DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO LUIS CESAR BUENO, NO MOMENTO DESTINADO ÀS DISCUSSÕES PARLAMENTARES, NA SESSÃO ORDINÁRIA DO DIA 16 DE FEVEREIRO DE 2012

Publicado 16/02/2012

 Senhor Presidente;

 

Senhores Deputados;

 

Senhoras Deputadas.

 

Senhor Presidente, Deputado Humberto Aidar; Deputado Major Araújo, representante nesta Casa da corporação da Polícia Militar do Estado de Goiás; Deputado Mauro Rubem; demais Deputados aqui presentes.

 

Fico satisfeito de ver a Assembléia Legislativa abrir o Grande Expediente, porque é no Grande Expediente que temos condições de fazer o debate de fato, o debate das ideias, o debate dos projetos em tramitação nesta Casa, tanto os debates políticos, quanto o debate de cunho administrativo.

 

Sempre fui do Partido dos Trabalhadores, nunca mudei de partido, tenho 32 anos, na legenda do PT, do qual fui um dos fundadores. Fui Vereador de  Goiânia por dois mandatos, está aqui o Deputado Cláudio Meireles e  com  diversos Vereadores tive a honra de compartilhar as cadeiras da Câmara Municipal de Goiânia. Estou no meu terceiro mandato de Deputado Estadual, disputei seis eleições Presidente, ganhei cinco, considero que é uma performance para um Parlamentar de origem humilde, que sempre trabalhou com movimento popular, com movimento comunitário e com as causas dos trabalhadores um resultado significativo.

 

Entendo que o Parlamento tem como função debater os projetos que tramitam e estabelecer o contraditório acerca das opiniões diferenciadas, para isso é necessário a Bancada do Governo e a Bancada de Oposição. Mas, para que a Bancada de Governo e a Bancada de Oposição tenham condições de desempenhar o bom trabalho é necessário, primeiramente, designar quem é maioria e quem é minoria. Existem situações de parlamentos que a Oposição é maioria. Existem determinadas situações onde o governo é maioria. E, aqui o Deputado Claudio Meireles fez uma intervenção interessante em relação ao papel do Governo e o papel da oposição. Olha, infeliz o parlamento que não tem oposição, é necessário estabelecer o contraditório, é necessário que o governo escuta os parlamentares de oposição, porque muitas vezes a base do governo silenciosa muda, não consegue ouvir ou perceber determinados equívocos. Eu consegui aqui nesses quase doze anos que tenho aqui nesta Casa, ter bons relacionamentos com os lideres de governo. Tive um bom relacionamento com o Deputado Afreni Gonçalves, tive um bom relacionamento com o Deputado Helio de Sousa, com o Deputado Honor Cruvinel, tem um diálogo razoável com o Líder do Governo, Helder Valin, apesar dele conversar uma coisa conosco e lá nas cortinas, nos bastidores orienta a sua bancada de outra forma diferente como nós fizemos, mas entendo que o diálogo sempre foi construtivo. Agora, eu não posso aceitar quando o Líder do PSDB, Deputado Túlio Isac, atendendo telefonemas do Governador, tenta desmerecer, desmoralizar, a ação dos parlamentares de oposição. Veja bem Deputado Claudio, o Líder do PSDB acabou di dizer recentemente que faço de manhã a tarde e vou atrás de Marconi a noite buscar carros. Eu poderia aqui fazer varias provas quantas vezes o Governador mandou me chamar, com quem, com quais pessoas, com quais Deputados, e qual foi a resposta que dei. O Líder do Governo é testemunha disso, que posso relatar, fato por fato. Por quê?  Porque o meu partido tem uma postura de enfrentamento, de disputa com o PSDB e com o DEN. Eu sou Presidente do PT de Goiânia e sigo a orientação de meu partido. Agora ele pode dizer Vossa Excelência conhece o Palácio das Esmeraldas, conhece o Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Eu vou dizer para vocês aqui a ultima vez que estive com Marconi Perillo. Foi em 2004, 22 de dezembro de 2004. Nós havíamos saído das eleições para prefeito de Goiânia onde tivemos um enfrentamento denso com o PMDB, e no segundo turno o nosso candidato Pedro Wilson teve o apoio de Marconi Perillo, do Governador Alcides Rodrigues e nós fomos para as ruas no 2º Turno.

 

Passadas as eleições, onde o vencedor foi Iris Rezende no 2º Turno, eu recebi uma solicitação do Governador, através do seu Líder aqui na Casa, de que queria uma reunião comigo e lá compareci. Ele disse que em função da aliança que fizemos no 2º Turno, gostaria de contar com o apoio da Bancada do Partido dos Trabalhadores. Eu era o Líder da Bancada.

 

Eu disse: Governador, primeiro eu preciso unir a Bancada. Segundo, quero dizer a Vossa Excelência que temos uma Oposição em Brasília. O Partido de Vossa Excelência faz uma Oposição contundente ao Presidente Lula em Brasília. E, naquele momento eu pedi uma reunião. Então ele convidou-me para um almoço no Palácio. Estiveram presentes no almoço: o Deputado Mauro Rubem, o Deputado Ivan Ornelas, o Deputado Paulo Garcia e o Deputado Luis Cesar. Fizemos um termo de convivência e pedi a ele que atendesse as Emendas da Bancada do PT. Na hora ele assinou e encaminhou para o então Secretário de Planejamento, José Carlos Siqueira. Passou janeiro, fevereiro, março, abril e nenhuma de nossas emendas foram cumpridas. Maio, junho, julho, agosto. Eu recorri a Jardel Sebba. Deputado Jardel, houve um jantar e o seu Governador assinou, está aqui, uma solicitação encaminhando as emendas de nossa Bancada e nada foi cumprido.

 

O Deputado Jardel me levou novamente até o Governador Marconi, que ligou ao José Carlos Siqueira e determinou que as Emendas fossem cumpridas. E, passou setembro, outubro, novembro e, quando fez um ano eu vi que aquilo era uma brincadeira.         Se ele falasse a verdade para nós, para o Líder do PT, de que ele não iria cumprir aquelas emendas, ficaria mais bonito.

 

Foi a última vez que conversei com o Governador na presença de meus Deputados, que eu liderava, na presença do meu partido, e de forma pública. E eu perguntava, se um Governador mente, assina e não cumpre com o Líder do PT, imagina com os pares que ele confia aqui nesta Casa?

        

Quantos de Vossas Excelências não estão com o autorizo do Governador Marconi Perillo e não sai do papel? Assim como eu tenho esse colocado em um quadro no meu gabinete, que é um troféu da falta de palavra e da falta de compromisso.

        

Agora verifique, Deputado Mauro Rubem, se eu vou atrás de um Governador que tem essa característica? A característica de não cumprir aquilo que assume.

        

Portanto, nego, são difamatórias essas acusações de que eu estaria no Palácio negociando. E se continuar com isso, vou dar nomes a todos aqueles que em nome do Governador me procuraram e eu disse não. Não vou porque sou do Partido dos Trabalhadores, sou fiel à Presidenta Dilma, sou fiel ao Presidente Lula e nós somos oposição ao PSDB e ao DEM, ponto.

 

O SR. DEPUTADO MAURO RUBEM:- Nobre Deputado Luis César Bueno, Vossa Excelência me permite um aparte?

 

O SR. DEPUTADO LUIS CÉSAR BUENO:- Com o maior prazer, nobre Deputado Mauro Rubem.


O SR. DEPUTADO MAURO RUBEM:- Muito obrigado, Deputado. Acho que melhor do que qualquer defesa, Vossa Excelência vivenciou tudo isso.

        

Nós realmente aqui temos tido uma situação levantada pelo Deputado Cláudio Meirelles que não quero nem gastar muito tempo no rebaixamento da discussão. Eu até estou querendo, Deputado Cláudio Meirelles, fazer um levantamento aqui, e a gente poderia, Presidente em exercício neste momento, Deputado Major Araújo, ver quanto custa cada palavra proferida nesse auditório para a gente poder medir o que o povo goiano, o que a população do Estado de Goiás está perdendo com cada Parlamentar aqui quando não objetiva o seu discurso, quando não trata o assunto que é de interesse da sociedade e fazendo ameaças em dados momentos e rebaixamento.

        

O que me espanta, e aí eu concordo plenamente com Vossa Excelência, Deputado Luis Cesar Bueno, o que me espanta é que cada vez que o assunto aqui rebaixa, quanto mais o nível fica baixo telefonemas do Palácio vêm para instigar e fomentar esse nível, porque o Governo de Goiás, o Governador Marconi, o Secretário Thiago Peixoto estão fazendo um desastre na gestão da Educação. É um desastre que está colocado.

        

Eu disse que numa única canetada conseguiu destruir o passado dos professores criando terror no presente e inviabilizando o futuro da educação do Estado de Goiás.         E eu quero ver me responder, não ficar fazendo acusações bestas e banais de capa de revistas, de jornais vendidos. Vamos discutir o Estado de Goiás e isso não tem acontecido.

        

É importante, ao longo de anos e anos Parlamentares estão aqui, e nunca, Deputado Major Araújo, conseguiram fazer debates como Vossa Excelência já fez em um ano, por quê? Porque na prática preferem a praticazinha de ajeitamento de cargo, de interesses menores e de emendas que é uma decepção para a nossa Assembleia essa estória de 150.

        

Nós estamos numa situação ruim. A Assembleia está numa situação ruim. Como responder? O movimento social não iria perguntar: Deputado, e essa propina que rolou para votar o projeto da Educação? Como é que é isso?

 

Eu ouvi, foi-me sugerido pelo Líder do Governo de que se nós facilitássemos e votássemos com ele seria duzentos mil, de emendas, para mexer na gestão e nas obras do Estado de Goiás. Acredito que outros também ouviram isso.

 

Precisamos valer o que a sociedade está nos pagando. Esta Casa não pode ser apenas um refrão da vontade do príncipe que está no palácio.

 

Muito obrigado!

 

O SR. DEPUTADO LUIS CESAR BUENO: – Agradeço o aparte do nobre Deputado Mauro Rubem. E, quero dizer que somos coerentes com o nosso mandato. Não adianta ter coerência no discurso e na prática ter uma postura diferente. Como eu disse anteriormente, se eu disputei seis eleições e ganhei cinco, agradeço a Deus pela coerência que tivemos.

 

No governo passado, atendendo uma solicitação do meu partido fizemos a defesa do Governador Alcides Rodrigues. E, não negamos isso. Mas, procure um Secretário, uma Pasta, que foi indicação do Partido dos Trabalhadores. Não indicamos nenhum Secretário. O Partido teve essa posição por querer ter uma postura autônoma, independente. E, hoje, vejo muitos dos que indicaram Secretários, que participaram do Governo Alcides, que o ajudaram a apagar a luz na sua saída do Palácio, virarem-se contra ele, nesta Casa. Isso é falta de caráter. Nós não adotamos este método, como no Governo Marconi. Procurem, em nossa bancada, um dos colegas Deputados que tenha um contrato, um cargo no Governo Marconi, vocês não vão encontrar por que fizemos uma opção pela coerência. Agora, respeitem nossa posição. Não somos obrigados agüentar o tipo de baixaria que o discurso do PSDB tenta nos impor. Aliás, é uma falta de respeito com o partido da Presidente Dilma que tem uma postura republicana, defendendo o Estado de Goiás independente de ser governado pelo DEM ou pelo PSDB.

 

Ainda agora há pouco, em Brasília, a Presidente Dilma autorizou a ampliação de crédito para Goiás e aqui estamos com a autorização do crédito. A Presidente Dilma ampliou hoje o limite do crédito fiscal para Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Goiás, em solenidade com a presença da Presidente Dilma, no Palácio do Planalto, onde Goiás ganhou o direito de contratar mais um empréstimo de um bilhão, quatrocentos e cinqüenta e dois milhões de reais.

 

Sabe qual a diferença do Governador Alcides com a base do Governo Marconi, é por que, quando essa notícia chegava, à época do Governador Alcides, a base dele, nesta Casa, olhava para a nossa bancada e agradecia, dizia: Deputados do PT, muito obrigado. Levem à Presidente Dilma a nossa mensagem.

 

Mas o que vemos aqui é o seguinte, é um discurso totalmente diferente, os benefícios acontecem em Brasília e eles baixam o nível contra a Bancada do Partido dos Trabalhadores.

 

Estive em Brasília na semana passada, conversei com a Presidente Dilma, com o Secretário-Geral, Doutor Gilberto Carvalho, com a própria Presidente da República, durante o encontro dos Deputados do PT, e aí se vier o Líder do Governo dizer que é mentira, entre no nosso site, entre no nosso facebook, que as fotos do encontro estão lá, e fui conversar sobre a CELG, conversar sobre esta nova operação fiscal, conversar sobre o processo de terceirização da SANEAGO, em todos os momentos eu vi da Presidente da República uma postura republicana.

 

Então, vimos aqui algo jamais ocorrido nesta Casa, o partido da Presidente Dilma é agredido de forma baixa nesta Casa, enquanto o nosso Governo atende às solicitações do Governo Estadual.

 

Isso vamos resolver por que já está agendada para a semana que vem, uma reunião com os partido de oposição, com a Presidente Dilma, e mais, com o Secretário Geral Gilberto Carvalho, onde nós teremos condições de fazer um debate sobre o relacionamento do PT, do DEM, com a Bancada do PT nesta Casa.

 

Portanto, quero aqui concluir o meu raciocínio dizendo que queremos fazer um debate republicano, não vamos entrar na baixaria puxada pelo líder da bancada, se for falar de questões pessoais, que contratou não sei onde, de filho que chegou bêbado não sei onde, de ações não sei de onde, isso não faz parte da nossa pauta, nós vamos fazer o debate republicano, dentro do bom andamento.

 

+ Notícias