Peemedebista revela retirada de assinatura de CPI

Publicado 06/03/2013

Parte do mistério que envolvia a retirada das assinaturas de requerimentos que pediam a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) na Assembleia Legislativa foi resolvido no início da noite de ontem. Depois de uma tarde de embates entre oposição e o presidente da Casa, deputado Helder Valin (PSDB), que se negou a informar os nomes dos deputados desistentes, Paulo Cezar Martins (PMDB) se apresentou como um dos autores da retirada de assinatura. Ele havia assinado somente o requerimento da CPI das Rodovias, de autoria do deputado Luis Cesar Bueno (PT), e disse que decidiu retirar por acreditar que as CPIs “não dão em nada”.

“Eu assinei a contragosto, para ajudar os colegas a instalar as CPIs. Mas o combinado era que as três seriam apresentadas juntas e o deputado Luis Cesar (PT) foi lá e apresentou antes, não sei porquê. Nem cheguei a assinar as outras. CPI nunca dá em nada, sempre tem maioria do governo. Essa última, do Cachoeira, que inclusive nem teve a minha assinatura, é prova disso”, se justificou. As três comissões a que o deputado se refere são as CPIs das Rodovias, da Saúde e da Segurança, todas propostas pela oposição.

Paulo Cezar garantiu que partiu dele a iniciativa de retirar a assinatura e que não foi procurado por ninguém. “Fui (à presidência) espontaneamente, há dias, quando o Luis Cesar entregou o requerimento dele primeiro. E ainda vem com documento de desconfiança, isso é besteira. Não vou ficar segurando papel para os outros fazerem negócio”, declarou, referindo-se ao novo requerimento apresentado ontem pela oposição, para recolher as assinaturas de todos os deputados e entregar a Valin, como forma de pressioná-lo a informar os nomes dos deputados que retiraram as assinaturas.

O objetivo da oposição era descobrir, por meio do documento, quem havia refutado do compromisso. Os deputados que se recusassem a assinar, seriam considerados suspeitos. Paulo Cezar informou ao líder de seu partido, deputado Bruno Peixoto, que não assinaria o documento. “É uma questão de foro íntimo do deputado. Respeito o posicionamento dele, embora não concorde. É uma posição isolada dentro da bancada”, disse Peixoto, indicando que o deputado não deverá sofrer punições.

Apesar da confirmação de Paulo Cezar, nem tudo está resolvido. Ainda falta um deputado se manifestar, já que outras duas CPIs foram arquivadas. Quatro deputados faltaram à reunião da bancada de oposição, realizada antes da sessão ordinária, e não assinaram o documento proposto pela bancada. Além de Paulo Cezar, não compareceram Samuel Belchior (PMDB), Isaura Lemos (PC do B) e Simeyzon Silveira (PSC).

O último entrou no rol de suspeitos, de acordo com um deputado, depois que deixou de atender as ligações dos colegas que o pediram para comparecer à Assembleia para assinar o requerimento. Ele teria informado que chegaria em 30 minutos e, depois disso, não apareceu e deixou de atender as ligações. A reportagem não conseguiu contato com o deputado, que declarou-se oposição no início de fevereiro.

Presidente

Durante a sessão ordinária, deputados da oposição se revezaram nos microfones para afirmar a Valin que nenhum deputado da oposição havia retirado a assinatura e que, portanto, ele teria a obrigação de informar os supostos nomes. Até então, de acordo com os oposicionistas, todos os deputados negaram a autoria da retirada da assinatura, o que colocava o presidente em posição de desconfiança. Alguns chegaram a levantar, como mostrou o POPULAR, a hipótese de o presidente ter arquivado os pedidos mesmo com a quantidade de assinaturas suficiente.

Ao final da sessão, muito irritado, Valin se reuniu com a oposição e voltou a afirmar que não daria os nomes. “Sei das minhas obrigações como presidente. Não é a primeira vez que estou nesta posição. Não tenho a obrigação de apresentar os nomes e não vou fazê-lo. Cabe ao deputado que assina ou deixa de assinar essa obrigação. Minha preocupação é seguir o regimento”, disse. Os oposicionistas insistiram que se não houver confirmação dos nomes, entrarão na Justiça para garantir a informação.

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