carlo, aponta que as polícias Civil e Militar estavam a serviço de Cachoeira para a abertura e fechamento de bingos. “Estamos diante de um mega escândalo”, avaliou o petista. “As investigações da Polícia Federal indicam pelo menos 89 pessoas envolvidas, entre eles estão políticos e membros do Estado. Precisamos saber até que ponto vai isso”, complementou.
Na semana passada, surgiram revelações de que Carlinhos Cachoeira teria um vínculo com o então presidente do Departamento de Trânsito em Goiás (Detran-GO), Edivaldo Cardoso. Ele pediu exoneração do cargo. A chefe de gabinete do governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB), Eliane Pinheiro, também pediu para se desvincular do executivo após ser flagrada em conversas telefônicas com Cachoeira. Nas conversas, ela falava sobre operações da Polícia Federal de Goiás com Cachoeira.