Oposição ataca e base responde citando realizações do governo
Publicado 02/02/2015
O discurso duro da oposição e o cenário altamente acirrado de disputa por cargos da mesa diretora (leia ao lado) marcaram ontem a posse para a 18ª legislatura da Assembleia Legislativa. Logo no início do discurso, o deputado José Nelto (PMDB), que representou a oposição, já deu o tom do que deve ser o comportamento da bancada nos próximos quatro anos. Pela base, Talles Barreto (PTB) respondeu citando realizações dos governos tucano.
Em meio ao clima tenso, o deputado Hélio de Sousa (DEM) foi eleito presidente da Casa e José Vitti (PSDB) confirmado para a liderança do Governo.
Comparado ao pronunciamento de ontem, o discurso da oposição há quatro anos, feito por Luis Cesar Bueno (PT) foi ameno – a exemplo da atuação apagada dos oposicionistas nos últimos anos. José Nelto, que apontou falhas na administração e prometeu fiscalização rigorosa, iniciou a fala dizendo que a oposição “não morreu sucumbida aos 16 anos de adversidades”, em referência ao período em que estão fora do poder. “Esse período não nos abateu o ânimo. Ao contrário. Renovou nossas forças, reacendeu nossas energias e alimentou a vontade de trabalhar com maior determinação”, disse.
Na sequência de críticas ao governo, citou problemas como falhas no atendimento do Detran; criticou a quantidade de aditivos em contratos de obras e defendeu maior transparência nos órgãos do Estado e na própria Assembleia. “Que Estado é esse que os aditivos se transformaram em regra que confirma a falta de planejamento e a supremacia do improviso?”, questionou sob vaias.
O presidente da Assembleia, Hélio de Sousa (DEM), precisou intervir cinco vezes, pedindo silêncio da plateia para que o deputado continuasse a falar. O governador Marconi Perillo (PSDB), presente na solenidade, sorriu várias vezes das pontuações do peemedebista. Ele fazia anotações e conversou três vezes com um assessor – supostamente dando orientações para que as críticas fossem rebatidas no discurso da situação.
Apesar do comportamento, Marconi mostrou irritação em dois momentos – quando Nelto fez críticas à segurança pública, afirmando que os anos de 2012, 2013 e 2014 entraram para a história como os três anos mais violentos da história de Goiás, e quando o peemedebista citou o acordo entre Estado e o grupo JBS – empresa da família de Júnior Friboi (PMDB), ex-pré-candidato ao governo de Goiás. A dívida foi reduzida de R$ 1,56 bilhão para R$ 327 milhões.
O único tema que ficou sem resposta da base governista, representada por Talles Barreto, foi a renegociação da dívida do JBS com o Estado. O petebista citou investimentos para modernização e atualização de forças policiais e contradisse as críticas sobre a transparência na Casa. “Em um trabalho em total consonância com a mesa diretora, houve a abertura total das informações sobre as rotinas desta Casa”, rebateu.
Talles também citou obras como as construções do Hugo 2 e do Centro de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeqs). Mencionou o salto da 16ª posição para o 1º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e destacou o trabalho do governador.
“A população o escolheu porque tem a certeza de que este é o caminho a ser seguido. Um caminho sem volta. Estamos preparados para um novo salto. Goiás tem agora um projeto nacional.”