Partidos pequenos não querem coligação com grandes
Publicado 27/02/2013
Andréia Bahia
“O PMDB vai apoiar a candidatura à reeleição de Paulo Garcia (PT) se os dois partidos se coligarem na eleição proporcional.” A declaração é do deputado estadual Wagner Siqueira, do PMDB, que também condiciona o apoio ao petista a um compromisso do PT com a candidatura peemedebista em 2014. “É condição sine qua non.” Por outro lado, o vereador Djalma Araújo, do PT, afirma que se o PT coligar com o PMDB na eleição proporcional corre o risco de perder as cadeiras que tem no legislativo municipal. “Os candidatos do PMDB têm mais densidade eleitoral e mais dinheiro para bancar a campanha. Vai ser a disputa do fusquinha com a carreta, que vai atropelar os petistas”, compara. O vereador defende uma aliança proporcional com partidos pequenos — PDT, PSC e PMN — ou que o partido lance sozinho a chapa de vereadores.
O que realmente está em jogo nessa discussão? O PMDB, que tem oito vereadores, quer eleger mais dois, e o PT, que tem dois, acredita que pode chegar a cinco, contando aí com o reforço da campanha de Paulo Garcia à prefeitura e com o carisma da sigla da presidente Dilma Rousseff. As conjunturas municipal e nacional favorecem o crescimento do PT na Câmara. Mas parte do PMDB não quer vender barato o apoio a Paulo Garcia e tem, segundo um petista, a adesão de um grupo do PT de peso, liderado por Osmar Magalhães, secretário de Articulação Política do município. É com ele e com o prefeito Paulo Garcia que Wagner Siqueira diz que tem conversas adiantadas sobre a coligação proporcional entre os dois partidos.
A decisão envolve os caciques dos dois partidos e ninguém no PT quer que o tema melindre o acordo que envolve a eleição majoritária. O deputado Luis Cesar Bueno é um dos interlocutores na discussão e, político, diz que aguarda do PMDB uma boa fundamentação para que a coligação entre as duas legendas se estenda à eleição proporcional. “Nos meus cálculos, a coligação com o PMDB não traz vantagem para o PT e não vamos perder vagas para atender interesses pontuais e particulares”, afirma. Mas é justamente esse o receio dos cerca de 80 pré-candidatos petistas, que o partido sacrifique as vagas de vereadores para garantir o apoio do PMDB a Paulo Garcia.
O deputado Luis Cesar admite que o PT vai defender a linha que venha priorizar a candidatura de Paulo Garcia. “E, em minha opinião, quanto maior o número de candidatos a vereador melhor”, diz. O arco de aliança PT e PMDB acolhe 11 legendas. O ideal, na opinião do deputado petista, é que os partidos se dividam em três chapas lideradas pelo PT, PMDB e PDT e lancem cerca de 200 candidatos. “Quanto mais soldado, melhor para a candidatura de Paulo Garcia.” De acordo com a legislação eleitoral, o partido sozinho pode lançar uma chapa de vereadores com o número atual de parlamentares mais 50%. Em Goiânia, isso corresponde a 35 — número de vereadores, mais 17. Coligados, os partidos podem lançar o dobro do número de vereadores, 70 candidatos.
Os petistas querem decidir logo essa questão para não repetir 2008, quando, envolvidos nessa mesma discussão sobre a política de aliança proporcional, acabaram, na última hora, lançando chapa pura com 33 candidatos, apenas 21 fizeram campanha e só dois se elegeram. Na última eleição, o PT não tinha candidato a prefeito. Agora, com esse trunfo nas mãos, uma vez que muito eleitor vota na legenda do candidato a prefeito, Luis Cesar acredita que o partido poderá emplacar até oito vereadores em uma chapa com partidos menores.
Para isso vai contar com puxadores de votos fortes, como os ex-vereadores Carlos Soares e Sergio Dias, e os ex-secretários Paulo Cesar Fornazier e Miguel Tiago. “A chapa do PT está boa e não temos medo do potencial dos candidatos do PMDB”, afirma Bueno. Segundo ele, o peso eleitoral do prefeito compensa o poder econômico dos peemedebistas.
A chapa de candidatos a vereadores do PMDB já conta com mais de 100 nomes, afirma o vereador Agenor Mariano (PMDB), líder do prefeito na Câmara. Mas nem todos se manterão candidatos até o fim. “Essa é uma decisão muito emocional e, mais perto do pleito, eles experimentam um choque de racionalidade e retiram a candidatura.” Diante dessa possibilidade, o ideal, na opinião do vereador, seria a composição com o PT: “Nosso parceiro preferencial”. Nos cálculos de Agenor Mariano, os dois partidos conseguiriam eleger 15 vereadores.
Em relação à resistência dos petistas à coligação, o peemedebista lembra que se o PT tivesse feito aliança com o PMDB na eleição proporcional de 2008, o partido teria hoje seis vereadores na Câmara. “O 22° suplente da coligação já assumiu uma vaga na Casa.” Ele acredita que essa intransigência dos petistas vai ceder com a apresentação de dados que provem que o PT terá mais vantagem coligado ao PMDB.
A situação que o PT em relação ao PMDB é a mesma entre PCdoB e PT. Os comunistas não querem compor a chapa proporcional do PT porque acreditam que, com a candidatura majoritária de Isaura Lemos, a legenda poderá emplacar até três vereadores. Com o PT correm o risco de perder vagas na Câmara. Hoje há dois vereadores comunistas: Fábio Tokarski e Tatiane Lemos. Segundo Fábio Tokarski, o partido está conversando com o PSB, PR, PV e PMN para, juntos lançaram uma chapa proporcional. Esse último partido discute a possibilidade de lançar a candidatura a prefeito do deputado Elias Júnior. “A candidatura a prefeito fortalece a chapa de vereadores e como é uma eleição em dois turnos, podemos nos unir ao campo de centro-esquerda no segundo turno”, avalia Tokarski.
Na oposição, os partidos também avaliam os prós e contras de se aliarem a grandes partidos. O PTB, que lançou a pré-candidatura do deputado federal Jovair Arantes, tem mais de 110 pré-candidatos a vereador, conta Jovair. E segundo ele, serão esses pré-candidatos que vão decidir se o PTB faz ou não coligação proporcional. Ele lembra que, coligado com o PR o partido elegeu em 2010 quatro deputados e, sozinhos em 2008, elegeram apenas um vereador. “A chapa não foi completa.”
PSD
Nesse primeiro momento, o PSD não pensa em se coligar proporcionalmente com os partidos da base aliada que apresentaram candidatos a prefeito: o PSDB — que lançou o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Vilela —, o PTB, que indicou o deputado Jovair Arantes, e PP, que ensaia disputar a eleição com o deputado federal Sandes Júnior. “Nossa estratégia é nos unirmos a partidos que não vão lançar candidato a prefeito”, explica o vereador VirmondesCruvinel (PSD). Isso porque a legenda aguarda decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o pedido de acesso ao fundo partidário e tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão, previsto para abril.
A legenda, criada no ano passado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, entrou com ação junto ao STF reivindicando o direito de o PSD comandar e ter espaço nas comissões permanentes da Câmara, ao fundo partidário e tempo de TV de forma proporcional ao tamanho da sua bancada, que tem 47 deputados.Como nunca disputou uma eleição, o partido tem direito a parcela mínima do fundo, R$ 18,5 mil por mês, e alguns segundos do tempo de TV e de rádio durante eleições. Se conseguir reverter a situação na Justiça Eleitoral, passará a receber cerca de R$ 1,6 milhão por mês do fundo partidário.
Com o reforço no caixa, o vereador acredita que o partido terá fôlego para lançar candidatura a prefeito e já existem dois nomes para a vaga: o deputado federal Armando Vergílio e o deputado estadual Francisco Júnior. Coligados com outros partidos da base aliada, Virmondes Cruvinel calcula que o PSD poderá dobrar a bancada na Câmara, que hoje conta com ele próprio e Santana Gomes. Caso a legenda não lance candidato a prefeito, vai conversar com o PSDB e PTB. “Mas essa é a segunda alternativa”, afirma Cruvinel.
PSol
O PSol pretende montar uma frente de esquerda com o PSTU e PCB e fala lançar o vereador Elias Vaz (PSol) na cabeça de chapa e Marta Jane (PCB) na vice. Mas essa é uma alternativa que esbarra na possibilidade de o PSol perder a única vaga que tem no legislativo municipal. É provável que, criada a frente, a candidata a prefeito venha a ser Marta Jane e o PSTU lance na vice Washington Fraga, uma vez que Elias Vaz tem a reeleição garantida. Os três partidos trabalham para lançar juntos a chapa de candidatos a vereador.
A frente de esquerda também é a intenção do PPS. Segundo o presidente Darlan Braz de Oliveira, a legenda vem conversando com o PSol, PSTU e PCB em busca de sustentação para a candidatura a prefeito do economista Walter Chaves Marim (PPS). “Queremos despolitizar a administração pública, torná-la mais gestacional.” Coligado, Darlan Braz acredita que os quatro partidos possam eleger até três vereadores.