Cotas: Deputado quer embaixadores afrodescendentes

Publicado 06/02/2012

 O líder do PT na Assembleia Legislativa, o deputado Luis Cesar Bueno defende cotas para negros na diplomacia, para embaixadores. “Até pelo fato de que é constrangedor para uma nação de maioria afrodescendente seu chefe chegar num país do Continente Africano acompanhado somente de diplomatas brancos”, argumenta.

Luis Cesar Bueno admite que ocorreram grandes avanços na luta do negro pela igualdade, mas ainda falta muito que fazer. “Houve avanço significativo na educação, no setor profissional, na política, na cultura, mas entendo que a luta dos afrodescendentes não pode parar.”

O deputado lembra que os desafios iniciaram justamente quando a Lei Áurea foi assinada. “Foi uma decisão acertada da princesa Isabel. Os negros foram libertados, mas eles não tiveram suporte social para levar uma vida digna. Daí iniciavam-se muitas lutas, a maior delas foi contra ao preconceito.”

De acordo com o deputado o mercado de trabalho com direitos trabalhistas foi uma das primeiras conquistas do negro, o acesso à cultura, como na teledramaturgia brasileira, também consolidou a importância da igualdade racial. “Mas não para por aí. Vejamos a articulação da juventude negra das periferias, que consegue conjugar cultura estético-musical – hip hop, soul music, samba rock e samba velha guarda.”

O parlamentar lembra ainda que o Governo Federal também avançou no resgate da dignidade da pessoa do negro, com a publicação do Decreto-Lei n° 4.228, 13 de maio de 2002, que institui, no âmbito da Administração Pública Federal, o Programa Nacional de Ações Afirmativas, que visa a reserva de cotas de empregos para afrodescendentes nas repartições públicas e nas empresas privadas que prestam serviços para o Governo Federal.

O Estatuto da Igualdade Racial também é lembrado pelo deputado. “O Estatuto garantiu mais direitos, como acesso da mulher negra à política, recursos para políticas públicas de inclusão do negro e resgatou o compromisso do setor empresarial com nossa comunidade negra.”

Luis Cesar Bueno destaca ainda o programa de cotas para negros nas universidades públicas e por último o Selo da Igualdade Racial lançado pelo ator Milton Gonçalves na PUC-Goiás. O selo pretende incentivar empresas a reconhecer o mérito dos empregados, independentemente da idade, do gênero, da cor ou condição física. “São muitos avanços, mas esperamos que um dia os afrodescendentes não precisem mais de cotas nem selos, mas para isso devem continuar batalhando.”

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