Oposição à deriva

Publicado 05/03/2013

A retirada de assinaturas aos requerimentos que propõe criação das CPIs das Rodovias, Saúde e Segurança Pública de dois deputados oposicionistas levou a oposição na Assembleia Legislativa a viver momentos de profunda crise interna, com desconfiança generalizada e unidade comprometida.

Desde quinta-feira, quando o presidente da Casa, deputado Helder Valin (PSDB) anunciou que parlamentares haviam retirado as assinaturas, o que inviabilizava a criação das comissões de inquérito, devido ao número mínimo de 14, para cada proposta, a oposição não se entende e vê abalada sua coesão.

Os 16 parlamentares que, em tese, integram a oposição na Assembleia Legislativa, pertencentes ao PMDB, PT, PTN, PRB, PSC, PP e PC do B vão se reunir hoje pela manhã, no Palácio Alfredo Nasser, para passar a limpo a questão da retirada das assinaturas sobre as CPIs.

As bancadas oposicionistas vão decidir hoje se reapresentam os requerimentos, com 14 assinaturas cada, para criação das CPIs das Rodovias, Saúde e Segurança Pública. É o que irá propor o deputado Bruno Peixoto, líder do PMDB. “Temos que prosseguir com nossas propostas, sem recuo, mesmo diante da pressão do governo.”

O deputado Luis Cesar Bueno (PT) exige que o presidente Helder Valin revele os nomes dos parlamentares oposicionistas que retiram as assinaturas, sob pena de ter a sua conduta questionada à frente da Casa. “É inadmissível que o presidente Helder Valin se esconda, que não venha a público dizer quem retirou as assinaturas. Se não o fizer, terá a sua conduta questionada.”

O líder do PMDB, deputado Bruno Peixoto, é de opinião que a conversa de hoje, a ser mantida pela oposição, será suficiente para esclarecer toda a situação e restabelecer a coesão interna. “Vamos apurar tudo, reapresentar os requerimentos sobre CPIs e prosseguir com o trabalho de forte oposição ao governo estadual.”

Já o líder da Bancada do PT, Karlos Cabral, diz não saber, até agora, se realmente ouve retirada de assinaturas ou se foi “manobra”. E acrescenta: “Esse assunto precisa ser esclarecido. Não pode pairar dúvidas sobre a conduta dos deputados oposicionistas.” 

Depois de trocar a bancada governista pela oposicionista, o deputado Major Araújo (PRB) é taxativo: se não ficar esclarecido todo esse imbróglio, pretende assumir uma “posição independente”, distante da base aliada e da oposição. “Não tenho vocação para fazer teatro.”

Deputado Francisco Gedda (PTN) exige, também, explicações do presidente da Assembleia Legislativa e espera que, na reunião de hoje, os partidos de oposição consigam restabelecer a “unidade interna”. E ressaltou: “Estamos crescendo no Parlamento e isso assusta o governo. Temos que ter maturidade para superar essa dificuldade e preservar nossa unidade interna”.

No início do ano, a oposição, que tinha 12 membros, de um total de 41 parlamentares da Assembleia Legislativa, começou o crescimento para 16, com a base aliada ficando com 25 integrantes. Agora, com o recuo de dois deputados, na questão das CPIs, os oposicionistas podem ficar com 14 membros e os governistas com 27 membros.

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