Oposição diminui na Assembleia

Publicado 17/10/2012

 Com a perda de três deputados para a base de apoio governista, oposição fica ainda menor, mas garante que vai continuar a fazer barulho

A base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB), que já não era pequena, ganhou três novas adesões na As­sem­bleia Legislativa. Os deputados Evandro Magal (PP), Isaura Lemos e Misael Oliveira, am­bos do PDT declararam apoio ao governo estadual e trocaram a oposição pela situação.
Magal, que foi líder do go­ver­no Alcides Rodrigues em 2009 e 2010,  saiu do PSDB pa­ra o PP, levado pelo então governador, quando começou a se afastar dos tucanos. No entanto, desde que voltou ao Legislativo, Magal não se definiu nem como oposição nem como situação.
A declaração de apoio do PP, liderado por Roberto Ba­les­tra, ao governador, permitiu que Magal voltasse ao "ninho tu­cano". Embora te­nha sido bem recebido por alguns colegas, como o vice-presidente da Ca­sa, Fabio Sousa (PSDB), o de­pu­tado foi alvo de várias críticas.
O líder do governo, Helder Va­lin (PSDB), também se mostrou favorável à adesão de Ma­gal. Segundo ele, o colega se­guiu a orientação de seu partido e isso deve ser valorizado. "Te­ve gente do PT e do PMDB que apoiou o ex-governador Alcides Rodrigues (PP) por seguir ordem do partido, o que é justo, por isso não vejo problema em Evandro Magal a­go­ra apoiar o governo Marconi, já que o seu PP está oficialmente do nosso lado", afirmou.
Marconista de primeira linha, o deputado Claudio Mei­rel­les (PR) ironizou o colega. "Magal é um deputado sempre fiel a quem está no Governo". Sem citar nomes, Meirelles falou também que outros de­putados da oposição estariam interessados em mudar de lado e apoiar o governador. No en­tanto, elogiou Francisco Gedda (PTN), que segundo ele, merece respeito por seu posicionamento na oposição.

PDT
A ida dos pedetistas para a base governista não foi uma de­­cisão de bancada, pelo me­nos é o que afirma Misael Oli­vei­ra. O deputado, que já a­poi­a­va o governo estadual, somente oficializou seu posicionamento. Segundo ele, a presi­den­ta do partido, Flávia Mo­rais, pediu que essa não fosse uma declaração partidária e sim pessoal. "Flávia pediu que fosse um apoio dos deputados e que nenhum dos deputados falasse em nome do partido".
Além do PDT fazer parte da base de sustentação da presidenta Dilma Rousseff (PT) em Goiás, Flávia não possui uma boa relação com o governador, desde quando assumiu a secretaria de Cidadania no governo Al­cides. Depois de migrar do ni­nho tucano, Flávia sofreu um processo para que perdesse sua vaga na Casa.
Misael acredita que sua relação com o governo permanece inalterada e que embora esteja na base, continuará fiscalizando e cobrando do Execu­tivo. "Coloquei isso para o líder do governo", garante. A deputada Isaura Lemos também em o mesmo argumento do correligionário. Embora, esteja negociando seu apoio ao governo, ela garante que manterá a independência na hora das votações. "Estando na base ou na oposição, a minha posição é a de votar matéria por matéria", sentencia.
Isaura afirma que ainda que estivesse junto ao bloco dos oposicionistas, nunca fez uma "oposição sistemática" ao go­verno. Segundo ela, seu grupo foi convidado pelo governador para uma conversa, já que os outros dois deputados do partido já estão na sua base de apoio. Porém, ela confirma que havia um interesse de sua parte de conversar com o governador. "Sempre entendi que deputado tem que conversar com governador".
Sobre a possibilidade de ter cargos na administração, a deputada afirma que ainda é cedo para isso e que seu apoio será nas áreas em que tem afinidade, como a habitação.  Isaura garante também que irá conversar com Flávia Morais para definir como será esse apoio. Elas devem se reunir na próxima segunda para tratar do assunto. A expectativa é que a deputada federal concorde com a aproximação, já que ela havia liberado os outros dois correligionários para fazer o mesmo.
Presente na filiação de Vanderlan Cardoso ao PMDB, candidato que apoiou em 2010, Isaura defende que não vai se afastar da base de apoio de Dilma. "Tenho muitos companheiros nesses partidos e um deles é Vanderlan. Estamos fora do período eleitoral".
Assim como o colega Ma­gal, Isaura também foi alvo de ataques por parte dos deputados da oposição que se mostraram descontentes com sua decisão.  Wagner Si­queira (PMDB) foi um dos que criticaram. Isaura afirmou que que esse tipo de reação "faz parte da democracia".

Críticos
Um dos mais críticos oposicionistas da Assembleia, o deputado Mauro Rubem (PT) não tem meias palavras para definir a adesão dos colegas ao governo estadual. Para ele "essa é a prática de cooptação do governador. Pede apoio em troca de cargos". Porém, o deputado vê algo positivo nessa articulação. Para ele, se o governo está atrás de novos nomes para sua base, é sinal de que a oposição está incomodando. "Estamos no caminho certo", garante.
Mauro acredita que ainda que seja "difícil a oposição ganhar" as votações, devido ao seu número reduzido, o objetivo é "mostrar que o governador não consegue cumprir o que prometeu na campanha". O deputado apresentou requerimento para a criação da CPI do Ipasgo para investigar os problemas financeiros da entidade. Para ele, a única alternativa para o plano é passar a gestão aos servidores.
Sobre a retirada de assinatura para a criação da CPI por E­vandro Magal, o deputado afirmou que somente na segunda, 20, será notificado oficialmente.
Além de Mauro Rubem, os pe­tistas Luis César Bueno e Kar­los Cabral seguem a linha co­locada pelo partido. Hum­berto Aidar, amigo pessoal do go­vernador, já não faz oposição há algum tempo.
Entre os peemedebistas, os discursos mais enfáticos ficam a cargo de Wagner Siqueira, Da­niel Vilela e Bruno Peixoto, que são os mais jovens do partido. Fran­cisco Gedda, por sua ligação com o ex-governador também mantém um discurso de oposição desde que assumiu o mandato.
A oposição encolheu, mas não deve perder força. Isso porque boa parte dos que se intitulavam opositores não costumavam ser muito enfáticos na ho­ra de se posicionar contra o go­verno. Atualmente, quem faz o­po­sição são aqueles que desde a eleição já se colocavam contrá­rios ao projeto do governo estadual.

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