Dilema da bancada petista
Publicado 20/06/2011
Com a marca de 89 municípios goianos visitados em quatro meses, não restam dúvidas de que o deputado federal Rubens Otoni (PT) tem se esforçado para manter seu nome em pauta em todo o Estado. Otoni é tido hoje como a principal liderança do Partido dos Trabalhadores em Goiás e braço direito de Lula quando o assunto é difundir o Plano de Aceleração do Crescimento, famoso PAC, pelos municípios.
Em entrevista à Tribuna e nos constantes encontros regionais do PT, o deputado declara que quer ser candidato ao governo, desde que isso não signifique a separação dos partidos da base lulista no estado em 2010. "Não quero ser candidato para dividir, serei candidato para somar. Se a minha candidatura (como cabeça de chapa ou vice) servir para unir a base de Lula, estarei à disposição". Com a saída de Rubens da Câmara, especula-se que poucos são os nomes eleitoralmente fortes do partido que podem preencher a vaga e também contribuir para aumentar o bancada do PT em Goiás.
2010
Nenhum dos petistas, com potencial para ocupar o cargo, entrevistados pela Tribuna deu certeza do caminho que deve seguir em 2010. Os deputados estaduais Humberto Aidar (PT), Mauro Rubem (PT) e Luis César Bueno (PT) são, até o momento, candidatos à reeleição. Para eles, a saída de Rubens Otoni da Câmara é o que pode significar uma mudança de planos e um chamado do partido para o cargo mais alto. Otoni acredita que qualquer um dos deputados estaduais tem total capacidade de pleitear a vaga federal, mas ele ressalta que a sua saída não deveria ser o critério dos deputados. "Independente da minha ida ou não para uma disputa no governo do Estado ou Senado, acho que os deputados estaduais deveriam se candidatar à vaga federal na Câmara". Otoni acredita que esse tipo de disputa dentro do próprio partido é plenamente saudável e positiva. "Já que a eleição para deputado é feita por legenda, quanto mais candidatos (federais e estaduais) tivermos, mais chances teremos de eleger o PT", opina.
A maior dúvida sobre o futuro da bancada petista reside sobre os secretários companheiros do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB). Ao definir a sua equipe, Iris declarou aos quatro ventos que qualquer um que estivesse com a pretensão de pleitear cargos em 2010 não faria parte do secretariado da prefeitura. Nomes petistas já reconhecidos como a secretária de desenvolvimento econômico e ex-deputada federal Neyde Aparecida (PT), o secretário de planejamento e ex-deputado estadual Luis Alberto Oliveira (PT) e o assessor especial e também ex-deputado estadual Osmar Magalhães (PT) seriam boas opções do partido para disputar posições nas bancadas petistas em 2010. Mas nenhum deles sinaliza, hoje, que esse é um objetivo. Até que Iris defina o seu próprio caminho para o ano que vem, todos os secretários e assessores da prefeitura estão fadados a não expor seus planos pessoais.
O secretário de governo e presidente regional do PT, Valdi Camarcio (PT), integra o coro do time de ex-deputados que abusam da frase "Não sou candidato". O presidente informou à Tribuna que os encontros regionais realizados pelo partido desde março tem como principais objetivos fazer um levantamento de como estão funcionando as prefeituras petistas, verificar e auxiliar a atuação dos vereadores do partido nos municípios e, principalmente, preparar os companheiros para 2010. "Estamos debatendo quais os nomes do PT que melhor representam a base. O objetivo principal é aumentar a nossa bancada. Estamos nos reunindo e nos pvgreparando com 1 ano e 3 meses de antecedência para que isso aconteça", afirma. O presidente explica que, ter uma chapa completa, com direito a candidato ao governo do Estado e vários candidatos a deputado, é o desejo maior de todo o partido. Mas a hipótese de abrir mão da candidatura majoritária para não separar a base do presidente Lula em Goiás também é considerada com atenção pelas lideranças.
"Estamos trabalhando com antecedência sobre as duas hipóteses para nos prepararmos e termos mais deputados do que em 2006". No último pleito estadual, o PT apoiou o atual presidente da Agência Goiana de Turismo (Agetur), Barbosa Neto (PSB) e perdeu votos na bancada dos deputados. Hoje, o partido soma três deputados estaduais e apenas dois federais (Otoni e o ex-prefeito de Goiânia Pedro Wilson).
O que dizem sobre 2010
É preciso lutar pela chapa própria, pela cabeça de chapa. O PT só vai se consolidar no Estado se deixar de aceitar a posição de vice. Se o partido for forte em Goiás, automaticamente vamos ajudar o presidente Lula a realizar o plano nacional de sucessão do PT. Precisamos prevalecer na memória dos eleitores.”
Humberto Aidar (deputado estadual)
O plano nacional não prejudica nossa atuação no Estado, só ajuda. Os problemas estaduais podem ser justificados pelo sucesso do plano nacional. Mas a maioria que apóia Lula também deveria apoiar o nosso partido como um todo. Lula não seria nada hoje sem o PT.”
Mauro Rubem (deputado estadual)
Não existe outro nome petista tão forte em todo o estado quanto o de Otoni para ocupar os cargos federais, mas ainda sim vamos lutar por uma bancada maior se ele for candidato ao governo.”
Valdi Camarcio (presidente regional do PT)
Política é um jogo de xadrez, não de damas em que todas as peças são iguais. Trocamos peões por um bispo (vereadores pela vice-prefeitura) em Goiânia e o PT está evoluindo em todo o Estado. O objetivo é evoluir mais em 2010, sempre com o foco em unir a base do presidente Lula.”
Rubens Otoni (deputado federal)
Nomes Petistas
Quem pode querer disputar a bancada petista:
Marina Sant`Anna
Ex-vereadora, já foi candidata à prefeitura de Goiânia
Luis Alberto Oliveira
Ex-deputado estadual e secretário de planejamento municipal
Osmar Magalhães
Ex-deputado estadual e assessor especial de Iris Rezende
Valdir Camarcio
Presidente regional do PT, ex-deputado estadual e secretário de governo de Iris
Neyde Aparecida
Ex-deputada federal e secretária de desenvolvimento econômico da prefeitura de Goiânia.
Reeleição:
Estadual:
Humberto Aidar
Mauro Rubem
Luis Cesar Bueno
Federal:
Pedro Wilson
Senado / Governo:
Rubens Otoni