DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO, LUIS CESAR BUENO, NO MOMENTO DESTINADO A DISCUSSÃO DEMATÉRIA, AO PROCESSO 3.353/12, REALIZADO NA SESSÃO ORDINÁRIA DO DIA 27 DE NOVEMBRO DE 2012

Publicado 27/11/2012

 Senhor Presidente, Senhores Deputados e Senhoras Deputadas.

 

Senhor Presidente, se a Prefeitura de Goiânia fosse fazer uma intervenção na Praça Cívica, obrigatoriamente ela deveria ouvir o Governo do Estado de Goiás, porque o Palácio das Esmeraldas compõe todo o patrimônio, o acervo histórico da Praça Cívica. Então, seria impossível qualquer interferência, qualquer intervenção do Poder Público Municipal, na Praça Cívica, sem a consulta ao Governo do Estado de Goiás.

 

O que nos chamou a atenção nesse Projeto de Lei nº 3.353, da Governadoria do Estado, que institui o Grupo Executivo de Implantação do Programa de Veículos Leves sobre Trilhos, no Município de Goiânia. Projeto esse que vai fazer uma intervenção estimada em seis anos, do
Terminal Padre Pelágio até o Terminal Praça da Bíblia, foi a ausência do Município de Goiânia no projeto de lei que institui o Grupo Executivo que vai instalar o VLT.

 

Como um ente federativo de âmbito estadual faz uma intervenção no centro de Goiânia, numa área tão sensível como Campinas, sem ouvir a Prefeitura de Goiânia, sem analisar o impacto ambiental da obra, sem analisar o impacto de trânsito. E os críticos desse projeto colocam aqui a discussão sobre a drenagem do projeto, sobre a baixada do Capuava na região do Anicuns. A drenagem do projeto numa área sensível como o Lago das Rosas. Os críticos desse projeto discutem qual é o impacto no comércio de Goiânia numa obra de seis anos.

 

 Esperava eu, Senhor Presidente, que o Governo tivesse a coragem de apresentar aqui um projeto instituindo um metrô sobre o centro de Goiânia. Um metrô que pegasse pelo menos do Terminal Dergo até a Praça do Botafogo. Audácia essa que o Município de Salvador teve, que Porto Alegre teve, que Brasília teve, e que eu esperava que o Governador tivesse essa audácia, porque quando eu cheguei aqui, nesta Casa, em 2003, naquele ano, no mês de março, o Senhor Carlos Maranhão fechou aqui o Auditório Costa Lima e o Auditório Sólon Amaral  e convocou todos os Deputados para lançar o metrô de Goiânia. Obra do Governo Marconi; 2003 se passou, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, onze anos depois, o lançado projeto do metrô aqui na Assembleia Legislativa chega em forma de VLT.

 

Esperava eu, Deputado Francisco Gedda, que muito bem comandou e gerenciou a Metrobus, que fosse um VLT suspenso. Ao ser um VLT suspenso ele liberaria a superfície da Avenida Anhanguera. Esperava eu que esse projeto que custou um bilhão e meio de reais, com pareceria de 30% da iniciativa privada, quando o metrô, o veículo leve sobre trilho chegasse ao cento de Goiânia, fosse de superfície ou de subterrâneo, mas não é, é um trem de superfície. E trem aqui em Goiás, é trem de ferro. Trem de ferro conforme dizem os goianos na época do bonde, nas capitais do Brasil, transportam passageiros de subúrbios como é o caso de São Paulo, que pega a Região Norte e vai até o Jabaquara; que pega a Região Leste e vai até Congonhas; como é o caso do Rio de Janeiro, que pega toda aquela região do Meyer, que pega toda a Região Norte, indo para Bom Sucesso, para Madureira, para toda aquela região.

 

Se esse projeto, fosse um projeto que ligaria Trindade ao Terminal Padre Pelágio; que ligaria a Praça da Bíblia até Senador Canedo, seria um excelente projeto. Agora, como é que esse trem vai passar no centro de Goiânia? Como é que vou atravessar a Avenida Anhanguera, a Avenida Goiás? E, aqui no projeto o trem vai parar nos sinaleiros! Ora, se o trem vai parar nos sinaleiros, então é melhor deixar o veículo sobre rodas, que é um projeto belíssimo instalado em 1975, pelo competentíssimo arquiteto Jaime Lerner , que é o autor do Eixo Anhanguera. O mesmo Jaime Lerner que levou a experiência de Goiânia para Curitiba, para Uberlândia, para Belo Horizonte e para Bogotá, que teve a experiência do sistema de transporte ter sido aqui projetado e estudado em Goiânia, através do Expresso do Terceiro Milênio.

 

Então, nesse sentido, Senhor Presidente e Senhores Deputados, nós somos muito críticos a esse projeto. Tenho dificuldade de votar nele, mas não sou contra o VLT, desde que ele esteja nas áreas centrais na cidade, como é em Madri, como é em Atenas, na Grécia, subterrâneo, ou suspenso, como é em Miami. Agora, como é no Eixo Anhanguera, parando em cada cruzamento com sinaleiro, e aí tem a questão da eficiência, porque o nosso VRT, que é uma experiência internacional que está em vigor hoje no Eixo Anhanguera, ele transporta quarenta e cinco mil passageiros por hora e de um ônibus para o outro a diferença no horário de pico é de um minuto apenas. E, esse trem de ferro, o que vai instalar, ele vai transportar apenas doze mil passageiros, ou seja, a capacidade de transporte é muito menor e o tempo de duração, de uma locomotiva para outra são de três minutos, ou seja, três vezes mais o tempo de duração do nosso DRT que está em vigor hoje na Avenida Anhanguera.          Portanto, é impossível a Assembleia Legislativa aprovar um projeto desse sem ter a Prefeitura de Goiânia dentro da composição do grupo executivo. É impossível aprovar um projeto desse, sem impacto de trânsito. Qual é o impacto de trânsito? Não consta do projeto.

        

E olha que eu peguei um disquete e olhei hoje todo aquele calhamaço de papel, que foi feito para impressionar os investidores. Notadamente o Grupo Itaú e o Grupo Norbert Odebrecht que são parceiros do projeto.

Portanto, eu estou preparado para esse debate. Tenho no meu computador todo o projeto. Tenho no meu computador toda a análise. E eu tento a me abster dessa votação, porque não votaria jamais num projeto que vai arrebentar com o comércio da cidade e que poderá criar uma cracolândia no centro de Goiânia.

 

+ Notícias