Assembleia: debate deve acirrar
Publicado 01/02/2015
Com perfis diferentes, as bancadas de deputados estaduais da base do governo e da oposição que serão empossados hoje na Assembleia Legislativa, às 14 horas, têm seus pontos fortes ancorados, respectivamente, em uma boa capacidade de articulação e uma forte disposição para o embate. Se de um lado os oposicionistas iniciam a 18ª legislatura com parlamentares dispostos a acirrar as discussões na tribuna, governistas estão em maior número do que nos últimos quatro anos e contam com negociadores experientes.
Análise feita pelo POPULAR considerando apenas os deputados reeleitos ou que já tiveram atuação destacada na Assembleia em outros momentos mostra que, entre os debatedores e formuladores, a oposição leva vantagem. No caso da capacidade de articulação, a vantagem é dos governistas, que iniciam a nova legislatura com 29 deputados e uma ampla vantagem para garantir tranquilidade na tramitação de projetos.
A oposição conta atualmente com 12 deputados. O tamanho da bancada que assume hoje já é insuficiente, por exemplo, para a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que precisam de pelo menos 14 assinaturas. Nos últimos anos a oposição, que chegou a contar com 16 membros, forçou a abertura de investigações sobre a situação da Segurança Pública em Goiás e também sobre suposto esquema de grampos telefônicos ilegais no Estado. Mesmo dominadas por governistas, estas CPIs serviram de palco para a oposição fazer barulho.
Diante do novo quadro, a oposição deve passar a apostar na experiência da nova bancada. No caso do PMDB, por exemplo, que elegeu cinco deputados em 2014 (três a menos do que em 2010), todos os nomes têm experiência na Casa. Diferente de quatro anos atrás, quando eram quatro novatos.
Em entrevista ao POPULAR, o novo líder do PMDB, Jose Nelto, que retorna à Assembleia depois de mais de quatro anos enfrentando problemas com a Justiça Eleitoral devido a troca de voto por favores, ressaltou a experiência como o trunfo da oposição.
“Vamos usar a experiência e mostrar que a oposição agora é profissional. Nós sabemos que não ganhamos matérias no plenário. Então vamos fiscalizar de forma rigorosa e pontuar os equívocos do governo, que não terá vida fácil”, disse.
Nessa linha, Adib Elias e Ernesto Roller, ambos do PMDB, tendem a se destacar. Ex-deputados, os dois são considerados bons debatedores e têm motivações pessoais para atuarem de forma “mais firme” contra Marconi, especialmente por questões regionais. Os dois têm interesses na disputa pelas prefeituras de Catalão e Formosa, respectivamente. Nomes de outros partidos como Major Araújo (PRP) e Luis Cesar Bueno (PT) também afirmam que terão atuações mais duras nos próximos anos.
Por outro lado, a base do governo retorna à Assembleia mais nova. Escolhido líder do Governo, José Vitti (PSDB) diz, no entanto, que esse não será um problema. “A maioria desses garotos tem experiência na vida pública”, diz. “É claro que o jogo é duro, alguns vão chegar um pouco mais tímidos, mas vejo isso com naturalidade”, completa.
Ele também ressalta a capacidade de negociação da base. “Minha característica sempre foi de muito diálogo, de buscar sempre o entendimento, não só na base, mas na oposição, que é muito saudável para o Parlamento e para a sociedade”, diz.
Além de Vitti, que apesar de nunca ter experimentado um cargo de liderança tem bom trânsito com colegas, outros deputados da base se destacam como bons articuladores, como o próprio presidente da Assembleia, Helio de Sousa (DEM), que na eleição da mesa diretora conseguiu rapidamente o apoio da oposição, além de governistas.