Deputado de oposição diz que “não tem de falar mal do governo”
Publicado 10/01/2013
Na oposição, a tribuna é a oportunidade para fazer o que se espera de um bloco oposicionista, que é a fiscalização das ações governamentais. De modo geral, a bancada mostra participação, já que, sem poder contar com a propaganda institucional, o parlamento é a única forma de mostrar combatividade.
“Nós somos a oposição. Não temos alternativa senão falar e questionar o que achamos que está errado. O governo tem maior bancada e consegue aprovar projetos, mas temos os nossos votos e, além disso, temos os discursos para mostrar o que podemos fazer pelo estado”, afirma o deputado Wagner Oliveira, o Waguinho (PMDB). Outros nomes também dividem a tribuna com o peemedebista. No PMDB, Daniel Vilela também tem voz, assim como Mauro Rubem e Luís César Bueno, ambos do PT. Esse quarteto forma o principal canal da oposição dentro da Assembleia.
Nem todos no grupo oposicionista, porém, seguem esta formula. Na outra ponta, está o deputado Luiz Carlos do Carmo (PMDB). Assim como parte dos parlamentares governistas, ele comparece às sessões, vota com a bancada, mas não é visto criticando a gestão de Marconi Perillo. O peemedebista chega a afirmar que muitos discursos atrapalham o funcionamento da Casa. “Isso chega a ser contraproducente. Eu sou prático, eu vejo o projeto e dou o meu voto. Eu não estou aqui para falar mal do governo ou do governador. Ele ganhou a eleição”, argumenta.
O peemedebista usou a tribuna em maio, quando passou por uma tragédia pessoal. A filha dele, Michele do Carmo, foi vítima de assalto em Goiânia e acabou assassinada. Na época, ele fez pronunciamento público pedindo bloqueio de celulares em presídios, onde o crime teria sido planejado.
"Sou deputado porque minha filha cuidava de minhas empresas. Quero agradecer ao governador Marconi Perillo por me ligar e auxiliar a elucidar o crime. Partiu do Cepaigo uma ordem para roubar um carro idêntico ao de minha filha. Não há nada que eu possa fazer por minha filha, mas posso fazer pelas filhas dos outros. Quem mata para roubar, não merece nosso perdão. Quem tem que chorar é a mãe do bandido", disse à época.
Exceto pela ocasião, ele voltou a usar a tribuna poucas vezes desde então. Mas, segundo o peemedebista, ele voltaria a discursar caso os pronunciamentos tivessem consequências mais práticas. “O que vale aqui é voto. O meu voto tem o mesmo peso do voto do Túlio Isac, que fala muito. Se subir na tribuna para discursar ganhasse eleição, eu subiria lá todos os dias”, defende.
Além de Luiz Carlos do Carmo, a oposição tem outro parlamentar que não mostra muita atuação. É o caso de Nélio Fortunato (PMDB), que, apesar de sempre marcar presença no plenário, não discursa e não está presente nas votações.
Um deputado da base governista que não quis se identificar critica a postura do peemedebista. “Ele é de uma pontualidade britânica. Ele chega aqui 14h30 todos os dias e deixa o carro ligado. Vai lá ao plenário, marca a presença, volta para o carro e vai embora. Francamente, eu não sei o que é pior: um deputado que não discursa ou um que não comparece”, alfineta. A Tribuna tentou entrar em contato com Nélio Fortunato, mas o seu celular dele estava desligado. (D.G.)