Petistas unificam discurso
Publicado 02/02/2014
O PT mostrou um discurso afinado ontem durante a realização do primeiro encontro de uma série que será feita até o final de março para tentar viabilizar a candidatura do prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, ao governo. O encontro, que teve representantes de todas as correntes petistas – mas não contou com a presença do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia –, foi marcado pelo tom elevado que as lideranças adotaram para direcionar críticas à administração do governador Marconi Perillo (PSDB).
O primeiro a discursar, o deputado estadual e presidente metropolitano do PT, Luis Cesar Bueno, disse que o objetivo do partido é apresentar um projeto alternativo, que possibilite o desenvolvimento econômico do Estado com distribuição de renda e justiça social, “diferente do que está em curso”. “Vamos mostrar os problemas de Goiás e dizer qual o Estado nós queremos. Sem esse índice de criminalidade que faz com que Goiânia e Goiás despontem na lista de lugares com a maior criminalidade do País”, alfinetou, comentando em seguida a situação de falta de energia no Estado.
“(O governo) fez empréstimo de R$ 3,5 bilhões e não investiu um centavo. A Celg está à deriva”, continuou. Na última quinta-feira, Estado e Eletrobrás acertaram a transferência de 51% das ações da empresa goiana para a estatal federal, após queda-de-braço que durou oito meses.
Na mesma linha de Luis Cesar, Gomide iniciou seu discurso de meia hora dizendo que o PT está construindo “a melhor chapa para concretizar o desejo do eleitor e tirar quem está no poder há 16 anos”. “Nós queremos uma chapa que tenha a cara do povo goiano para poder ganhar”, afirmou, recebendo aplausos. E emendou em seguida que “Goiás não quer mais o PSDB e que as ruas pedem renovação”.
“As pessoas estão esperando menos promessas, menos discursos e mais realização e isso o PT pode fazer. O meu nome é lembrado pela aprovação de mais de 80% que tenho em Anápolis e isso acontece porque nós sabemos governar e conhecemos bem Goiás, andamos desde 1982 por todos os municípios, construindo o PT”, afirmou o petista.
Apesar de ter focado seu discurso no direcionamento de críticas ao PSDB e enfatizado que os partidos de oposição precisam ir para a campanha unidos, Gomide não se esquivou de direcionar, mais uma vez, críticas aos adversários, questionando a “compra de partidos”. “Vamos mostrar àqueles que acham que é preciso comprar partidos que a nossa militância está viva. É essa a militância que dará vitória à reeleição de Dilma e elegerá o primeiro governador em Goiás do PT”, prometeu.
Há uma semana, quando foi apresentado oficialmente pré-candidato pela Executiva estadual do PT, chegou a dizer que sua candidatura é diferenciada e que não compra aliados, fazendo referência ao empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi, que já afirmou ter condição de bancar a sua candidatura e dos aliados.
Em clima de campanha, o pré-candidato teve o discurso interrompido em vários momentos por gritos de guerra de militantes do partido. Integrantes do PT Jovem erguiam faixas com frases de apoio à pré-candidatura do prefeito e entoavam hinos, como “Eu nunca vi, eu quero ver esse Estado governado pelo PT” e “Eu sou Gomide, eu não me engano, fora Marconi, fora tucano”. Sem demonstrar preocupação com as restrições do calendário eleitoral, candidatos ao Legislativo aproveitaram para pedir votos de forma indireta. Os próximos encontros serão realizados em Valparaíso e Formosa.
PRESENÇA
Embora o prefeito Paulo Garcia não tenha comparecido à reunião da pré-candidatura de Gomide, integrantes do seu grupo político e auxiliares compareceram, como os secretários Iram Saraiva Júnior (chefe de gabinete), Ivanor Florêncio (Cultura), Neyde Aparecida (Educação), Pedro Wilson (Agência Municipal do Meio Ambiente) e Valdi Camarcio (Administração).
O secretário de Governo, Osmar Magalhães, que é muito próximo a Paulo, também não apareceu. Além dos secretários municipais, estiveram presentes os deputados federais Marina Sant’Anna e Otoni; deputados estaduais Humberto Aidar, Karlos Cabral, Luis Cesar Bueno e Mauro Rubem.
O ex-secretário da Comurg, Paulo de Tarso, o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira, várias lideranças do interior, entre elas, prefeitos, vereadores e secretários de governos, além de vereadores da capital, Felisberto Tavares e Tayrone di Martino, marcaram presença. O auditório Jaime Câmara não comportou a quantidade de pessoas que foi ao encontro. Muitos tiveram de se acomodar do lado de fora do anfiteatro. De acordo com a organização do evento, havia lideranças de mais de 60 municípios.
Oposição só tem a ganhar, dizem líderes
02 de fevereiro de 2014 (domingo)
Durante as quatro horas de reunião, o PT abriu espaço para que parlamentares e lideranças municipais falassem. Os discursos foram afinados no sentido de que o partido deve usar todas as estratégias para viabilizar a candidatura própria.
Deputado federal, Rubens Otoni mandou recados a colegas de partido, destacando em sua fala que “aqueles que são contra a candidatura de seu irmão e torcem para que o PT não tenha candidatura tentam espalhar que a candidatura de Gomide é problemática e dividirá a oposição”.
“Tem de tomar cuidado. Nós não pensamos assim. A candidatura dele não vem para atrapalhar, enfraquecer ou dividir. Pelo contrário. Nossa candidatura vem para fortalecer a oposição”, defendeu, arrancando aplausos dos presentes. Recentemente, o prefeito Paulo Garcia defendeu que a cabeça de chapa deve ficar com o PMDB.
O subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, Olavo Noleto, reforçou as palavras de Otoni e defendeu que a candidatura própria não é para dividir, mas para fortalecer. “Estamos apresentando um nome para unificar e não desunir. É legítimo que cada partido (da oposição) apresente o seu, mas também é legítimo que o PT diga que tem e que pode governar o Estado”, defendeu.
CRÍTICAS
Questionado sobre os comentários de bastidores, de que José Batista Júnior estaria cercando os demais partidos da oposição para deixar o PT sem opção de alianças, o presidente estadual do PT, Ceser Donisete, evitou polemizar o assunto e disse que não acredita que o empresário esteja realizando tal manobra.
Para ele, isso é coisa de integrantes do governo do Estado “que tentam plantar intriga no campo adversário”. “Isso não existe. As pessoas acham que nós não conversamos, mas, ao contrário, nós do PT e o PMDB mantemos conversas constantes com todos os partidos da oposição”, minimizou.