Ou é Paulo ou é Paulo

Publicado 11/06/2011

 /Jornal Opção

Prefeito Paulo Garcia: único nome no PT e no PMDB para disputar a Prefeitura de Goiânia

Andréia Bahia

O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), não conseguiu imprimir sua marca na prefeitura por causa da chuva, segundo seus aliados petistas e peemedebistas. “Caiu um temporal em Goiânia durante seis meses”, afirma o deputado estadual Luiz Cesar Bueno (PT). Período em que mal, mal se tapava os buracos das ruas da Capital. Isso explica, na opinião dos aliados, porque pouca gente sabe que Iris Rezende (PMDB) foi substituído no comando da prefeitura e menos pessoas ainda conhecem o nome do prefeito da cidade. Petistas e peemedebistas apostam que esse quadro será revertido com os mais de R$ 220 milhões do tesouro municipal e do governo federal que vão ser investidos em Goiânia nos próximos meses.

A primeira obra, a reforma do Parque Mutirama, já começou e, se o prefeito quiser, já pode ter uma agenda parecida com a de Iris Rezende: lançamento de uma obra por dia.  Trinta e um bairros serão asfaltados e apenas dois foram lançados. Além disso, o prefeito reforçou sua publicidade com profissionais de peso: Marcus Vinícius Queiroz, Renato Monteiro e Léo Pereira.

Na prefeitura, há uma grande expectativa em relação ao apoio do governo federal, mas a experiência já mostrou que não se deve esperar nada de Dilma Rousseff. Pedro Wilson (PT) aguardou a vinda de recursos federais durante os quatro anos de sua administração e saiu sem ver a cor do dinheiro. Goiás não é e nunca foi prioridade dos governos petistas. Prova disso é que até hoje Iris Rezende e Pedro Wilson, que tinha a reeleição para deputado federal garantida, mas disputou o Senado para atender à estratégia da executiva nacional, não foram chamados para ocupar os prometidos cargos federais. 

Para o ex-secretário municipal Mauro Miranda (PMDB), o quinto lugar de Paulo Garcia nas pesquisas de intenção de votos para prefeito da Capital não justificaria a troca do candidato “Iris se propôs a bater de porta em porta para pedir voto para ele e já decidimos que, haja o que houver, vamos arriscar com Paulo.” A não ser que aconteça alguma coisa muito grave que abale a administração, afirma outro peemedebista. O caminho é sem volta para a maioria do PMDB. Mas não para a totalidade do partido.

         

Há quem esteja acompanhando de bem perto a evolução do prefeito nas pesquisas e pronto para dar o bote.  Na última pesquisa Ecope/“Diário da Manhã” para prefeito de Goiânia, o senador Demóstenes Torres, do DEM, disputaria o segundo turno com o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Vieira Cardoso, que corre o risco de não poder disputar a eleição na Capital. A deputada federal Iris Araújo, do PMDB, que também está impedida de concorrer, aparece com 9,3% das intenções de voto, seguida da senadora tucana Lúcia Vânia, que não pretende disputar a eleição, com 6%, na frente de Paulo Garcia, que, em quinto lugar, só tem 5,3%, empatado com Henrique Meirelles (PMDB). Thiago Peixoto seria o candidato de 3,7% dos entrevistados, João Campos (PSDB) aparece com 3% e Helder Valin (PSDB) recebeu 2%.

O prazo para Paulo Garcia tem para reverter esse quadro termina em 31 de dezembro de 2011. “Ele tem que ganhar a eleição este ano porque se entrar em 2012 com índices de aprovação tão baixos, o PMDB lança candidato”, afirma um peemedebista. Paulo Garcia é o candidato natural à reeleição também para o PMDB e tem o apoio de quem realmente manda no PMDB: Iris Rezende. “O ex-prefeito não vai deixar o partido colocar tudo a perder”, aposta o peemedebista. Tudo quer dizer o apoio do PT ao candidato do PMDB em 2014. Há entre os dois partidos um acordo tácito: eu apoio a reeleição de Paulo e você apoia o PMDB para o governo.

Mas o PMDB, como ninguém ignora, não é um partido de estratégia e consenso. É movido pelo improviso. Hoje, o partido está com Paulo Garcia, mas o amanhã é sempre uma incógnita quando se trata. É também um partido sem espelho. Se Paulo, com a máquina administrativa na mão, não consegue deslanchar quais as chances de um peemedebista se sobressair na disputa?  Único nome que o PMDB tem para apresentar não pode ser candidato: Iris Rezende. O outro que teria chances, Thiago Peixoto, foi cooptado por Marconi Perillo e hoje responde pela pasta da Educação no governo tucano. É também um dos nomes do governador para a disputa em 2012.

Os demais peemedebistas que almejam participar do pleito são também meros desconhecidos da população e a aposta neles seria tão ou mais ariscada que em Paulo Garcia. A velha guarda do PMDB está descartada e entre os mais novos, os deputados Bruno Peixoto, Daniel Vilela, Francisco Júnior, Samuel Belchior, Wagner Siqueira e o presidente da Agencia Municipal de Obras (Amob), Iram Saraiva Jr., poucos se cacifam para ser vice de Paulo. Que dirá candidato a prefeito. Francisco Júnior perdeu a confiança do partido ao se aproximar do governador Marconi Perillo e ensaiar a filiação ao PSD. “Iris tirou Francisco Jr. de dentro do PSD”, comenta um peemedebista. Bruno Peixoto se empenha para ser o escolhido, mas não tem a simpatia de Iris, que prefere Wagner Siqueira. Paulo Garcia, por sua vez, prefere o secretário de Habitação, Paulo Borges, devido a suas estreitas ligações com empresários do ramo da construção e com José Batista Júnior, do Friboi.

No PT, a situação não é diferente. Não há nomes para disputar a prefeitura senão o de Paulo Garcia. Pedro Wilson, depois da administração desastrada de 2000 a 2004, não consegue mais emplacar seu nome para nenhuma disputa majoritária. Perdeu feio, no ano passado, a eleição ao Senado para Demóstenes Torres (DEM) e Lúcia Vânia (PSDB), apesar do apoio do ex-presidente Lula e da então candidata Dilma Rousseff. Os petistas que participaram da administração de Pedro Wilson, inclusive a deputada federal Marina Sant’Anna, que é suplente, também se contaminaram com o desgaste. “Há muita reclamação sobre a concentração de poderes na mão de Marina e de seu grupo, que com a derrota na eleição de 2004 perderam o controle do partido”, analisa um petista.

Naquela eleição, Iris Rezende negociava para indicar o vice na chapa de Pedro Wilson, mas o PT ficou na expectativa do apoio de Marconi Perillo — que, na última hora, não veio — obrigando o PMDB a lançar candidato próprio. O fim da história todo mundo conhece. Iris venceu Pedro Wilson em uma eleição que se tornou emblemática para o PT goiano. O deputado Luis Cesar Bueno admite que o PT não tem outro candidato para lançar. “Apostamos todas as fichas no prefeito.” E ele diz confiar no apoio do PMDB à reeleição de Paulo, que não vem de graça. “O PMDB tem mais de 80% do governo Paulo Garcia.”

Por sua vez, o PMDB acredita no compromisso do PT em apoiar um candidato peemedebista em 2014. Mas não há garantias que o PT, depois de reeleger Paulo Garcia, abra mão de lançar candidato ao governo. Quiçá o próprio prefeito, se reeleito. Há também o deputado Rubens Otoni, que sonha em disputar o governo. Do outro lado, o PMDB prepara Vanderlan Cardoso para enfrentar Marconi Perillo. “Ele tem um potencial fantástico”, avalia um peemedebista. 

Segundo Luis Cesar Bueno, o acordo que PT e PMDB firmaram é de longo prazo. Ele foi selado na frente de José Dirceu (PT), do então vice-presidente José Alencar, além do petista Osmar Magalhães e de Iris, lembra Mauro Miranda, que também presenciou o acordo. Segundo ele, as duas eleições que as legendas participaram juntas, em 2008 e 2010, consolidaram a aliança. “É um acordo de lealdade, como um casamento.” Tem que ser construído. Ele elogia a “forma correta” que Paulo sempre tratou Iris Rezende — “nota 10” — e afirma que o PMDB vai apostar suas fichas na reeleição do prefeito.

Precisa deslanchar

Para o PMDB, afirma um deputado do partido, o ideal é que Paulo Garcia deslanche, ganhe a eleição e apoie o PMDB em 2014. Mas o partido não pretende entregar a prefeitura de graça para a oposição caso o Paulo Garcia não suba nas pesquisas. O prefeito pode ser um desconhecido, mas é um bom articulista. Mostrou isso na eleição de 2004, quando a direção do PT resistia a fazer aliança com o PMDB. Paulo, que na época nem tinha mandato porque havia perdido a reeleição para deputado, conseguiu atropelar Rubens Otoni, Pedro Wilson e Marina Sant’Anna, principais lideranças do PT, e costurar a aliança com o PMDB, além de emplacar seu nome como vice. Paulo não tinha história no PT e contou apenas com o apoio velado de Iris Rezende para ser o candidato a vice. 

Paulo Garcia não deixou de ser vice e por isso sua administração tem a cara de Iris Rezende. Mas por falta de alternativas, cabe somente a ele representar peemedebistas e petistas no pleito de 2012. Do outro lado, deve estar o senador Demóstenes Torres. “Seria bom uma disputa com o senador para testar nossas divergências e aposto que Paulo ganha no primeiro turno”, diz Luis Cesar Bueno, mais otimista do que deveria estar. Considerando inclusive que a eleição de 2012 é um degrau para se chegar ao pleito de 2014 com as mínimas chances de vitória.

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