Os puxadores de voto

Publicado 14/07/2012

 Nomes já conhecidos pelo eleitorado da capital terão de disputar voto a voto com novos postulantes a ocupar assentos no Legislativo de Goiânia

Frederico Vitor

A campanha eleitoral já ganha as ruas, e as eleições ao Legislativo mu­nicipal poderá ser definida pelos tradicionais puxadores de votos. Nomes já conhecidos e novos personagens na política disputarão a atenção e o voto do eleitorado goianiense até o dia 7 de outubro. Com o endurecimento da legislação eleitoral e com o desgaste da classe política causada por escândalos, como o caso Carlinhos Cachoeira, o pleito de 2012 não deve empolgar os eleitores acostumados ao engajamento político.

Nas últimas eleições, o vereador mais bem votado na Capital foi Bruno Peixoto, do PMDB, com 12.850 votos. Em 2010 o peemedebista migrou para Assembleia Legislativa também conquistando ótimo desempenho nas urnas. A mesma mudança de parlamento também ocorreu com o segundo mais bem votado, hoje, o deputado estadual e candidato a vice de Jovair Arantes (PTB) à Prefeitura de Goiânia, Francisco Júnior. Na época, o candidato da Renovação Carismática Católica foi eleito com 11.462 votos.

Quem também tomou o mesmo rumo foi Daniel Vilela, filho do ex-governador e prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, que teve direito a uma vaga na Câmara Municipal graças aos 8.283 votos conquistados. Túlio Maravilha, do mesmo partido, obteve o voto de 10.401 eleitores. Contudo, o artilheiro vilanovense renunciou ao mandato devido à incompatibilidade de agendas de vereador e jogador.

A única campeã de votos que fará nova campanha à reeleição é Tatiana Lemos, do PCdoB, eleita em 2008 com 10.182 votos. Filha da deputada estadual e candidata a Prefeitura de Goiânia Isaura Lemos (PCdoB), e do ex-deputado estadual e vereador Euler Ivo, políticos ligados ao movimento popular pela moradia, poderá repetir o bom desempenho eleitoral neste ano.

Outros velhos conhecidos do eleitorado mais uma vez serão candidatos e entrarão na brigar por uma fatia do bolo eleitoral. Anselmo Pereira, do PSDB, por exemplo, poderá se reeleger pela oitava vez. O vereador veterano não gosta da alcunha de “puxador de voto”, e prefere ser conhecido como um político “experiente”. Para ele, essa será uma eleição atípica, com menor participação de segmentos sociais, principalmente do setor empresarial. “Há uma apatia geral por parte do eleitor.”

Djalma Araújo, vereador bastante tarimbado, aposta no trabalho das últimas legislaturas como garantia do sexto mandato. O petista também prevê o acanhamento das campanhas suntuosas e sofisticadas. Ele que é tradicionalmente bem votado no Setor Itatiaia, região norte da Capital, também tem como reduto eleitoral a categoria dos taxistas, garçons e guardas municipais. “Será difícil levantar estrutura financeira nesse ano. Serão eleitos aqueles que tiverem mais currículo e trabalhos concretos apresentados à população.”

É unânime a afirmação de que a empreitada eleitoral deste ano será diferente das demais.  O termo “campanha franciscana” nunca foi tão empregado como agora pelos candidatos. Clécio Alves (PMDB), por exemplo, que no último pleito conseguiu levantar 6.336 votos, aposta em um modo diferente de ser fazer política, que segundo ele o elegerá novamente. “Meu gabinete é ao lado da minha casa, no bairro, fazendo trabalhos para o povo. Sou um candidato bairrista, sirvo a região oeste, ao Bairro Industrial João Braz”, enfatiza.

A chapa proporcional composta por PT e PMDB terá 70 candidatos. O chamado “chapão” constituído pelo PTB, PSDB, PSD e PTC deve lançar 280 postulantes a vereador. Do lado da base de sustentação ao prefeito Paulo Garcia na Câmara, vários tentarão a reeleição. Paulo Borges, Célia Valadão, Clécio Alves e Izidio Alves, todos do PMDB, são os puxadores de votos da legenda de Iris Rezende.

No lado da oposição, além de Anselmo Pereira, os vereadores tucanos Maurício Beraldo  e Dr. Gian. Virmondes Cruvinel Filho e Santana Gomes, ambos do PSD, vão tentar a terceira reeleição. Virmondes espera o crescimento da bancada do PSD e dos demais partidos da oposição. “Acredito na renovação de 30% do plenário. As campanhas do PSD serão franciscanas e de pés no chão”, avalia. 

Renovação

Novos postulantes à Câmara Municipal surgem no cenário e prometem disputar votos com vereadores já experimentados. Do PT, um dos franco favoritos é o ex-assessor de imprensa do prefeito Paulo Garcia e ligado ao padre Robson de Oliveira, Tayrone di Martino. Bastante articulado em igrejas e em associações de bairro, tem boa oratória e desenvoltura dentro do PT. “Não quero instrumentalizar a Igreja nem minha amizade com padre Robson. Sou um candidato de projetos”, assegura.

Carlos Soares, irmão de Delú­bio Soares, ex-tesoureiro do PT e réu no julgamento do escândalo conhecido como mensalão, tentará pela segunda vez uma vaga na Câmara. Vereador suplente por alguns meses, ex-secretário Extraordinário de Regularização Fun­diária do Município de Goiânia, é integrante do Grupo Renovação, de Osmar Magalhães e Neyde Aparecida. Outro que espera ser eleito com boa votação é o ex-presidente da Agência Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (AMT) Miguel Tiago, que terá apoio do deputado estadual Luis Cesar Bueno.

Uma das promessas de renovação do PMDB é Pedro Hen­rique Lira, ex-presidente da Agên­cia Municipal de Meio Ambiente (Amma). Jovem e muito benquisto pelas lideranças do partido, deve receber apoio do presidente do diretório municipal e deputado estadual Wagner Siqueira. Outro que já teve passagem pela Câmara Municipal e detém enorme prestígio entre as camadas populares em Goiânia é o radialista Car­li­nhos do Esporte. Se ele conseguir reverter em votos os números de seguidores e amigos de suas redes sociais, certamente terá uma vaga garantida.

Do lado da oposição, surge o nome de Thiago Albernaz, neto do ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz. Ele, que é presidente do PSDB Jovem, é apontado, ao lado de Igor Franco, como as novas promessas tucanas na Capital. Outro que integra o grupo de renovação do partido é Bruno Perillo, primo e apoiado pelo governador Marconi. No caso de Thiago o sobrenome e a ligação sanguínea com um dos maiores ícones político da cidade, seguramente, poderá favorecê-lo. “O nome de meu avô tem grande aceitação em Goiânia, e ele está comigo fazendo visitas e articulando apoio.”

Outros aspirantes a legisladores querem se juntar a Virmondes e Santana Gomes na bancada do PSD na Câmara. O filósofo Ro­berto Ricardo, ligado à  Renovação Carismática Católica, tem a bênção de Francisco Júnior. Marcelo Albuquerque, jornalista e apadrinhado pelo deputado federal Armando Vergílio, também é candidato com forte apelo entre o eleitorado jovem. Ana Carla de Castro, filha do ex-prefeito de Goiânia Chiquinho de Castro, quer focar na campanha digital, ou seja, em um exército virtual de cabos eleitorais no Facebook e no Twitter.

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