Teremos Água até quando…

Publicado 23/03/2006

Em comemoração ao dia mundial da água, 22 de março, o presidente da Comissão de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Luis César Bueno, debateu na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás a realidade dos recursos hídricos do estado e a preservação das nascentes nas regiões metropolitanas. Na ocasião foi enviado requerimento ao presidente Lula enaltecendo o apoio financeirodo governo federal na construção da estação de tratamento de esgoto de Goiânia, ETE e também na construção da barragem do Ribeirão João Leite, reservatório que garantirá o fornecimento de água potável nos próximos 20 anos na capital. Na avaliação global da entidade águas internacionais, ficou demonstrado que a escassez de recursos hídricos poderá causar um estrago ainda maior nos próximos 15 anos, de acordo com um relatório internacional sobre águas no mundo. Queda na vazão dos rios, crescimento da salinidade em estuários, perda de espécies de peixes e plantas aquáticas e redução dos sedimentos nas costas devem ter crescimento em várias áreas do globo até 2020. Esses problemas, por sua vez, trarão sérias perdas para áreas cultiváveis, insegurança alimentar e danos à pesca, além de crescimento da desnutrição e de doenças. A agricultura em geral está no topo das preocupações advindas de problemas com recursos hídricos dos 1.500 especialistas envolvidos no relatório final da Avaliação Global sobre Águas Internacionais (GIWA, do inglês Global International Waters Assessment). “Em todo o mundo, houve um crescimento da procura por produtos agrícolas e uma tendência sobre alimentos que demandam mais água em sua produção, como carne em vez de vegetais e frutas no lugar de cereais”. Falhas no conhecimento também geram problemas, como é o caso de muitos países em desenvolvimento que operam informalmente com relação a seus recursos hídricos e padrões precisos de oferta e procura. “Aquíferos representam o maior lapso de informação, o que tem se tornado um obstáculo cada vez maior para um gerenciamento eficiente das águas, já que a dependência por águas subterrâneas aumenta”, diz o relatório divulgado antecipadamente do Dia Mundial da Água, 22 de março. Falhas de mercado também são destacadas como fatores importantes na contribuição para os danos tanto em águas potáveis como em zonas costeiras. “A maior parte das contribuições para a produção está sub-valorizada se comparada com todo seu custo social e ambiental”, diz o relatório, citando a sub-valorização do preço da água, subsídios para pesticidas e para pesca e incentivos a construções de infra-estrutura como represas e sistemas de desvio de cursos de água. O deputado Luis César Bueno resaltou a necessidade de uma parceria emergencial entre os governos federal, estadual e municipal no sentido de paralisar e recuperar os danos ambientais decorridos da produção de grãos no cerrado. As mudanças climáticas são vistas como um ponto de destaque no relatório debatido no, com preocupações específicas sobre áreas de pesca e organismos marinhos. O relatório estima que a variação climática é o mais importante fator de controle da quantidade de peixes para cerca de metade dos maiores ecossistemas marinhos do mundo. Esses incluem os recifes do leste e oeste da Groenlândia; a corrente Benguela da costa Sudoeste da África, a corrente Canária da costa Noroeste da África e a corrente Humboldt da costa oeste da América do Sul. Dessa maneira, as mudanças climáticas podem causar impactos considerados na pesca dessas regiões sensíveis. Esses estão entre as descobertas do GIWA produzido pela Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com fundos vindos do Funco Mundial para o Meio Ambiente (GEF) junto com governos nacionais, especialmente de países nórdicos. A avaliação, uma empreitada única, juntou não somente cientistas, mas especialistas das áreas sociais e econômicas. Eles têm avaliado tendências atuais e futuras para águas potáveis e marinhas de cerca de 66 áreas aquáticas localizadas entre fronteiras, principalmente ligadas a países em desenvolvimento. Seu relatório final, Desafios das águas internacionais: Avaliações regionais numa perspectiva global, é lançado formalmente hoje, repleto de inovadoras recomendações sobre como reverter os danos e decadências. É necessário superar a probreza e atingir as Metas do Milênio acordadas internacionalmente que requer que nós olhemos com mais atenção para a maneira como administramos nosso mundo natural. Isso exige que nós valorizemos melhor o capital natural desde florestas e savanas até nossa água potável e habitats costeiros. O relatório conclui que há motivos para sérias preocupações em todas as áreas, e que se espera que os problemas se tornem mais graves até 2020. Escassez de Água Doce Os especialistas de prevêem que os impactos ambientais de escassez de água tendam a crescer ou permanecer nos mesmos níveis nos próximos 15 anos. Somente cerca de seis das áreas estudadas, incluindo a Bacia de Murray Darling na Austrália, a região do rio Mekong e a região ártica da Rússia, têm expectativa de terem impactos reduzidos. O relatório observa que a crescente demanda da agricultura irrigada atualmente contribui com 70 por cento de retrações de água doce, sendo que apenas 30 por cento retorna para o meio ambiente. Tal situação se compara à indústria e aos domicílios, os quais retornam 90 por cento da água utilizada. A perda e mudanças de cursos de água resultantes de trabalhos de construção também podem gerar efeitos secundários.

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