Calmaria, mas por pouco tempo

Publicado 10/09/2012

 Os trabalhos na As­sembleia Legislativa voltaram em clima de calmaria e pontuados por picuinhas entre os deputados Luís César Bueno (PT) e Jardel Sebba (PSDB). Embora tenha passado um mês em recesso, a relação entre oposição e situação não segue das mais amenas.

Os projetos que causarão maior polêmica e disputa política na Casa ainda serão encaminhados pela governadoria. Entre eles, está a mudança na Lei de Licitações do Estado, objeto de debates acalorados no último semestre. Com o argumento de dar “maior celeridade aos processos licitatórios”, o governador estuda regulamentar as licitações por meio de decreto.
Como nenhum projeto tinha chegado ao plenário até quinta, 04, as polêmicas ainda não haviam começado. O líder do governo, deputado Helder Valin (PSDB), também só compareceu no plenário na quinta, 04. Porém, a bronca de um deputado tucano muito ligado ao governador ainda continua com a Casa Civil.
“A maior demora entre um projeto do governador até o legislativo, é quando chega na Casa Civil. Os projetos demoram muito da Casa Civil para cá”, reclama. No início do ano, o presidente Jardel Sebba mostrou publicamente sua insatisfação com o presidente da Casa Civil, Vilmar Rocha, ao publicar em seu twitter que os deputados da base não estavam sendo atendidos. Vilmar minimizou as críticas de Jardel, afirmando que a pressão era legítima e o assunto se encerrou. Mas, para esse segundo semestre as coisas podem se apimentar novamente. 
Com a resolução do problema Fundesp, que rendeu debates acalorados e trocas de farpas entre o líder do governo e alguns oposicionistas, a oposição espera os novos projetos da governadoria para poder agir. Os oposicionistas continuam numa postura de reação ao governo, sendo pautados pelas ações do executivo.
Os deputados ouvidos pela reportagem confirmaram que a oposição ainda não se reuniu para tratar desses temas que irão surgir. Isso mostra que falta sintonia entre os poucos deputados que ainda compõem o contraponto ao governo Marconi Perillo.

Defesa
Embora tenha sido um desentendimento pessoal entre os deputados Jardel Sebba e Luis César Bueno, o bate boca protagonizado pelos dois revela que a situação entre oposição e governo continua tensa. Desde a novela Fundesp, o cli­ma se acirrou. Porém, a base governista soube demons­trar união e montaram uma força-tarefa em que diversos deputados subiram ao pequeno expediente para defender Jardel Sebba.
Túlio Isac e Evandro Magal cumpriram esse papel na quarta, 03. Túlio aproveitou para criticar os oposicionistas afirmando que Jardel seria agora o ponto de embate, pois não querem criticar o governo. O deputado chegou a sugerir que a oposição estava atrás de acordos com o governador.
O tema foi assunto da fala do deputado Francisco Gedda no grande expediente, que criticou o colega. Para o aliado do ex-governador Alcides Rodrigues, a fala de Túlio depõe contra toda a instituição. “Nunca usei a oposição para denegrir a pessoa de Marconi Perillo”, pontuou.
Luís César Bueno se irritou com Jardel Sebba na primeira sessão de terça, 2. Segundo o petista, ele havia pedido inscrição para pronunciamento no grande expediente e o tucano havia negado. "Não admito que Vossa Excelecência passe rasteira na oposição e não me deixe falar", declarou antes que seu microfone fosse cortado e o deputado fizesse um xingamento.
Ainda na quarta o assunto tomava conta do plenário, mas Jardel resolveu amenizar, enquanto seus colegas saiam em sua defesa. "Não vejo motivo para estardalhaço. Foi um ato infeliz e o deputado reconheceu isso", afirmou dando o assunto por encerrado.
Do lado do PT e PMDB, nenhum deputado subiu na tribuna para defender o colega. O que chamou a atenção foi o deputado Bruno peixoto (PMDB), que ao fazer um pronunciamento aproveitou para elogiar Jardel Sebba "por seu trabalho no comando da Casa". 
O deputado Daniel Vilela acredita que o clima de “paz e calmaria” na Assembleia é momentâneo e deve começar a esquentar justamente quando os projetos da governadoria começarem a chegar no plenário. “O importante é a oposição se posicionar contra as atrocidades que estão sendo cometidas”, afirmou.
O deputado entende que a oposição tem pouca força para barrar quaisquer votações, mas deve marcar presença nas votações, como fez no caso Fundesp. Durante as votações do Fundo, a oposição usou dos recursos regimentais que tinha para atrasar a votação, deixando o líder do governo numa posição desconfortável. Embora aprovado na primeira votação, a base governista venceu com um placar apertado.

+ Notícias