Aliança PT-PMDB mais distante

Publicado 29/02/2016

 Cada vez mais distantes, os diretórios metropolitanos do PMDB e PT iniciarão oficialmente hoje as conversas que devem confirmar o fim da aliança entre os partidos na capital. A reunião, que atende a pedido da cúpula de petista para que o futuro das siglas seja definido em conjunto e ao interesse do prefeito Paulo Garcia (PT) em modificar sua equipe tendo em vista as eleições de outubro, deve ter como principal eixo a definição dos termos de uma espécie de “separação amigável”, mantendo aberta a possibilidade de nova união em um eventual segundo turno.

Apesar de PT e PMDB declararem que não abrem mão de uma candidatura própria em Goiânia, algo que inviabiliza a continuidade da aliança, os dois partidos pretendem traçar uma estratégia para que os dois partido não fechem as portas para futuras alianças.

Para este diálogo, cada um dos partidos deve indicar dois membros de suas executivas, além dos deputados estaduais Bruno Peixoto (PMDB) e Luis Cesar Bueno (PT), que presidem os diretórios metropolitanos.

“Estou ouvindo o diretório e os filiados para reunirmos os partidos e definirmos o que é melhor de acordo com a vontade da maioria”, diz Bruno.

Luis Cesar tem uma posição semelhante. “Uma aliança construída a partir de muito diálogo não pode acabar sem que haja uma boa conversa”, afirma.

Os dois partidos se uniram pela primeira vez em 2008 para a campanha de reeleição do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). A aliança continuou com a saída de Iris da Prefeitura para a disputa do governo em 2010 e também em 2012, quando Paulo Garcia, que havia sido vice-prefeito, foi reeleito com o apoio de peemedebistas.

Agora, as duas siglas avaliam que a disputa pela sucessão de Paulo no Paço Municipal será apertada, com definição em dois turnos. Além disso, há uma tendência natural de união dos partidos da base do governador Marconi Perillo.

Neste contexto, um acerto entre peemedebistas e petistas no eventual segundo turno é tido como essencial, independentemente do cenário.

“Se tivermos candidaturas próprias, e caminha-se para isto, que tenhamos um distanciamento amigável para não inviabilizar a união no segundo turno”, reforça Bruno Peixoto.

Impasse

Este acerto depende, no entanto, da solução de um impasse que envolve a composição do secretariado do prefeito Paulo Garcia e também a indicação de cargos comissionados na estrutura do Paço Municipal.

Nos bastidores, o comando do PMDB na capital tem falado em propor uma postura de independência. A base para isto é o discurso, adotado desde a véspera das eleições de 2014, de que o partido não indicou nenhum dos oito filiados que compõem o primeiro escalão da Prefeitura.

Partindo desta tese, os cargos poderiam ser mantidos, assim como as indicações da bancada peemedebista na Câmara de Goiânia, que hoje é composta por sete vereadores, sendo que cinco deles continuam na base que sustenta Paulo e dois estão na oposição.

“Eles (do Paço) vão querer romper com os sete? Apesar de não caminharmos juntos nas eleições, isto não inviabiliza por completo uma parceria administrativa”, afirma um peemedebista.

A tese, que não é confirmada por Bruno Peixoto (ele reforça o discurso de que o PMDB não indicou nenhum nome do Paço) não é bem recebida pelo PT.

Mesmo dizendo que quer manter o “máximo de discrição possível” para não adiantar os termos conversa interpartidária para a imprensa, Luis Cesar argumenta que a manutenção de cargos mesmo com o fim da aliança eleitoral seria algo “atípico”.

Para o petista, a colocação de duas candidaturas distintas invariavelmente significa a existência de duas visões distintas sobre a administração da capital.

“Como tocar o governo em uma direção se dentro do próprio governo existem quadros que estão com outro projeto. Essa é uma tese muito difícil. Não acredito que isto seja possível”, completa.

Luis Cesar também aponta que os nomes do PMDB que ocupam cargos no Paço são sim mantidos pelo partido. “São quadros do partido e 80% ou 90% deles já estavam no governo do Iris. Isto (o argumento de que os nomes foram definidos unicamente pelo prefeito Paulo Garcia) não existe, ainda mais no quantitativo de cargos que eles têm. Mas não é isso que vamos discutir, vamos falar de estratégias e de eleições.”

 

 

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