DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO LUIS CESAR BUENO, NO MOMENTO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE, REALIZADA NA SESSÃO ORDINÁRIA DO DIA 13 DE SETEMBRO DE 2011

Publicado 13/09/2011

 Senhor Presidente, Senhores Deputados e Senhoras Deputadas.

 

 

Ocupo a tribuna nesta tarde para fazer uma reflexão sobre o modelo de educação que esta sendo aplicado no Estado de Goiás, e gostaria também de fazer uma comparação sobre a evolução crítica da educação no Brasil. O processo de formação de jovens, de crianças e adultos pressupõe a existência  de profissionais formados na Universidade em Licenciatura. Muitos desses mestres com mestrados, com doutorados que, no dia-a-dia, aplicam nas escolas do Estado o conhecimento crítico, com muitas dificuldades.

 

Dificuldades de locomoção, tendo em vista que boa parte das escolas do ensino fundamental, nas diversas regiões do interior do Estado, está na zona rural, dificuldades com a estrutura física da escola, dificuldade de remuneração de salários, tendo em vista que até pouco tempo o piso nacional da educação não havia sido aplicado no Estado de Goiás, colocando o Estado de Goiás como, praticamente, um dos únicos que não havia aplicado o piso nacional de educação.

 

E ao longo do debate que se formou na Constituinte, nós formamos no Brasil um modelo de educação. Qual é o modelo de educação que se aplica na sociedade brasileira? É o modelo de educação baseada no conhecimento crítico, baseada na necessidade constante de formação de educador, baseada na necessidade de recuperação das condições de trabalho e das condições salariais do educador, baseada na necessidade de garantir a democratização da escola, baseada na necessidade de garantir a participação da comunidade nos processos de decisão da escola, considerando que a escola é o principal elemento do poder local, dentro de uma comunidade.

 

E a partir de janeiro para cá, nós estamos vendo a escola dos economistas de Harvard, a escola quântica, a escola da educação em números e não em qualidade crítica tomar conta do processo de ensino no Estado de Goiás, chocando com toda visão constitucional trabalhada por Paulo Freire, trabalhada por Oscar Saviani, trabalhada por educadores que construíram, com muita luta, o ensino crítico, democrático e consciente. A proposta de colocar a nota do IDEB nas escolas está sendo repudiada nacionalmente por todas as entidades de conhecimento crítico da educação. Porque o IDEB mostra uma nota como referência da qualidade do ensino, da necessidade de fazer um investimento na escola com péssima qualidade. Agora, estabelece um prêmio e esse prêmio não é o da inclusão social, não garante a qualidade de ensino nas favelas e nas zonas rurais, aonde os professores chegam montados em burros ou através de um ônibus que gasta mais ou menos cinco horas para levar as crianças nas escolas. Essa escola, com certeza, terá um IDEB muito pequeno. E, na base da premiação proposta pela Secretaria da Educação, essa escola está fadada ao extermínio. Temos de dar prêmio ao professor que tem condições difíceis, às comunidades carentes, às favelas, às regiões rurais que precisam garantir, através da educação, o processo de inclusão no ensino. E, não àquela que tem a nota máxima do IDEB, conforme a proposta da Secretaria da Educação.

 

Portanto, essa proposta é feita por economistas que não entendem de educação, que têm de voltar à escola para ver o que é o sistema…

 

(TEMPO REGIMENTAL DO ORADOR ESGOTADO)

 

 

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