DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO LUIS CESAR BUENO, NO MOMENTO DESTINADO DISCUSSÃO DE MATÉRIA, AO PROCESSO Nº 4.028/11, REALIZADANA NA SESSÃO ORDINÁRIA DO DIA 20 DE DEZEMBRO DE 2011

Publicado 20/12/2011

 Senhor Presidente;

 

Senhores Deputados; 

 

Senhoras Deputadas.

 

 

Estamos nesta tarde votando o orçamento do Estado de Goiás, a LOA-Lei Orçamentária Anual do Estado de Goiás, que projeta uma receita total de dezesseis bilhões, oitocentos e três milhões, seiscentos e vinte e oito mil reais, assim distribuídos: receitas correntes, quinze bilhões, duzentos e vinte e três milhões; receitas de capital, dois bilhões, quatrocentos e cinquenta e cinco milhões de reais; e uma dedução de receita corrente deve ser déficit no valor de quatro bilhões e setecentos e quinze milhões de reais.

 

Entre a distribuição dos Poderes, não estamos conseguindo analisar, na lei, qual o valor de cada órgão, qual o valor designado ao Poder Executivo, qual o valor designado ao Poder Legislativo e qual o valor designado ao Poder Judiciário. O projeto teve praticamente todas as emendas apresentadas pela Assembleia Legislativa acatadas, pelo Líder e pelo Relator.

 

O projeto subexame orça receita e fixa despesa no valor global líquido de dezessete bilhões, setecentos e cinquenta e oito milhões e a receita líquida para o exercício de 2012, aquela que lemos antecipadamente, dezesseis bilhões, oitocentos e três milhões.

 

O que nós queremos ressaltar aqui, nesta lei, primeiro aspecto: se a Assembléia Legislativa recebesse apenas esse projeto durante todo o ano poderíamos, através da Lei Orçamentária Anual, debater toda a situação do Estado, através do Orçamento Fiscal, porque é através do Orçamento que vamos discutir os recursos para a saúde,  para a educação, para a infraestrutura, para a recuperação das rodovias e para os investimentos na promoção da cidadania. Se a Assembléia Legislativa ficasse apenas debatendo o Orçamento, durante um ano, teríamos condições de apresentar emendas e discutir todas as ações de políticas públicas que seriam desenvolvidas pelo Estado. O problema é que o Orçamento virou uma peça fictícia sob a ótica da Assembléia Legislativa, porque o Orçamento chega a esta Casa como imposição do Executivo. Os Deputados que deveriam pegar esse Orçamento e checar in loco as ações que seriam desenvolvidas na saúde, na educação, na infraestrutura, na promoção social, não o fazem. Gostaria de saber qual o Deputado pegou esse Orçamento e colocou debaixo do braço e foi ao Hugo, às escolas da rede estadual, que foi verificar, in loco, a situação das rodovias, para saber se os problemas do Estado estão dentro do Orçamento. Não está. E os Deputados fizeram de conta que esse trabalho foi feito. Para falar que fizeram alguma coisa, pegaram o pedido do prefeito para a construção de uma ponte, o pedido do Vereador para construir uma unidade de saúde, o pedido do presidente do partido para a construção de vinte, trinta, cinqüenta casas, a solicitação do Vereador para construir uma ambulância, e acrescentou essas emendas pontuais dentro do Orçamento. E eu quero dizer como será o destino dessas emendas: o relator, engessado, acolheu todas as emendas e vai caber ao Chefe do Poder Executivo o veto de todas as emendas. Serão vetadas. E depois vamos brigar aqui, porque parte desses vetos são recursos orçamentários do Poder Legislativo, garantidos através da Constituição do duodécimo, onde Sua Excelência, o Governador, já deu demonstrações no Orçamento do exercício de 2011, que não irá acatar a autonomia do Poder Legislativo, que está explícito neste projeto.

 

Com isso, o Tribunal de Contas do Estado, que através de uma ação eficiente e articulada, está construindo a sua sede, enquanto as pilastras do prédio do Palácio Alfredo Nasser, que já teve início de obras, estão apodrecendo lá no Jardim Goiás. Ao lado do Paço Municipal, está o desmonte das obras do Palácio Alfredo Nasser, perdendo quase seis milhões de reais que foram investidos na construção do Legislativo.

 

Enquanto isso, estamos aqui pedindo licença à Prefeitura e ao bosque, invadindo uma área de preservação, onde já foram assinados vários termos de compromisso para desocupar esta área. O destino dessas emendas será o mesmo destino que tiveram as emendas do Orçamento de 2011, o arquivo.

 

Mas, para não parecer omisso, apresentei uma emenda destinando três milhões de reais para a elaboração de um projeto de integração ferroviária, da FERRONORTE até a Ferrovia Norte/Sul, ligando uma ferrovia de Santa Rita do Araguaia até Alto Araguaia, que ligaria a Ferrovia Norte/Sul aos portos do Pacífico, passando por Mineiros, Jataí, Rio Verde, até chegar ao ramal de Santa Helena, que ficaria totalmente ligada com o ramal sudoeste da Ferrovia Norte/Sul, apenas o projeto. Entendo que se o Governo do Estado apresentar o projeto, o Governo Federal, pela importância daquela Região Sudoeste, pelo deslocamento de grãos e pelo sucatamento das rodovias, com certeza, com o projeto teríamos condições de fazer esse financiamento.

 

Está aqui essa emenda da integração da Ferrovia Norte-Sul até a FERRONORTE, que está parada em Alto Araguaia, nas imediações de Santa Rita do Araguaia, no extremo do Sudoeste goiano.

 

Portanto, gostaria de comemorar. Mas como vamos votar agora uma peça de ficção, fictícia ela será. O Governo não vai cumprir as metas, os Deputados vão fingir que estão fiscalizando, as emendas não serão acatadas, e as nossas assessorias trabalharam meses para produzir emendas que não vão ser cumpridas, serão todas rejeitadas pelo Governador e, lamentavelmente, a discussão da Lei Orçamentária Anual no Estado de Goiás chegou a esse disparate, chegou a esse absurdo. Enquanto outras Casas Legislativas produzem um intenso debate, nós aqui, se eu não me increvesse, nem debate iria ter na votação dessa importante…

 

(TEMPO REGIMENTAL DO ORADOR ESGOTADO)

 

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