Lideranças goianas falam em “equívocos” da Justiça no caso
Publicado 17/11/2013
Lideranças goianas do PT comentaram ontem de forma geral as prisões de petistas condenados no processo do mensalão e evitaram falar sobre Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido que está entre os presos. Goiano de Buriti Alegre, Delúbio recebeu pena de 8 anos e 11 meses pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha – recorre deste último – e se apresentou ontem à Polícia Federal em Brasília.
O prefeito de Anápolis, Antônio Gomide, aponta conotação política nas condenações e diz que o tempo e a história vão mostrar os “equívocos cometidos” pela Justiça. Ele compara o caso à morte do ex-presidente da República, João Goulart, que quase 37 anos depois causa dúvidas. “Está claro que houve motivação política (no mensalão). Como no caso de Jango, a verdade vai aparecer”, concluiu. Gomide não quis especificar quais são os equívocos cometidos pelo Supremo. Questionado sobre Delúbio, o ex-prefeito se limitou a dizer que não tem contato com ele.
A deputada federal Marina Sant’Anna diz que se surpreendeu com os mandados de prisão antes de todos os recursos serem julgados, mas que os petistas já se preparavam para este momento. Ela diz que o sentimento é de muita tristeza no PT, mas não de encolhimento.
“Não é fácil. Em pensar que nem mesmo no passado existia esse tipo de coisa (alega que as sentenças não foram condizentes com a realidade). Não houve enriquecimento ilícito (de condenados), não houve proveito do cargo público, nós no solidarizamos com todos eles”, declarou.
Dos petistas ouvidos, Marina foi a única a falar sobre Delúbio. A deputada disse que o conhece há mais de 30 anos e que os dois militaram juntos em Goiás. Ele foi um dos fundadores do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Lutamos contra a ditadura, contra a violência e por um País melhor”, finalizou.
A exemplo de Marina, o presidente metropolitano do PT, deputado estadual Luis Cesar Bueno, também reclamou do prazo para recursos que não foi cumprido e lembrou o período em que o caso veio à tona em 2005. Segundo ele, mesmo diante de “exposição exacerbada” do fato, o PT foi absolvido pela população.
“Em 2006, o ex-presidente Lula foi reeleito com 6 milhões de votos a mais que em 2002 e, em 2010, elegemos a primeira presidente mulher no Brasil. Diferentemente do mensalão do PSDB e do DEM, que até hoje não foram julgados, a exploração política em cima desse caso não é de hoje”, alfinetou.
A reportagem tentou contato com o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, que não retornou às ligações até a conclusão desta edição. O presidente estadual do PT, Valdi Camárcio e o presidente eleito para 2014-2018, Ceser Donizete, também não foram localizados.