Chapa única das oposições

Publicado 03/10/2013

As vésperas do prazo final para filiação partidária o ex-governador Alcides Rodrigues vem sendo disputado por inúmeras siglas em Goiás. Fundador do PP (Partido Progressista), ele anunciou que vai se desligar da legenda, que com a filiação do vice-governador José Eliton (ex-DEM) consolidou seu apoio à reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB).

Nesta semana, Alcides Rodrigues recebeu em seu escritório político do deputado estadual Luis Cesar Bueno convite para filiar-se ao PT. “Dr. Alcides é um homem honrado, que fez um governo sério, ético e por seu trabalho é lembrado em todas as regiões do Estado como alternativa para o governo do Estado. Será uma honra contar com sua experiência nos quadros do PT”, afirma.

O ex-governador Alcides Rodrigues ficou lisonjeado com o convite. Diz que recebeu outros convites e vai decidir seu destino partidário em sintonia com amigos e colaboradores. De antemão frisa que sempre recebeu tratamento respeitoso do PT no período de sua administração (2007-2010) e entende que todas as forças politicamente de Goiás devem estar unidas para enfrentar a máquina governista nas próximas eleições. “Temos que exercitar o diálogo e o despreendimento dos líderes da oposição para construirmos uma chapa de consenso e um projeto de governo voltado aos interesses da população”, sentencia.

Luis Cesar Bueno tambem defende um “chapão” das oposições. Avalia que há espaço na chapa majoritária e nas chapas proporcionais para acomodar todos os projetos partidários. O petista, que recentemente defendeu que PT e DEM superem divergências em prol da unidade, salienta que “para tirar Goiás das páginas policiais é necessário que cada partido e liderança dê sua cota de sacrifício.”

Além do PT, Alcides Rodrigues recebeu convites do PDT do ex-ministro Carlos Luppi, do DEM do deputado federal Ronaldo Caiado, do PSC do deputado federal Marcos Feliciano, do PRP do ex-secretário da Fazenda Jorcelino Barga e do PSB do governador Eduardo Campos (PE), que ligou pessoalmente para chamá-lo para ligar-se aos socialistas. Ainda sem definir se será candidato nas próximas eleições, o ex-governador tem uma certeza: quer participar do processo que leve a mudança em Goiás.

O gaullista

Alcides Rodrigues valoriza a palavra empenhada

Alcides Rodrigues Filho sempre foi comedido no uso da palavra. Avesso a arroubos de oratória, ou de vaidade, sempre valorizou o verbo durante o seu período de governo (2007-2010). E fora dele, manteve a mesma elegância que pautou sua atuação como governante. Na França diriam que ele é um Gaullista, uma vez que o grande político francês, Charles de Gaulle, era também comedido no falar, dizia: “Nada faz realçar mais a autoridade do que o silêncio, esplendor dos fortes e refúgio dos fracos.”

Médico que fez carreira no interior – ao contrário da geração atual que prefere os grandes centros –, Alcides Rodrigues orgulha-se de seu trabalho como clínico geral. Afirma que no seu tempo de faculdade o médico era formado para atender todas as necessidades de um município. Tinha que saber fazer anestesia, clinicar e operar. “Era a fase romântica da Medicina”, frisa.

Afastado do cenário político desde que deixou o governo em 31 de dezembro de 2010, Alcides Rodrigues retoma as atividades colocando-se à serviço da oposição. Seu entendimento é de que todas as lideranças oposicionistas devem sentarem-se à mesa para discutir os rumos de Goiás. O caminho, avalia, é um projeto que una todas as matizes políticas contrárias ao prolongamento do ciclo tucano de poder, que chega a 16 anos em 2014.

Durante sua administração Alcides Rodrigues enfrentou graves problemas financeiros. Trabalhou em silêncio para pôr as finanças do Estado em ordem. O resultado que pode ser conferido, sem ressalvas, é que Goiás hoje tornou-se capacitado para receber investimentos, sobretudo através de empréstimos junto à todas as instituições financeiras nacionais e internacionais. Este cenário não seria possível sem o choque de gestão promovido pelo seu governo, que reduziu o número de cargos comissionados, secretarias, saneando despesas e racionalizando gastos.

Há ainda gargalos que o atual governo oculta. A Celg por exemplo. Recebeu centenas de milhões de reais mas não foi saneada. Empresários queixam-se da falta de segurança energética, e muitas indústrias importantes deixaram de vir para Goiás para se instalarem em Minas Gerais ou no Mato Grosso, onde há segurança no fornecimento de eletricidade. O inchaço da folha de pagamento, sobretudo com os comissionados, a privatização dos serviços de saúde, de água e esgoto e a precarização do ensino público e, sobretudo, a alarmante escalada da violência são temas que preocupam o ex-governador.

É diante destes desafios que Alcides Rodrigues avalia que todo o desprendimento será necessário por parte dos líderes oposicionistas, na construção de um projeto de governo que coloque Goiás em ordem.

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