PT se arma para outubro

Publicado 05/02/2012

 Com o PMDB como aliado preferencial, o PT quer reeleger, em outubro de 2012, os prefeitos Paulo Gar­cia, de Goiânia, e Antônio Roberto Gomide, de Anápolis, além de conquistar, com o de­putado estadual Karlos Ca­bral, a Prefeitura de Rio Ver­de. A legenda controla, hoje, no Estado, 13 municípios. “A estratégia é dobrar esse número”, diz o líder da bancada petista na Assembleia Le­gislativa, Luis Cesar Bueno.

Com dois deputados federais — Rubens Otoni e a suplente Marina Sant’Anna —, quatro estaduais — Luis Cesar, Karlos Cabral, Hum­berto Aidar e Mauro Rubem —, 16 vice-prefeitos, 99 vereadores, a sigla está instalada em 243 cidades goianas, com 198 diretórios municipais, 45 comissões provisórias e 47.649 filiados. Os dados são de Neusa Borges, secretária da legenda. Goiás possui 246 municípios.

“O centro da tática é a reeleição de Paulo Garcia”, diz ao Jornal Opção o vereador Djalma Araújo. O vice será do PMDB, informa o parlamentar. As opções do aliado são Wagner Siqueira Júnior, deputado estadual e presidente do PMDB na Capital; Samuel Belchior, secretário de Go­verno Municipal; e Iram Sa­raiva Júnior, presidente da Agência Municipal de Obras (Amob), filho de Iram Saraiva, presidente da Câmara de Ve­readores de Goiânia.

Depois de repaginar o la­yout da comunicação e marketing da Prefeitura de Goiânia, com o publicitário Renato Monteiro, da Agência Can­tagalo, e abrir um pacote de obras e serviços, Paulo Garcia consolidou a aliança com o PMDB e fechou acordos políticos e eleitorais com PDT, PSB, PR, PRB, PTN, PSC. Mais: sua engenharia política obteve maioria tranquila no plenário da Câmara Municipal. O vereador Agenor Mariano (PMDB) é seu líder.

Apesar de o G-10 – grupo de vereadores que faz oposição ao Paço Municipal — denunciar suposto “rolo compressor” em plenário, e o solitário Elias Vaz (PSOL) utilizar com frequência a tribuna para acusar supostas irregularidades administrativas na Prefeitura de Goiânia e acionar o Ministério Público Estadual, Paulo Garcia não têm tido dificuldades no relacionamento com o Poder Le­gis­lativo. Por enquanto.

Anápolis

Com maioria na Câmara, o petista Antônio Roberto Go­mide, irmão do deputado Ru­bens Otoni, quer ampliar o leque de aliados políticos e eleitorais, admite ceder a vice ao PMDB e aguarda a definição do seu adversário nas urnas de outubro. O PSDB, do governador Mar­coni Perillo, possui, hoje, duas opções: Fernando Cunha, vereador, e Alexandre Baldy, secretário de Estado de Indústria e Comércio. Definição em junho.

O cenário político na cidade é complexo. Marconi tem musculatura na Manchester Goiana, registrado nas eleições de 1998, 2002 e 2010. Mas os seus aliados, não. “Já Antônio Roberto, após os desastres administrativos de Adhemar Santillo, Ernani de Paula e de Pedro Sahium, fez uma gestão moderna e eficiente, sem escândalos políticos. Com isso, mantém elevados índices de aprovação popular”, informa Luis Cesar Bueno.

Rio Verde é o sonho de consumo dos cardeais petistas. Até do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo para “afastar da legenda a imagem de um partido sectário, radical com ligação com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)”, criada a partir de 1984. A alternativa para ganhar a prefeitura local é o deputado estadual Karlos Cabral. Ele assume, dia 15 de fevereiro, o cargo de líder da bancada na AL.

Animado, Cabral quer ao seu lado o ex-deputado estadual Wagner Guimarães (PMDB). “Ele (Wagner) pode até ser o candidato a prefeito”, afaga o aliado. “2012 é o primeiro tempo de um jogo que acaba em 2014, com as eleições ao Palácio das Esmeraldas e à Presidência da República”, frisa o parlamentar petista. Segundo ele, as oposições têm três nomes ao Governo de Goiás: Vanderlan Cardoso (PMDB), Júnior do Friboi (PSB) e Rubens Otoni (PT).

Por seu valor simbólico, o PT quer ganhar também as eleições em Buriti Alegre. Prefeito, João Alfredo é aliado do ex-tesoureiro nacional da sigla Delúbio Soares de Castro, réu no processo do mensalão do PT. Luis Cesar Bueno conta que o PT espera ampliar o número de vices — Aparecida de Goiânia compõe a lista; Helvecino Moura é o nome, assim como Olavo Noleto — e dobrar a representação nas câmaras municipais. ”Exército para 2014.”

Alianças

Adversários em 2008, PT e PMDB devem ser aliados em 2012 em Aparecida de Goiânia. O prefeito Maguito Vilela admite ceder a vice ao aliado local da presidente Dilma Rousseff. O acordo pode não dar certo em Catalão. O PT resiste a Velomar Rios e a Adib Elias, mas pode ser enquadrado pela direção estadual. Em Luziânia, tanto PT quanto PMDB querem a cabeça-de-chapa. Em Trindade, o PT, para manter a tradição, está dividido.   

Entenda as facções do PT

A tendência PT Pra Vencer é, hoje, o principal agrupamento da legenda em Goiás. Ela é controlada pelo deputado federal Rubens Otoni. De linha moderada, é integrada pelo prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, além do deputado estadual Humberto Aidar e da vereadora Cidinha Siqueira.

A facção Articulação Unidade na Luta é a segunda em importância estratégica na sigla. O seu principal nome é o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. Além dele, compõem o grupo a secretária municipal de Educação, Neyde Aparecida, o secretário municipal Osmar Magalhães, e Delúbio Soares.
 
Movimento Cerrado possui quatro nomes de expressão dentro da legenda na Capital: a deputada federal Marina Sant´Anna, o ex-prefeito de Goiânia e ex-deputado federal Pedro Wilson Guimarães, o secretário da Casa Civil, Olavo Noleto, e o secretário municipal Sérgio Alberto Dias. 
 
O líder da bancada na Assembleia Legislativa e presidente do PT em Goiânia, Luís Cesar Bueno, dirige oMovimento PT. É de seu grupo o presidente da Agência Municipal de Trânsito (AMT), Miguel Tiago. OMAIS – Mensagem ao Partido – é dirigido por Igor Campos e Tales de Castro. O Trabalho, por Humberto Clímaco. (R.D.)
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