Revitalização do Centro de Goiânia
Publicado 16/09/2012
Em 1991, resolvi ir morar em São Paulo e fui. Antes, expliquei ao meu filho o porquê de minha ida e garanti que voltaria para buscá-lo. Fiquei pouco tempo lá, embora tenha conseguido um trabalho de interessantes, na Folha de S.Paulo, como pesquisadora. Convenceram-me a retornar para terminar o semestre da faculdade, embora tenha ido depois que a professora Eline me convenceu a dar um tempo do Serviço Social, para ver se era mesmo o curso que eu queria, pois eu me dizia positivista. Eu não conhecia as outras teorias e o meu método para conhecimento da realidade era ver, experimentar e sentir. Eu vim terminar o semestre e acabei voltando em São Paulo apenas para buscar minhas coisas que lá deixara.
Era o início do processo de revitalização do Centro de lá, haviam pessoas acampadas nas ruas centrais, dependurando roupas em varal na praça e ocupando prédios públicos e particulares que estavam vazios; cenas medonhas. Henrique Meirelles se destacava neste processo com um discurso socializador ultra moderno, que revelava entendimento quanto à questão social.
Ao retornar e ver que Goiânia abrigava um Centro decadente, me doí. Cresci andando com meu pai nas ruas centrais da cidade; ele sempre teve escritório de agrimensura e desenho por ali, desde os áureos tempos de Rua do Lazer, de Confeitaria Holandesa, Jóquei Clube, dos cinemas, da Pizzaria China, de suco com cachorro-quente nas Lojas Americanas, de Fonte do Paladar, Restaurante O Grego, Dona Beja, Café Central…
Daí a ideia de colocar na pauta da cidade, esta discussão. Eu era professora de História, substituta de Luis César Bueno. Dois anos depois, eu era moradora do Centro e pedi apoio a Luis César nesta luta, através de sua campanha para vereador.
Encontrei outro dia, uma pasta com os papeizinhos da eleição para a nossa associação goianiense para a revitalização do Centro da cidade. Tudo foi democrático; em sala de reuniões na Câmara de Vereadores elegemos diretoria e o nome. Eu fiquei de fora da diretoria, pois já era mesmo a autora da proposta e precisávamos dar vez aos neófitos que chegavam.
Elaborei e redigi um amplo jornal sobre a Revitalização do Centro. Realizei várias entrevistas, tenho saudade das conversas com o Sr. José Sêneca, da Avenida Tocantins. O último exemplar deste jornal, deixei com o professor Osmar Magalhães em 2004, não sei se existe.
Mas o certo é que a polêmica sobre a revitalização do Centro de Goiânia não se materializará se a população não tomar consciência e gosto pelo tema, inserindo-se no contexto que abrange discussão e participação no processo.
Os Centros São, via de regra, o espaço histórico e o local de maior fluxo de pessoas nas cidades. Pessoas diversas se dirigem diariamente ao Centro. Daí a importância de ser, este espaço, um local aprazível e propício ao convívio entre os cidadãos.
Um projeto para revitalização de centros urbanos, além de contemplar as propostas estéticas e para a ordenação do trânsito, a preservação do patrimônio histórico e a estruturação de uma nova mentalidade comercial, deve valorizar nossos patrimônios, definindo nossa identidade.
Ideias como esquinas culturais, com a volta das retretas, das apresentações das bandas da Prefeitura, da Polícia Militar e do Exército, entre outras apresentações como festivais e peças de teatro, devem ser revistas.
As obras de grande porte não podem emperrar ações mais simples e imediatas para a revitalização do Centro, devendo esta começar pela consciência coletiva da comunidade com relação à construção de uma história, de uma cidadania.
A falta de trabalho com as comunidades de Goiânia se revela e se reproduz em nosso Centro Histórico. Vandalismo, moradores de rua, ruas fétidas, calçadas quebradas, esburacadas, ocupadas por carros; poluição visual, comércio desordenado, limitado, sem atrativos para pessoas que preferem o consumismo frio e glamouroso dos shoppings, claro. Os relógios públicos das vias centrais, foram desativados. Há lixo pelas ruas e calçadas. Faltam sinalizações nas ruas, marcação de faixas.
O traçado original de nossa cidade foi alterado arbitrariamente nesta gestão municipal, com a mudança da Rua 10/Avenida Universitária.
O que sobrava do Bosque do Jóquei Clube no Centro, foi reduzido a uma imensa área de estacionamento próximo às Lojas Americanas, sob a autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Goiânia, na calada, entre dias de Natal e Ano Novo.
A árvore que havia na Avenida Paranaíba em frente ao Pró – Brasilian foi retirada para a visibilidade dos carros da loja de automóveis e para o próximo empreendimento hoteleiro que ali se erguerá em breve.
Na calçada pública ao redor do Jóquei, ergue-se novo empreendimento comercial e privado.
Eu não compreendo como esta gestão PT/PMDB em Goiânia consegue ter votos dos goianienses, pois ainda que seja muito em decorrência dos cargos em comissão e de conluios com o governo federal, é muito notória a má administração que vem executando, nos últimos 12 anos.
(Alexandra Machado Costa, assistente social; poetisa; servidora municipal/SMS: alexandramc.com.br @xandinhamc no twitter)