CPI é transformada em palanque político
Publicado 09/06/2011
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis irregularidades no último ano de mandato do ex-governador Alcides Rodrigues (PP) é tomada por opiniões prévias dos deputados integrantes, em detrimento de questionamentos precisos que deveriam ser feitos aos depoentes. “Todos os atos da CPI são políticos, apesar de haver técnicos que podem orientar nossas decisões”, admitiu o deputado Doutor Joaquim de Castro (PPS), relator da CPI.
Desde a primeira oitiva, o presidente da comissão, deputado Cláudio Meirelles (PR), alerta os demais deputados para evitar discursos políticos, antes de perguntarem. Caso isso estivesse sendo observado, as mais de 30 horas de trabalho realizado até o momento pela CPI poderiam ter dado um rumo mais exato à investigação, em vez de fortalecer a divergência.
Vice-presidente da CPI, o deputado Luis Cesar Bueno (PT) disse que a CPI ainda não chegou ao objeto de investigação, que são as contas do Estado referentes ao ano de 2010, apesar da imensa quantidade de números apresentados por aqueles que já depuseram na comissão.
Integrante da oposição, o deputado Francisco Gedda (PTN) ironizou os deputados governistas, ao questionar a razão da CPI. “Investigar as contas do governo Alcides nos deixa até constrangido”, disse.
Para fortalecer sua defesa, Gedda citou como exemplo os recursos que teriam sido repassados à Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), argumentando que o ex-governador não beneficiou empreiteiras, em vez de quitar integralmente a folha de dezembro. “Dos R$ 280 milhões pagos a prestadoras, R$ 260 milhões eram de verbas com destinação própria”, explicou.
Cláudio Meirelles, entretanto, assegura que houve irregularidades na administração do governo pepista, como o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A expectativa é de que os próximos a serem ouvidos contribuam para o esclarecimento, em vez de gerar mais interrogações. Entre eles está a ex-secretária de Saúde Irani Ribeiro, que vai depor na quarta-feira, 15, a partir das 8 horas. Ela pode ter informação sobre possível pagamento no valor de R$ 11 milhões por remédios de alto custo, sem o respectivo recebimento pela Secretária de Estado da Saúde (SES).
Já o presidente da Agência Goiana de Comunicação (Agecom) vai prestar informações, a partir das 10h30 do dia 15. Depois, no dia 22, a CPI ouvirá o presidente da Agetop, Jayme Rincon.