Paulo reaglutina PT de olho em 2014
Publicado 24/02/2013
As ambições do PT para 2014 podem ser medidas na composição da equipe de governo da prefeitura de Goiânia. Ao anunciar os nomes no início de janeiro, o prefeito Paulo Garcia (PT) aumentou o número de cargos do partido justamente para contemplar as tendências internas da legenda. A intenção foi dar espaço para todas as alas e criar unidade na sigla, que almeja papel decisivo no pleito estadual do próximo ano.
A tendência Articulação, da qual o prefeito faz parte, ficou com o maior número de cargos (veja quadro) em comparação com as outras. Ainda assim, o espaço dado aos grupos restantes foi considerado satisfatório, e agradou os outros grupos internos do PT. Mesmo as tendências minoritárias do partido, que não foram contempladas com cargos no primeiro escalão, devem ser agraciadas com outros postos.
A união da legenda é o primeiro passo para um possível projeto eleitoral petista, que vê em Paulo Garcia a sua maior possibilidade para liderar a chapa majoritária da oposição em 2014. Motivado pelo bom desempenho eleitoral em 2012, o petista alimenta o sonho de ser candidato ao governo. “Para termos força, precisamos estar unidos e PT está unido”, defende o presidente do diretório regional do PT, Valdi Camarcio.
Confirmada a união interna resultante da distribuição de cargos, o segundo passo em direção a 2014 é consolidar a gestão na capital. Por isso, há um claro objetivo de unir esforços dos petistas para aproveitar o desempenho na administração e moldá-la como um espelho da capacidade de administração da legenda.
Estratégia
Para reforçar a união petista, foram contempladas até tendências cujos membros têm ou tiveram relacionamento difícil com Paulo Garcia. Vereador em Goiânia, Djalma Araújo conseguiu emplacar dois nomes no primeiro escalão, mesmo tecendo críticas à prefeitura em momentos da administração.
Na legislatura passada, Djalma, que foi reeleito em 2012, chegou a ser líder do prefeito na Câmara dos Vereadores, mas deixou a posição em 2011, quando discordou publicamente da prefeitura, que manteve a compra de brinquedos para o Parque Mutirama. Na época, a aquisição dos equipamentos foi colocada sob suspeita de superfaturamento. A tendência da qual Djalma faz parte, apesar disso tudo, conseguiu a pasta de Políticas para as Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida, que ficou a cargo da ex-vereadora Cidinha Siqueira, e a de Fiscalização, que foi dada a Allen Viana.
Da mesma forma, houve uma reaproximação com o Movimento Cerrado, que é uma dissidência da Articulação de Paulo Garcia. O grupo conquistou uma pasta de importância na prefeitura, que é a presidência da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). O ex-prefeito de Goiânia, Pedro Wilson, que é um dos principais membros da tendência, ao lado da deputada federal Marina Sant´anna, foi o escolhido para comandar o cargo.
O Movimento Cerrado, porém, também foi contemplado na Câmara de Vereador. No Projeto de Lei da reforma administrativa enviado à Câmara, o prefeito transformou a Agência Municipal de Tecnologia e Inovação (Amtec) em secretaria. Com isso, o vereador Paulo Borges (PMDB) deverá assumir a pasta, dando oportunidade ao suplente de vereador Serjão (PT), aliado de Wilson e Sant´anna, assumir o mandato.
Por causa disso é que o processo de escolha dos nomes da equipe de Paulo Garcia pode ser considerado tranquilo. “O PT vive hoje o seu melhor momento político-administrativo, de aceitação popular e de união interna. A composição da equipe de governo em Goiânia é um reflexo de um processo de amadurecimento de todas as lideranças do partido”, analisa o deputado federal Rubens Otoni.
Administração
Passado o período de formação da equipe, a intenção agora é acelerar a administração. Um dos contemplados de Paulo Garcia, o secretário de Administração Valdi Camarcio, integra a tendência PT para Vencer, da qual faz parte também Rubens.
Eleito para a presidência do PT em 2009, o secretário foi elogiado pelo deputado federal petista, que creditou a união interna petista ao trabalho desenvolvido pelo dirigente. “É um trabalho de defesa do partido, de defesa dos companheiros independente de qual tendência. Tivemos decisões difíceis, mas decidimos por consenso e vamos trabalhar para vencer em 2014 com o candidato do PT, do PMDB ou do PSB”, destaca Valdi.
Embora o presidente do diretório regional do PT seja diplomático para tratar das chances dos partidos de oposição para 2014, o fato é que os petistas acreditam que o partido mereça ter a cabeça de chapa. Na visão deles, as vitórias nas urnas em Goiânia e Anápolis, respectivamente primeiro e terceiro maiores colégios eleitorais de Goiás, são fatores de peso que dão a primazia ao partido na corrida pelo Palácio das Esmeraldas.
PMDB
Nesse sentindo, por comandar Goiânia, que responde por aproximadamente 30% do eleitorado do Estado, o nome de Paulo Garcia surge como uma possibilidade para 2014. Assim, a intenção do prefeito da capital seria a de que a coalizão petista conseguisse, além de fazer uma boa administração, se unir em torno do nome dele.
Caso isso aconteça, deve entrar em cena a segunda parte do projeto para 2014, que é convencer os peemedebistas a apoiarem mais uma vez o PT. Paulo Garcia é hoje muito próximo do ex-prefeito Iris Rezende e, nos bastidores, comentasse que o seu nome seria o único, fora do PMDB, que Iris poderia apoiar em uma futura chapa para o governo. Isso dá vantagem a Paulo em relação a qualquer outro petista.
Por isso, inclusive, que o petista também se preocupou em contemplar o PMDB na formação da equipe de governo. No primeiro momento, os peemedebistas chegaram a reclamar da diminuição de cargos, mas o prefeito conseguiu aparar as arestas, mantendo a boa relação com os aliados.
União entre tendências é recente
A composição da equipe do prefeito de Goiânia em 2012 marca um processo diferente das eleições municipais de 2008, quando as tendências internas do PT divergiram sobre a coligação com o PMDB para a disputa da prefeitura da capital. Na época, o prefeito Iris Rezende procurou os petistas, que se dividiram quanto ao apoio ao peemedebista.
A tendência Articulação foi a única a aceitar com mais facilidade a abordagem do então prefeito da capital. Os integrantes do grupo petista tinham apoio da executiva nacional, que defendia a união com o PMDB para ajudar a pavimentar o caminho de uma parceria pela presidência da República.
Já tendências como PT para Vencer, Tendência Marxista, atualmente Esquerda Popular Socialista, e o Movimento Cerrado, defendiam nomes próprios e tinham como pré-candidatos os deputados estaduais Humberto Aidar, Mauro Rubem e a vereadora Marina Sant´anna.
Aidar e Marina eram os grandes opositores da aliança com o PMDB. O primeiro, que é amigo pessoal do governador Marconi Perillo (PSDB), era um opositor ferrenho da administração de Iris na prefeitura de Goiânia à época. Já a então vereadora integrava uma tendência formada a partir de uma dissidência da Articulação, principal grupo de apoio à coligação com os peemedebistas.
Um dos motivos da dificuldade de aceitação foi o processo conturbado da escolha do vice na chapa de Maguito Vilela ao governo, em 2006. Houve negociações para que o PT ficasse com o cargo, mas, de última hora, o peemedebista teria recusado a indicação do nome de Valdi Camárcio.
O deputado estadual Luís César Bueno, em entrevista à Tribuna em 2007, classificou o processo de “chaga aberta”. "Maguito negou aliar-se ao PT para ouvir um diretório fragmentado, como é o de Anápolis […]. Nós fomos menosprezados", disse o petista, à época. Ainda assim, o petista era um dos favoráveis à aliança, mesmo com críticas a Iris Rezende. A negativa de Vilela afastou o PT, que acabou apoiando a candidatura do então deputado federal Barbosa Neto (PSB) ao Palácio das Esmeraldas.
Mesmo com grande parte do PT contrário à aliança com Iris Rezende, a Articulação trabalhou duro internamente e conseguiu, por dois votos, a vitória durante as prévias do partido. O PT, assim, se aliou com o PMDB em 2008, começando uma parceria que, de lá para cá, só se estreitou. (D.G.)
Tendências do PT com cargos na prefeitura de Goiânia
Criado em 1980, o PT nasceu dentro da união dos movimentos sindical e de esquerda que existiam no país à época. Desde a fundação, o partido aglutinou muitas correntes ideológicas, que acabaram se tornando tendências. Em Goiás, a organização interna da legenda segue o formato nacional, com diferentes grupos convivendo simultaneamente. No passado, os goianos sofreram com as divergências, mas, nos últimos tempos, houve maior unidade, fortalecendo a sigla no Estado.
Articulação
* Integrantes: Paulo Garcia (prefeito de Goiânia), Carlos Soares (vereador) Neyde Aparecida e Osmar Magalhães;
* Cargo na prefeitura de Goiânia: Neyde Aparecida (secretária de Educação), Osmar Magalhães; (secretário de Governo), Nelcivone Melo (secretaria de Desenvolvimento Sustentável), Paulo de Tarso (Comurg), Adriana Accorsi (Defesa Social);
Movimento Cerrado
* Integrantes: Pedro Wilson, Marina Sant´Anna (deputada federal), Olavo Noleto (subchefe de assuntos federativos da Secretaria de Relações Institucionais);
* Cargo na prefeitura de Goiânia: Pedro Wilson (Agência Municipal de Meio Ambiente), Cristina Laval (Instituto de Assistência do Servidor);
PT pra Vencer
* Integrantes: Rubens Otoni (deputado federal), Humberto Aidar (deputado estadual), Valdi Camarcio (presidente do diretório regional do partido);
* Cargo na prefeitura de Goiânia: Valdi Camarcio (secretário de Administração), Jairo Gomes (Parque Mutirama);
Movimento PT
* Integrantes: Luís César Bueno (deputado estadual), Miguel Tiago;
* Cargo na prefeitura de Goiânia: Maristela de Alencar Bueno (secretária de Assistência Social);
Vanguarda
* Integrantes: Djalma Araújo (vereador);
* Cargo na prefeitura de Goiânia: Cidinha Siqueira (Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida), Allen Viana (Fiscalização);
Esquerda Popular Socialista
* Integrantes: Mauro Rubem (deputado estadual), Pinheiro Salles;
* Cargo na prefeitura de Goiânia: Ana Rita Marcelo de Castro (Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial);