Greve na educação : Governo estuda retomar algumas gratificações

Publicado 21/03/2012

 Depois de reunião realizada na manhã de ontem, da qual participaram deputados estaduais e os secretários Giuseppe Vecci (Gestão e Planejamento) e Thiago Peixoto (Educação), o governo estadual sinalizou que já esta formulada uma nova proposta, ainda não revelada oficialmente, para apresentar aos professores da rede estadual de ensino desde que a greve seja suspensa. O impasse permanece já que a condição é rejeitada pelos docentes, que optaram em assembleia pela continuidade do movimento e permanecem atrelando o fim da paralisação ao retorno dos quantitativos anteriores das gratificações por titularidade.

A nova proposta viria através de projeto de lei encaminhado à Assembleia Legislativa como um meio termo entre as exigências dos professores e as condições financeiras do governo, que alega custo anual na casa de R$ 300 milhões caso a titularidade seja retomada em seus moldes anteriores.

Conforme o adiantado ao POPULAR por parlamentares que participaram da reunião de ontem e integrantes do governo, a nova matéria teria como ponto central a retomada da gratificação para professores com pós-graduação, mestrado e doutorado, a minoria da rede estadual, para os termos anteriores, e estabelecer novas regras para docentes que conseguiram o benefício através de outros cursos.

Os novos termos para se conseguir as gratificações seriam mais rígidos, com critérios definidos de forma conjunta com integrantes do Sindicado dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) através de comissão que também reúne o Ministério Público (MP) e representantes do governo.

Procurado pela reportagem, Thiago Peixoto não quis adiantar o teor da proposta, mas confirmou sua elaboração e ressaltou que a mesma só será discutida com o fim da greve. Ele afirma que existe “disposição e perspectiva de melhorar o plano, numa nova proposta que fortaleça ainda mais a carreira de professor.” Ele não quis dar detalhes.

Por outro lado, a presidente do Sintego, Iêda Leal, disse não estar autorizada a falar em suspensão ou término da greve sem que o governo recue e retome a titularidade aos porcentuais anteriores. “Eu não estou autorizada (pelos professores) a negociar nada além disso”, disse ela, que completou alfinetando a iniciativa do governo. “Se essa proposta fosse realmente boa, ela já teria sido mostrada.”

Outro membro do governo consultado pela reportagem confirma que a discussão “continua embrionária”, já que não existe sinalização de recuo pelas duas partes. Ele ressalta, no entanto, que parte professores já concordam com a inclusão de critérios para a concessão de gratificação por titularidade para aqueles que não têm pós-graduação, mestrado ou doutorado.

Presente na reunião e integrante da base do governo, o deputado estadual Major Araújo (PRB), que já foi sindicalista, afirmou ser inviável para qualquer movimento grevista abrir negociações com o movimento suspenso. Já o líder do Governo, Helder Valin (PSDB), defende que o governo já se mostrou disposto a negociar ao propor a retirada dos cortes dos pontos dos professores, também condicionado à suspensão do movimento.

 

Jardel nega fim abrupto de sessão

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jardel Sebba (PSDB), afirmou ontem, em carta enviada ao POPULAR, que a sessão de terça-feira foi encerrada “em estrita obediência ao regimento interno, que prevê o término do grande expediente tão logo não haja mais oradores inscritos.” 

Jardel nega que tenha encerrado os trabalhos de forma inusitada, e afirma que o pedido de prorrogação da sessão tem de ser feito antes das 17 horas. Já a oposição discorda, pois alega que a prorrogação deveria ter ocorrido porque a solicitação há havia sido feita. “O encerramento atropelou o regimento”, disse Luis Cesar Bueno (PT). 
 
Na carta, Jardel Sebba nega também que tenha retirado o microfone do vice-presidente em exercício, Bruno Peixoto: “Não o fiz por respeitar profundamente todos os colegas parlamentares e também pela impossibilidade física, uma vez que o microfone encontra-se fixo à mesa.” 
 
Conforme O POPULAR apurou com outros colegas do presidente, inclusive com parlamentares com participação na mesa diretora, a forma como ele reassumiu a presidência na terça-feira para encerrar a votação não é usual. 
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