DISCURSO PROFERIDO PELO NOBRE DEPUTADO LUIS CESAR BUENO, NA SESSÃO ORIDNÁRIA DO DIA 17 DE FEVEREIRO DE 2005, NO MOMENTO DESTINADO AO PEQUENO EXPEDIENTE
Publicado 17/02/2005
Senhor Presidente; Senhores Deputados; Senhoras Deputadas. Não poderia deixar de ocupar a tribuna desta Casa sem comentar o fato que coloca Goiás, hoje, na manchete de todos os jornais do Brasil. Acredito que o Governador tenha uma política sensata e muito reconhecida em relação ao Cheque Moradia, dos programas habitacionais. Mas a violência da Polícia Militar ontem, contra seres humanos, colocando vidas em risco e eliminando algumas vidas, manchou a imagem de Goiás, hoje, em todo o Brasil. Trago aqui o “Jornal do Brasil”. O “Jornal do Brasil” noticia: “Igreja cobra mais ação do Estado”, e registra: “Em Goiânia PM mata dois e fere vinte e quatro”. O jornal “O Globo” diz: “Tensão social cresce e dois sem-teto morrem em Goiás”. E vai mais além, uma matéria inteira na sua edição, e coloca com a seguinte janela: “A operação desastrada para retirar doze mil moradores de uma área ocupada em Goiânia termina com duas mortes e vinte pessoas feridas. Invasores reagiram ao despejo com paus, pedras e bombas caseiras”. O jornal “Correio Brasiliense”, também traz em sua manchete uma ação que evidencia a violência existente em Goiânia: “Desocupação e morte em Goiânia”. Agora, depois de ler os jornais em nível nacional, muito me chamou a atenção no jornal “O Popular” de hoje, um articulista que respeito e acho muito competente e bem informado, que mostrou em duas linhas qual foi a ação e o objetivo da Polícia Militar na invasão do Parque João Braz. Diz o jornalista Jarbas Rodrigues: “Refrão cantado pelo Batalhão de Choque da PM ao entrar no Parque Oeste Industrial: “Faca na caveira. Eu vim beber seu sangue”. Jornal “O Popular” de hoje, o articulista Jarbas Rodrigues. É muito grave, Senhor Presidente, porque nós estamos em um estado democrático, onde a lei deve ser preservada. Agora, acredito que durante nove meses, para se aplicar um mandado de desocupação e reintegração de posse, ações que preservassem as vidas poderiam ser tomadas. E eu me lembro de uma ação do ex-Governador Henrique Santillo, quando diante de um seqüestro que envolveu como reféns duas jornalistas, o comandante maior da Polícia Militar, chamado na época pelo Governador de Goiás, comandou toda a operação pessoalmente, inclusive aos gritos e fumando muito. Pressionou o Governador Orestes Quércia a não metralhar o comboio de carros que levava como reféns duas jornalistas que atravessavam o Estado de São Paulo. Portanto, esses são exemplos que poderiam ser seguidos nesse caso específico. E eu gostaria que essa imagem moderna, essa imagem de um Estado que está se industrializando, de um Estado progressista, prevalecesse na imprensa. Quero dizer que, com certeza, os programas habitacionais e toda a política habitacional do Governo do Estado hoje foram manchados em nível nacional, e vai ser muito difícil corrigir esse estrago. Mas, o mais grave é o atentado contra a vida, até agora, de dois jovens, porque durante todo o processo de ocupação, essas invasões receberam energia elétrica da CELG, receberam Cheques Moradias e depois invadiram e tiraram tudo isso. Portanto, a minha posição com relação a essa ocupação é pública, e eu manifesto o meu repúdio contra a violência.