Iris será maestro da campanha de Paulo

Publicado 10/10/2011

 Só há uma variável na eleição deste ano que é reconhecida e respeitada por todos os grupos políticos que estão de olho na prefeitura de Goiânia: a força do ex-prefeito Iris Re­zende (PMDB) como cabo eleitoral. Os aliados colocam o peemedebista como o principal puxador de votos da campanha à reeleição do prefeito Paulo Garcia (PT). Os adversários tentam minimizar o potencial de transferência de votos do peemedebista, mas reconhecem sua importância na corrida ao Paço Municipal. 

Como se dará a presença de Iris na corrida eleitoral des­te ano já não é segredo para aliados e nem adversários. A expectativa é que o ex-prefeito entre de ‘corpo e alma’ na campanha de Paulo Garcia. Os sinais e as declarações são claros nesse sentido. Mas a de­terminação dele em reeleger o petista deixa uma incógnita entre seus companheiros: Iris Re­zende estaria preparando o terreno para uma candidatura em 2014?
Entre os peemedebistas a hipótese ganha contorno de realidade diante das últimas movimentações do ex-prefeito. Para entrar de fato na campanha de Paulo Garcia, Iris estaria nesses últimos meses focado em resolver problemas pessoais e da eleição de 2010 para que até o início da campanha possa estar livre para andar lado a lado com o petista nas ruas da capital.
“A presença dele será efetiva, constante. Iris estará em todos os eventos, todas as caminhadas e carreatas ao lado do prefeito. O objetivo é não desgrudar do Paulo nessa campanha”, afirma um aliado do ex-prefeito. Tanto interesse na avaliação de peemedebistas tem o objetivo de se preparar para campanha de 2014. A dúvida é para qual cargo Iris estaria fazendo dessa eleição um trampolim.
Um dos cenários esboçados aponta que o peemedebista estaria de olho em mais uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas. A participação efetiva na campanha manteria Iris em contato direto com eleitorado da maior cidade do Estado. Além disso, o peemedebista enxerga enfraquecimento do principal ad­versário, o governador Marco­ni Perillo (PSDB), que deve disputar a reeleição e que o derrotou em duas disputas ao governo (1998 e 2010). 
Uma vitória em 2012 mostraria novamente sua força eleitoral na capital. Mesmo distante da chefia do Executi­vo municipal há mais de dois anos, Iris deve travar um novo embate com Marconi, que banca o deputado federal Leo­nardo Vilela (PSDB). Iris ten­de a ser o principal fator de uma possível reeleição de Pau­lo Garcia, que vive em constantes desgastes à frente da prefeitura.

Gestão Iris
Embora tenha saído derrotado da eleição de 2010, Iris venceu Marconi na capital nos dois turnos da disputa. No primeiro turno, o peemedebista venceu o tucano na cidade com mais de 51 mil votos de frente (292.959 contra 241.115 votos). No segundo turno, a diferença foi ampliada para mais de 70 mil votos (369.024 contra 298.163 votos).
A boa votação de Iris em 2010 e seu potencial de votos para alavancar a campanha de Paulo Garcia estão calcados na gestão bem avaliada do peemedebista de 2005 a março de 2010. Na disputa municipal de 2008, Iris foi reeleito no pri­meiro turno com 74% dos vo­tos válidos, contra 15% de Sandes Júnior (PP) e 5% do Gil­vane Felipe (PPS), ambos aliados de Marconi Perillo, à época senador. No início de 2010, o peemedebista saiu da prefeitura com mais de 80% de aprovação.
Além de boas votações, a gestão bem avaliada do peemedebista foi traduzida em influência política que se estende até hoje na administração de seu sucessor. O PMDB ocupa importantes pastas, principalmente relacionadas às obras, uma das marcas do ex-prefeito à frente da prefeitura de Goiânia. Iris também tem influência direta e constante nas decisões do prefeito, principalmente na composição do seu corpo de auxiliares.
A última reforma do secretariado é um exemplo. Segun­do peemedebistas, os nomes escolhidos por Paulo Garcia passaram pelo crivo de Iris Rezende. Em entrevista coletiva, no anúncio dos novos auxiliares, há quase um mês, o próprio prefeito assumiu que consultou o ex-prefeito. Disse que consultou todos os partidos aliados e que consultou o peemedebista “Nosso governo é de aliança. Todos os partidos que fazem parte do nosso leque de aliança foram ouvidos. O ex-prefeito, como pessoa de expressão do seu partido, foi ouvido”, afirmou.
No PMDB, a avaliação é de que a herança administrativa deixada por Iris, leia-se os quadros do partido em pastas estratégicas, é que tem mantido a gestão de Paulo Garcia. Dentro do partido, o petista tem sido criticado pelos constantes desgastes, principalmente com relação a obra de revitalização do Parque Mutirama, obra que teve o projeto gestado na administração de Iris e mal conduzida por seu sucessor. 
Os peemedebistas também se queixam que Paulo não tem controle sobre seus auxiliares. A comparação é constante com a forma que o ex-prefeito conduziu o Paço em seis anos de gestão. No entanto, os peemedebistas estão amarrados na vontade da sua principal liderança. Fator que os petistas hoje fiam-se para o PMDB na campanha, mesmo com uma ala do partido descontente.
As lideranças petistas reconhecem a força de Iris. Dizem que será o principal cabo eleitoral de Paulo Garcia. “O ex-prefeito será importante nessa eleição pela boa avaliação de sua administração. Será o puxador de votos dessa aliança entre PT e PMDB”, diz o deputado estadual e presidente do diretório metropolitano do PT, Luis César Bueno.
Membro do diretório estadual do PT, o chefe de gabinete do prefeito, Osmar Maga­lhães, também reconhece a importante de Iris Rezende na reeleição de Paulo Garcia. Para ele, o peemedebista será importante na disputa. “É um nome reconhecido pelo eleitorado de Goiânia. Será importante na reeleição do prefeito Paulo Garcia pelas gestões que comandou na cidade nesses últimos anos”, pontua.
Para o secretário de Gover­no do Paço Municipal, Sa­muel Belchior, Iris será o fator decisivo na campanha. “As pesquisa têm apontado o alto índice de transferência de voto do ex-prefeito. Isso pesa muito em uma eleição que pode ser decidida no primeiro turno por poucos votos, ou mesmo em uma arrancada no segundo turno”, avalia o peemedebista. 
O colega de parlamento de Sa­muel, deputado estadual Wag­ner Siqueira Júnior, faz a mesma avaliação. Para ele, Iris é o maior cabo eleitoral dessa eleição e fator decisivo na disputa. “Ele é uma reserva política e e­leitoral não só do PMDB, mas dessa aliança que tem o PT e o prefeito Paulo Garcia como parceiros”, diz Wagui­nho, presidente da Co­mis­são Provisória do Di­retório Metr­o­politano do PMDB.
A dependência petista a Iris na campanha de Paulo Garcia deve ser positiva para o peemedebista. Enfraquecido por uma gestão na Capital que colecionou desgastes nesses quase dois anos, o PT tende a ficar preso a força eleitoral do ex-prefeito para tentar se manter no Paço. Enquanto isso o partido é pressionado pelos correligionários de Iris Rezende a anunciar publicamente que vai apoiar o candidato do PMDB na disputa ao Palácio das Esmeraldas, em 2014. 
Diante desse cenário, o peemedebista não terá dificuldades de derrubar a pré-candidatura do deputado federal Rubens Otoni ao governo. O problema está dentro do seu partido. Lideranças já dão sinais de que mais uma candidatura de Iris ao governo não seria bem aceita no interior. Há no PMDB quem torça e diz que trabalhará para que o ex-prefeito seja candidato ao Senado. O objetivo é que novos nomes da legenda possam se projetar. A dúvida é se vão conseguir. O histórico mostra que não.

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