Conjuntura e eleições 2010
Publicado 18/05/2009
Até aqui, o governo liderado pelo presidente Lula desenvolveu, no campo e na cidade, programas sociais responsáveis pela retirada da miséria de pelo menos 20 milhões de brasileiros. A despeito da crise, todos devem continuar em direção ao mercado de trabalho, ao mundo do conhecimento, enfim, a uma vida digna. Por seu turno, o PT revelou, no período que seguiu o 3º Congresso, uma relativa estabilidade em seu contexto interno, concentrando esforços nas tarefas organizativas e disputas eleitorais. Consideramos necessária a manutenção do ambiente de diálogo político entre as forças internas que compõem as direções e instâncias partidárias. O sectarismo, a estreiteza e o pragmatismo desmedido, fenômenos não circunscritos a um determinado campo ou setor do partido, e, sim, verificados em maior ou menor grau em todas as tendências, devem ser combatidos firmemente pelas direções do PT em todos os níveis.
Sem dúvida, a conivência com práticas deste tipo tem origem no hegemonismo, versão degenerada do conceito de hegemonia. O hegemonismo leva ao desacúmulo, à fragmentação, desestimulando o debate político, por consequência, acaba por afastar a base na participação das decisões. Estamos aproximando da disputa para a direção do PT em Goiânia, Goiás e no Brasil. A disputa no partido deve estar submetida à defesa da unidade e ao fortalecimento das instâncias. Somente assim estaremos à altura dos desafios que se estendem pelos próximos anos. Alguns deles nos parecem bastante óbvios: a crise financeira e seu impacto na economia brasileira e latino-americana, o papel do PT no cenário pós-Lula. Apesar da grave crise do capital financeiro, ainda não há indícios de que a hegemonia da grande burguesia financeira esteja ameaçada, uma vez que está no processo de acumulação capitalista e subordinou completamente os demais setores da economia. As taxas de juros, fonte dos lucros do capital financeiro, maximizam seus lucros e esmagam os demais setores da economia. Isto conduz a uma concentração cada vez maior da riqueza, a uma permanente instabilidade econômica e política pelo seu caráter imediatista, predatório e sem nenhum compromisso com o espaço nacional.
A acumulação e os superlucros são independentes do crescimento geral da economia, acentua a desigualdade social e submetem todo o sistema às estratégias do segmento especulativo e parasitário. A atual crise econômica vem abalando seriamente o capitalismo. O período de incertezas no qual estamos inseridos abre uma série de oportunidades. A máxima de que os períodos de fortes crises antecedem as mudanças sociais mais bruscas deve ser explorada ao máximo pelos atores sociais que reivindicam um papel de esquerda. Para que isto seja possível, sugerimos a observância de alguns eventos que acontecem em escala global. A obtenção de uma plataforma mínima capaz de unificar as forças progressistas de todo o mundo na luta por uma nova ordem internacional permanece sendo um desejo das forças de esquerda, especialmente os partidos políticos que hoje exercem governos de esquerda ou progressista. A partir do Fórum Social Mundial de Porto Alegre (2001) e das edições que se seguiram, algumas bandeiras vêm sendo levantadas. As condições objetivas em que será travada a disputa pela sucessão ainda não estão dadas. A perspectiva de prévias no PSDB, ainda que seja desencorajada por Serra, deve acontecer sob pena da migração do governador Aécio Neves para trincheiras mais próximas das que estão sob a asa da “coalizão governista”. Tal evento estimulará o debate político e até mesmo programático entre nossos adversários. De maneira nenhuma devemos subestimar a capacidade deste partido em sua capacidade de elaboração: governando três dos cinco maiores Estados do País (SP, MG e RS) e com alguma mobilização de seus quadros intermediários, o PSDB estará pronto para polarizar a eleição de 2010 conosco, esteja onde estiver o índice de popularidade do presidente Lula.
Aliás, com a enorme capacidade de engajamento da grande mídia na formulação de consensos conservadores, é provável que a corrida presidencial rebaixe os índices de aprovação tanto de Lula quanto do governo; quanto a isso não devemos criar ilusões. Ao PT, caberá a iniciativa política de sedimentar o campo da esquerda, atrair o centro e isolar os neoliberais, enfim, toda a elite política colonizada do País. Com extenso calendário de debates internos, o PT terá tempo e meios de sobra para interagir com a massa, exercitando publicamente seu debate sobre o que queremos para o Brasil. A previsão de que nossa candidata seja uma militante histórica da esquerda, organizadora e gestora do maior plano de investimentos públicos do País, nos anima e devemos converter isso em sucessivas agendas de interlocução entre a ministra Dilma e os partidos que sustentam o governo Lula. O fundamental é que o terceiro governo dirigido pelo PT consolide as conquistas do governo Lula, avance em medidas que radicalizem a democracia (o orçamento participativo é possível e necessário) e aprofunde a distribuição de renda e as políticas sociais. Alguns pontos devem merecer especial atenção e prioridade por parte do terceiro governo liderado pelo Partido dos Trabalhadores.
Em Goiás, destacamos as iniciativas da direção partidária em estabelecer diretrizez para um plano de atuação em 2010. Elementos consistentes para um programa de governo junto com as articulações políticas para manter unida a base do presidente Lula no Estado são condições necessárias para nossa vitória em 2010. Luis Cesar Bueno é professor, deputado estadual, especialista em Política, Gestão e Finanças Públicas, vice-presidente do Diretório Regional e membro da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores